Para ver na Cinemateca

Programação regular da Cinemateca

REALIZADOR CONVIDADO | PEDRO COSTA

Pedro Costa (Fotografia: Henrique Calvet)
Pedro Costa (Fotografia: Henrique Calvet)

Pedro Costa é o primeiro “realizador convidado”, uma das novidades na programação da Cinemateca em 2015. Ao longo de três semanas, entre 12 e 30 de janeiro, Pedro Costa concebeu e apresenta um programa que inclui filmes seus em articulação com outras obras, várias delas de oportunidade de exibição rara. O programa conta com as presenças de José Neves, João Queiroz, Paulo Nozolino, Rui Chafes, Leonardo Simões e Olivier Blanc, que acompanharão algumas das sessões em diálogo com Pedro Costa.

VENDA ANTECIPADA DE BILHETES PARA TODAS AS SESSÕES DO CICLO

8, 9 e 10 de janeiro: 18:00 – 22:00
Durante o Ciclo: horário excecional da bilheteira – uma hora antes de cada sessão

As sessões anunciadas como “ENCONTROS COM…”, que em alguns casos incluem a projeção de filmes curtos, são de entrada livre mediante o levantamento de ingressos na bilheteira.

Seg. [12] 15:00

ENTUZIAZM – SINFONIA DONBASSA

“Entusiasmo” / “Sinfonia do Don”
de Dziga Vertov
URSS, 1930 – 67 min
intertítulos em russo legendados em português

VREMENA GODA

“As Estações”
de Artavazd Pelechian
URSS, 1972 – 29 min / sem legendas

duração total da projeção: 96 min | M/12

ENTUZIAZM faz a celebração do trabalho para a edificação de uma nova sociedade, que aqui se identifica com a URSS. Vertov, como revolucionário da linguagem cinematográfica, constrói uma sinfonia visual, de ressonância operática, onde a montagem tem um papel fundamental. “Pelechian parece só filmar gestos essenciais (primordiais) da integração do homem no cosmos. Ao mesmo tempo, produz sobre eles uma sistemática operação de desbanalização […]. O túnel que homens e animais atravessam nas ‘ESTAÇÕES’ é um túnel do tempo que nos atira para fora do tempo” (José Manuel Costa). VREMENA GODA / “AS ESTAÇÕES” de Artavazd Pelechian é apresentado em cópia digital.

ENTUZIAZM – SINFONIA DONBASSA (“Entusiasmo” / “Sinfonia do Don”)
ENTUZIAZM – SINFONIA DONBASSA (“Entusiasmo” / “Sinfonia do Don”)

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Seg. [12] 18:00

UNKNOWN CHAPLIN (EPISÓDIOS 1, 2, 3)

de Kevin Brownlow, David Gill
Reino Unido, 1983 – 163 min / sem legendas | M/12

Escrito e realizado pelos historiadores de cinema Kevin Brownlow e David Gill, produzido para a televisão britânica e com narração de James Mason, a célebre série documental em três episódios é também justamente famosa pelo vasto material inédito (unknown) da coleção privada de Chaplin. A série inclui entrevistas com Lita Grey, Sydney Chaplin, Jackie Coogan, Dean Riesner, Georgia Hale ou Virginia Cherrill. Primeira exibição na Cinemateca.

02-unknown chaplin

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Seg. [12] 22:00

ONE A.M.

Charlot Boémio
com Charles Chaplin, Albert Austin
Estados Unidos, 1917 – 17 min
mudo, com intertítulos em português

THE COUNTESS FROM HONG KONG

A Condessa de Hong Kong
de Charles Chaplin
com Marlon Brando, Sophia Loren, Tippi Hedren, Sidney Chaplin
Reino Unido, 1967 – 120 min
legendado eletronicamente em português

duração total da projeção: 137 min | M/12

ONE A.M. é um dos títulos do período em que Chaplin foi produzido pela Mutual. A personagem de Chaplin é um burguês que volta de uma noitada: sozinho no ecrã durante praticamente todo o filme, debate-se com os objetos que o cercam. THE COUNTESS FROM HONG KONG é a última obra de Chaplin e também a mais incompreendida de todas. É ainda, como A KING IN NEW YORK, uma sátira à política americana, mas sem a agressividade que carateriza o filme em que Chaplin “é” o rei de um país fictício da Europa Central de passagem por Nova Iorque e ajusta as suas contas com os Estados Unidos. Em THE COUNTESS FROM HONG KONG Marlon Brando é um político americano que, na viagem de regresso ao país, encontra, no seu camarote do barco, uma clandestina condessa russa, Sophia Loren, esplendorosa como nunca, que procura chegar aos EUA.

THE COUNTESS FROM HONG KONG (A Condessa de Hong Kong)
THE COUNTESS FROM HONG KONG (A Condessa de Hong Kong)

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Ter. [13] 16:00

Com a presença de Pedro Costa

JEAN-MARIE STRAUB, DANIÈLE HUILLET CINÉASTES

de Pedro Costa
com Jean-Marie Straub e Danièle Huillet
Portugal, França, 2001 – 60 min
legendado eletronicamente em português

SICILIA!

Sicília!
de Jean-Marie Straub, Danièle Huillet
com Gianni Buscarino, Vittorio Vigneri, Angela Nugara
França, Itália, 1998 – 66 min / legendado em português

OÙ GÎT VOTRE SOURIRE ENFOUÏ?

Onde Jaz o Teu Sorriso?
de Pedro Costa
com Jean-Marie Straub e Danièle Huillet
Portugal, França, 2001 – 104 min / legendado em português

duração total da projeção: 230 min | M/12
(entre a projeção de cada filme há um intervalo de 15 minutos)

No momento da montagem da terceira versão de SICILIA! por Jean-Marie Straub e Danièle Huillet, Pedro Costa rodou uma “comédia da remontagem”. Por detrás da sua paciência “au travail”, terna e violenta, os dois cineastas desvelam uma certa ideia do cinema, do seu cinema, do seu casal, e do casal tout court. Costa montou duas versões do filme: OÙ GÎT VOTRE SOURIRE ENFOUÏ? e JEAN-MARIE STRAUB, DANIÈLE HUILLET CINÉASTES. Esta última (a exibir pela primeira vez na Cinemateca) é a versão montada por Costa sobre o trabalho de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet como episódio da célebre e duradoura série “Cinéma, de Notre Temps”, iniciada em 1964 por Janine Bazin e André S. Labarthe (então chamada “Cinéastes, de Notre Temps”) no contexto da cinefilia francesa dos anos dos Cahiers du Cinéma e da Nouvelle Vague. Entre os dois filmes de Costa com Straub e Huillet, o filme de Straub e Huillet: SICILIA!, inspirado no romance de Elio Vittorini Conversazione in Sicilia. É uma das obras mais radicais do casal. “A plenitude da sua realização, a extraordinária força dos enquadramentos, a concisão da dramaturgia, o sopro lírico que o atravessa, a cólera surda que dele emana e elegância inata que o impregna fazem (de SICILIA!)… uma tempestade incrivelmente serena capaz de varrer tudo à sua passagem” (Thierry Jousse).

OÙ GÎT VOTRE SOURIRE ENFOUÏ (Onde Jaz o Teu Sorriso?)
OÙ GÎT VOTRE SOURIRE ENFOUÏ (Onde Jaz o Teu Sorriso?)

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Ter. [13] 22:00

KOMMUNISTEN

de Jean-Marie Straub
com Barbara Ulrich, Gilles Pandel, Arnaud Dommerc

LA GUERRE D’ALGÉRIE!

de Jean-Marie Straub
com Christophe Clavert, Dimitri Haulet
França, Suíça, 2014 – 70 min e 2 min
legendados eletronicamente em português

duração total da projeção: 72 min | M/12

Uma sessão de exceção com o trabalho mais recente de Jean-Marie Straub. KOMMUNISTEN convoca muito do cinema passado de Straub-Huillet, pois Straub recupera fragmentos de filmes antigos que coloca em diálogo com imagens filmadas no presente. KOMMUNISTEN é composto por seis partes: “Le Temps du Mépris”, filmado em julho deste ano na Suíça e baseado no livro homónimo de André Malraux; “L’Espoir” (2001) retirado do filme de Straub e Huillet, OPERAI, CONTADINI (2001); “Le Peuple”, fragmento de TROP TÔT, TROP TARD (1982); “Les Apuanes”, retirado de FORTINI/CANI (1976); “L’Utopie communiste”, retirado de DER TOD DES EMPEDOKLES (1987) e “Nouveau Monde”, a partir SCHWARZE SÜNDE (1990). A questão de saber como a partir de um presente (ou de um passado) de guerra e de separação se pode construir um mundo melhor onde os humanos possam viver em paz com a natureza permanece sem resposta, pelo que Straub regressa sempre aos mesmos filmes e às mesmas questões, que são na realidade as verdadeiras questões. LA GUERRE D’ALGÉRIE!, curtíssimo filme de apenas dois minutos, parte de um texto autobiográfico do psicanalista Jean Sandretto. Primeiras exibições na Cinemateca.

KOMMUNISTEN
KOMMUNISTEN

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Qua. [14] 14:00

DER MÜDE TOD – EIN DEUTSCHES VOLKSLIED IN 6 VERSEN

A Morte Cansada
de Fritz Lang
com Bernhard Goetzke, Lil Dagover, Walter Janssen,
Rudolf Klein-Rogge
Alemanha, 1921 – 100 min
mudo, intertítulos em alemão traduzidos eletronicamente em português

SAIKAKU ICHIDAI ONNA

“A Vida de O’Haru”
de Kenji Mizoguchi
com Kinuyo Tanaka, Toshiro Mifune, Manao Shimizu
Japão, 1952 – 136 min / legendado em português

duração total da projeção: 236 min | M/12
(entre a projeção dos dois filmes há um intervalo de 15 minutos)

O amor mais forte do que a morte. DER MÜDE TOD, o filme que consagrou Fritz Lang é uma deslumbrante parábola sobre a vida, o amor e a morte. Uma jovem quer roubar o noivo à Morte, que lhe impõe, como prova, proteger a luz de três velas que correspondem a outras tantas vidas em perigo. A ação desenrola-se em três etapas, uma na Arábia, outra em Veneza, outra na China. “O tratamento espacial revela um salto na estilização. Nele encontramos de novo a irrupção das superfícies verticais (…); ou ainda as linhas curvas (…). Com tal rigor, equilíbrio, dimensão visual, e com essa poderosa e insólita confrontação entre as duas figuras, Lang começava já a deixar para trás o (muito) que fizera nesses três anos de imediato pós-guerra. E ainda estava praticamente a começar” (José Manuel Costa). SAIKAKU ICHIDAI ONNA é um dos grandes filmes de Mizoguchi, história sobre uma mulher em rota de colisão com os valores morais e sociais do seu tempo. O famoso realismo histórico de Mizoguchi raramente foi levado tão longe, como raras vezes foi levado tão longe o seu lirismo intimista. Uma das mais belas meditações sobre a mulher na história de qualquer arte. “Quanto mais vejo o filme, mais se me impõe o lado rebelde da personagem, que, desde muito nova, aceita e escolhe colocar-se em oposição a uma ordem que ela globalmente não contesta, mas permanentemente transgride. […] Tudo é, de resto, para notar neste filme inesgotável. O coração de uma mulher. Baixo e volúvel?” (João Bénard da Costa).

SAIKAKU ICHIDAI ONNA (“A Vida de O’Haru”)
SAIKAKU ICHIDAI ONNA (“A Vida de O’Haru”)

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Qua. [14] 22:00

POTO AND CABENGO

de Jean-Pierre Gorin
com Grace Kennedy, Virginia Kennedy, Tom Kennedy
França, 1980 – 73 min / legendado em inglês

NUMÉRO DEUX

de Jean-Luc Godard
com Sandrine Battistella, Pierre Oudry, Alexandre Rignault,
Rachel Stefanol
França, 1975 – 90 min / legendado em português

duração total da projeção: 163 min | M/12

Depois de ter trabalhado com Jean-Luc Godard e de com ele ter fundado o Grupo Dziga Vertov, Jean-Pierre Gorin partiu para os Estados Unidos a convite de Manny Farber para ensinar na Universidade da Califórnia, em San Diego. Enquanto se deparava com um novo continente, Gorin realizou um filme centrado na história de Grace e Virginia, duas irmãs gémeas que, pouco expostas ao mundo exterior, falavam entre si uma “linguagem privada”. Em POTO AND CABENGO Gorin volta assim às questões da comunicação analisando as relações desta família segundo diferentes ângulos, num estudo sobre palavras e rostos. Como escreveu Kent Jones, “Os filmes americanos de Gorin são produções artesanais que nos falam agora em dois tempos. Três décadas depois e passada uma “revolução digital”, estão entre os mais provocadores artefactos do último momento em que os filmes eram mesmo feitos à mão, e em que, para uma minoria (Gorin, Godard, Glauber Rocha, Jean-Marie Straub e Danièle Huillet, Robert Frank, Yvonne Rainer, Chantal Akerman), o processo tinha a mesma relevância que o produto final”. NUMÉRO DEUX aborda as relações de poder estabelecidas no seio de uma família no interior de um moderno apartamento. Assentando na justaposição e sobreposição de imagens que apelam a uma pluralidade de leituras, é uma experiência única na obra de Jean-Luc Godard, antecipando os seus trabalhos futuros em vídeo. O mestre (Nicholas Ray, por esta altura embrenhado no “experimentalismo” de WE CAN’T GO HOME AGAIN) e o discípulo (Godard) a colocarem-se, ao mesmo tempo e sem que um soubesse do outro, questões formais semelhantes. Ou ainda: o “clássico” e o “moderno” em linhas paralelas na invenção/preparação de um “pós-cinema”. POTO AND CABENGO é apresentado em cópia digital.

NUMÉRO DEUX
NUMÉRO DEUX

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Qui. [15] 14:30

Com a presença de Pedro Costa

O NOSSO HOMEM

de Pedro Costa
com José Alberto Silva, Lucinda Tavares, Alfredo Mendes, Ventura, António Semedo
Portugal, 2010 – 24 min

NIGHT OF THE DEMON

Noite do Demónio
de Jacques Tourneur
com Dana Andrews, Peggy Cummins, Niall MacGinnis
Reino Unido, 1957 – 95 min / legendado em espanhol

THE FACE BEHIND THE MASK

de Jacques Tourneur
com Lyon Wickland, Leonard Penn, Mary Howard, George Sorel
Estados Unidos, 1938 – 10 min / sem legendas

NIGHT CALL

de Jacques Tourneur
com Gladys Cooper, Nora Marlowe, Martine Bartlett
Estados Unidos, 1964 – 25 min / sem legendas

INTO THE NIGHT

de Jacques Tourneur
com Eddie Albert, Ruth Roman, Dane Clark, Robert Armstrong
Estados Unidos, 1955 – 30 min / sem legendas

duração total da projeção: 184 min | M/12
(no final da projeção de NIGHT OF THE DEMON há um intervalo de 15 minutos)

O NOSSO HOMEM: “Eu era um bom pedreiro. Nunca fiz uma parede torta. O meu patrão nunca teve queixa de mim. Um dia, o trabalho acabou. Perdi o emprego. Sem pensão, sem ajudas sociais. Procurei trabalho por todo o lado, mas nada. Já não trazia dinheiro para casa. A Suzete pôs-me na rua”. NIGHT OF THE DEMON é uma das grandes obras-primas de Tourneur e um dos momentos maiores do cinema de terror. O que é admirável neste filme é que tudo, todo o medo, angústia e pânico (e poucos filmes transmitem estas sensações de forma tão eficaz) são dados através da sugestão (as cenas em que se visualiza o demónio foram acrescentadas pelos produtores à revelia do realizador). O argumento anda à volta de um culto satanista que provoca estranhas mortes. O alinhamento da sessão reúne ainda três curtas-metragens, sombrias ou noturnas nos tons de Tourneur. Produzido para a série da MGM “An Historical Mistery”, THE FACE BEHIND THE MASK é uma variação do tema do Máscara de Ferro. NIGHT CALL foi filmado para a antológica série televisiva americana “The Twilight Zone”, livremente baseado num conto de Richard Matheson (Long Distance Call, 1961). Já INTO THE NIGHT foi realizado no contexto da série “General Electric Theater”, seguindo a história de um casal em viagem para Palm Springs que é raptado numa estação de serviço. O NOSSO HOMEM e as curtas-metragens de Tourneur são primeiras exibições na Cinemateca.

NIGHT OF THE DEMON (Noite do Demónio)
NIGHT OF THE DEMON (Noite do Demónio)

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Qui, [15] 18:00

Com a presença de Pedro Costa

CASA DE LAVA

de Pedro Costa
com Inês de Medeiros, Isaach de Bankolé, Edith Scob, Pedro Hestnes
Portugal, França, Alemanha, 1994 – 110 min
legendado em português | M/12

Pedro Costa, revelado alguns anos antes com o fabuloso O SANGUE, confirmou com CASA DE LAVA todas as expectativas criadas por esse primeiro filme (no entanto, completamente diferente). Na paisagem vulcânica de Cabo Verde, filmada como se toda a vida (animal, vegetal ou mineral) tivesse sido coberta por um lençol de cinzas, CASA DE LAVA é outra história de dor e de sangue, vivida por “zombies” e outros seres amaldiçoados que junta, mais uma vez, o par do seu primeiro filme: Inês de Medeiros e Pedro Hestnes. “Esse rastilho [de CASA DE LAVA] ainda não deixou de arder, como sabe quem tem acompanhado essa obra, e como pôde confirmar quem já tiver visto o último filme de Costa, CAVALO DINHEIRO. Mas em 1995 [data de estreia do filme] era inimaginável a consequência que CASA DE LAVA teria, ou a descendência: num certo sentido que não é preciso rebuscar muito, quase o que tudo o que Costa fez entre OSSOS e CAVALO DINHEIRO é um ‘filho’ deste filme” (Luís Miguel Oliveira). A apresentar em nova cópia digital.

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Qui. [15] 22:00

LES YEUX SANS VISAGE

de Georges Franju
com Pierre Brasseur, Alida Valli, Edith Scob
França, 1959 – 87 min / legendado em espanhol | M/12

Um dos melhores filmes fantásticos franceses. Franju recupera o espírito dos grandes filmes em episódios de Louis Feuillade e a sombria poesia dos filmes mudos de Fritz Lang, numa história de terror aparentada com o tema de Frankenstein. Um médico famoso atrai uma série de raparigas para as matar, de forma a aproveitar a pele dos rostos para reconstituir o da filha, desfigurada num acidente. O final é marcado por um onirismo surrealizante, raras vezes visto em cinema.


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Sex. [16] 15:00

PARADE

Parada
de Jacques Tati
com Jacques Tati, Karl Kossmayer, Pierre Bramma, Pia Colombo, Michèle Brabo, Los Argentinos, Hall, Norman e Ladd, Bertilo
França, Suécia, 1973 – 86 min / legendado em português | M/4

Filmado em vídeo e transposto para película, PARADE veio a ser o último filme de Jacques Tati, “o maior cómico francês desde Max Linder”, na opinião de um ilustre crítico. Neste filme crepuscular, Tati abandona a sua personagem de Monsieur Hulot, porque “no circo, todos são Hulot, todos entram na dimensão mágica, lúdica, da vida” (José Navarro de Andrade). A sua personagem é de Monsieur Loyal, papel em que regressa a antigos números de mimo como o jogador de ténis, o pugilista, o cavaleiro ou o pescador.

10-PARADE

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Sex. [16] 17:00

O SANGUE

de Pedro Costa
com Pedro Hestnes, Inês de Medeiros, Nuno Ferreira,
Luís Miguel Cintra, Henrique Viana
Portugal, 1989 – 99 min | M/12

Primeira obra de Pedro Costa, O SANGUE é um perturbante filme marcado por ecos noturnos, captados num preto e branco escuro como a noite em que maioritariamente decorre, para dar a ver os fantasmas que acompanham as personagens dos dois irmãos e da rapariga que a eles se junta. Pedro Hestnes abre o filme num dos mais belos planos do cinema português. “O que gosto em O SANGUE é o sentido da longa noite da infância que abraça tantos filmes e tantos livros americanos (…). Provavelmente o título vem de Flannery O’Connor” (Pedro Costa).

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Sex. [16] 19:00

ENCONTRO COM PEDRO COSTA E RUI CHAFES

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Sex. [16] 22:00

JOURNAL D’UN CURÉ DE CAMPAGNE

“O Diário de um Pároco de Aldeia”
de Robert Bresson
com Claude Laydu, Armand Guibert, Nicole Ladmiral
França, 1951 – 110 min
legendado eletronicamente em português | M/12

JOURNAL D’UN CURÉ D’UN CAMPAGNE, que muitos consideram como a obra-prima de Bresson e foi o filme que consagrou Bresson junto da crítica, é uma adaptação de um romance de Georges Bernanos e uma peça fundamental na definição da estética (e da ética) do cineasta francês. É o filme em que Bresson filma aquilo a que chamou o “realismo interior”, onde o que conta é a pintura dos estados de alma e a exposição, nunca demonstrativa, da angústia do protagonista.

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Sáb. [17] 15:00

DAWN OF THE PLANET OF THE APES

Planeta dos Macacos: A Revolta
de Matt Reeves
com Gary Oldman, Keri Russell, Andy Serkis, Jason Clarke
Estados Unidos, 2014 – 130 min / legendado em português | M/12

DAWN OF THE PLANET OF THE APES decorre dez anos depois dos acontecimentos de PLANETA DOS MACACOS: A ORIGEM (Rupert Wyatt, 2011), que por sua vez precede os eventos narrados no célebre romance de ficção científica de Pierre Boule, adaptado ao cinema por Franklin J. Schaffner, em 1968 ou por Tim Burton, em 2001. Um novo conflito entre macacos geneticamente evoluídos e um grupo de humanos sobreviventes determinará qual a espécie que dominará o Planeta Terra ou se ambas poderão coexistir. Primeira exibição na Cinemateca.

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Sáb. [17] 18:00

PUISSANCE DE LA PAROLE

de Jean-Luc Godard
com Jean Bouise, Lydia Andrei, Jean-Michel Iribarren
França, 1988 – 25 min / legendado eletronicamente em português

CÉZANNE

de Jean-Marie Straub, Danièle Huillet
França, 1989 – 50 min / legendado eletronicamente em português

duração total da projeção: 75 min | M/12

PUISSANCE DE LA PAROLE, um dos vídeos mais famosos de Godard, resultou de uma encomenda da France Télécom. A partir de um texto de Poe sobre o poder das palavras, Godard aborda a perpétua reverberação das nossas palavras no Universo, no que é também uma maneira de abordar a questão das relações entre o Humano e o Divino – tema a que voltaria. CÉZANNE é um dos filmes mais intensamente belos de Straub e Huillet. Sobre alguns quadros de Cézanne, sempre filmados na totalidade da sua superfície, com a moldura, numa parede, ouvimos em off a leitura de trechos dos diálogos de Cézanne e Joachim Gasquet, intercalados com cenas de MADAME BOVARY, de Renoir, e de DAS TOD DES EMPEDOKLES, dos próprios Straub-Huillet. Quinze anos depois, os cineastas seguiriam um princípio semelhante para filmar UNE VISITE AU LOUVRE.

PUISSANCE DE LA PAROLE
PUISSANCE DE LA PAROLE

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Sáb. [17] 19:30

ENCONTRO COM PEDRO COSTA E JOÃO QUEIROZ

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Sáb. [17] 22:00

POEMA O MORE

“O Poema do Mar”
de Iulia Solntseva, Aleksandr Dovjenko
com Zinaida Kirienko, Boris Livanov, Boris Andreiev
URSS, 1958 – 100 min / legendado em francês | M/12

História de uma aldeia ucraniana condenada à submersão pela construção de uma barragem. É a última parte do tríptico previsto por Dovjenko, que a morte impediu de concretizar, depois de feita a planificação e a escolha dos lugares das filmagens. Seria a sua mulher a filmar POEMA O MORE, o que esteve na origem de uma polémica: “pela primeira vez na história do cinema estamos perante um filme póstumo” (Fereydoun Hoveyda); “os filmes realizados com base em Dovjenko não são dele” (Barthélemy Amengual).

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Seg. [19] 14:00

THE SOUND OF JAZZ

de Jack Smight
com Count Basie, Billie Holiday, Coleman Hawkins, Thelonious Monk, Red Allen, Jimmy Giuffre
Estados Unidos, 1957 – 54 min / sem legendas

NIGHTFALL

Ao Cair da Noite
de Jacques Tourneur
com Aldo Ray, Anne Bancroft, Brian Keith, James Gregory,
Jocelyn Brando
Estados Unidos, 1957 – 78 min
legendado eletronicamente em português

duração total da projeção: 132 min | M/12
(entre a projeção dos dois filmes há um intervalo de 15 minutos)

Emissão de televisão americana da CBS registada em 1957 sob o título genérico THE SOUND OF JAZZ (de que já mostrámos na Cinemateca um excerto de oito minutos sob o título BILLIE HOLIDAY SINGS FINE AND MELLOW), talvez o registo fílmico que melhor conseguiu captar todo o génio e força desse ser inclassificável e portentoso que Billie Holiday foi (Holiday morreria dois anos depois), mas que não fica atrás no registo do trabalho dos outros grandes mestres de então. A primeira emissão ocorreu a 8 de dezembro desse ano. Em NIGHTFALL, o notável trabalho do diretor de fotografia Burnett Guffey alia-se a uma ardiloso flashback num admirável thriller assinado por Tourneur a partir de um romance de David Goodis. NIGHTFALL assinala o regresso do realizador a um tema desenvolvido no mais famoso OUT OF THE PAST (1947). Aqui, Aldo Ray é um homem assombrado pelo seu passado que procura recuperar a memória, sem conseguir compreender plenamente como certos acontecimentos inesperados o conduziram a uma intrincada situação presente, em que é simultaneamente perseguido por vários gangsters e pela lei.

THE SOUND OF JAZZ
THE SOUND OF JAZZ

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Seg. [19] 18:00

Com a presença de Pedro Costa

NE CHANGE RIEN

de Pedro Costa
com Jeanne Balibar, Rodolphe Burger
Portugal, 2009 – 97 min / legendado em português | M/12

“Ne Change Rien, pour que tout soit different”. A frase é de Jean-Luc Godard, que com ela abre as HISTOIRE(S) DU CINÉMA. Pedro Costa foi buscar-lhe o princípio para título do seu filme com Jeanne Balibar, intérprete de um tema também assim chamado. Atriz e cantora, Balibar é filmada em trabalho, em ensaios (Peine Perdue, Ton Diable), sessões de gravação (Ne Change Rien), concertos rock (Torture, Johnny Guitar), aulas de canto lírico, em palco (La Périchole). Num magistral preto e branco, é um filme chiaroescuro e um filme de câmara. Com canções.

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Seg. [19] 22:00

DAÏNAH LA MÉTISSE

de Jean Grémillon
com Laurence Clavius, Charles Vanel, Habib Benglia
França, 1931 – 50 min / legendado eletronicamente em português

VINYL

de Andy Warhol
com Gerard Malanga, Tosh Carillo, John MacDermott, Robert Filippo, Edie Sedgwick
Estados Unidos, 1965 – 64 min
legendado eletronicamente em português

duração total da projeção: 114 min | M/12
(entre a projeção dos dois filmes há um intervalo de 15 minutos)

O grande Jean Grémillon foi um “realizador maldito” e um dos mais malditos dos seus filmes foi precisamente DAÏNAH LA MÉTISSE, que à época foi remontado contra a vontade do realizador e encurtado em quase meia hora, ficando truncado para sempre. Ainda assim, o que sobrou forma um filme extraordinário, todo ele passado a bordo de um transatlântico, tendo como elegantes protagonistas um par de negros e culminando num baile de máscaras que parece inverter todos os clichés raciais. Mítico filme de Andy Warhol em que se destacam as presenças de Edie Sedgwick e Gerard Malanga, VINYL apresenta-se como uma “adaptação” totalmente livre de A Clockwork Orange, de Anthony Burgess, livro que Kubrick iria trabalhar uns anos depois. Filmado a preto e branco em longos planos fixos, VINYL é atravessado pelas “estrelas” da Factory que dançam, fumam ou deambulam num espaço fechado, terminando numa sequência com algum sadismo. Uma experiência arrojada em cuja banda sonora encontramos The Kinks, Rolling Stones ou os The Isley Brothers.

VINYL
VINYL

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Ter. [20] 14:00

JEAN RENOIR, LE PATRON
1 – LA RECHERCHE DU RÉLATIF

de Jacques Rivette
com Jean Renoir, Charles Blavette, Pierre Braunberger, Marcel Dalio, Jacques Rivette, Catherine Rouvel, Michel Simon
França, 1967 – 94 min / legendado eletronicamente em português

JEAN RENOIR LE PATRON
3 – LA RÉGLE ET L’EXCEPTION

de Jacques Rivette
com Jean Renoir, Charles Blavette, Pierre Braunberger, Marcel Dalio, Jacques Rivette, Catherine Rouvel, Michel Simon
França, 1967 – 95min / legendado eletronicamente em português

duração total da projeção: 189 min | M/12

Jacques Rivette foi o realizador convidado a realizar o filme referente a Jean Renoir na ambiciosa e rara série “Cinéastes de Notre Temps”. Num sinal da importância de Renoir (“le patron”) para o cinema francês contemporâneo, e muito em particular para os cineastas da Nouvelle Vague, em vez de um episódio, como era normal para cada realizador evocado, fizeram-se três. Ao longo desses três episódios, ou desses três filmes, Rivette dialoga e faz dialogar o próprio Renoir, evidentemente, mas também velhos companheiros do cineasta como Michel Simon ou Marcel Dalio. Vamos ver dois deles: LA RECHERCHE DU RÉLATIF evoca a carreira de Renoir e em particular NANA e LA BÊTE HUMAINE, sendo pontuado por excertos de filmes do período francês de Renoir. LA RÉGLE ET L’EXCEPTION, o terceiro episódio, toma a forma de uma “sessão especial” em que Renoir comenta sequências e analisa personagens de LA RÈGLE DU JEU e LA MARSEILLAISE numa grande lição de cinema. MICHEL SIMON, LA DIRECTION D’ACTEUR, é apresentado em cópia digital.

JEAN RENOIR LE PATRON 3 – LA RÉGLE ET L’EXCEPTION
JEAN RENOIR LE PATRON 3 – LA RÉGLE ET L’EXCEPTION

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Ter. [20] 18:00

PAULO ROCHA SOBRE A ILHA DOS AMORES

Portugal, 2005 – 60 min

A ILHA DE MORAES

de Paulo Rocha
com Eiki Matsumura, Jakucho Setuchi, Armando Martins Janeira, Adelaide Moraes Costa
Portugal, 1984 – 98 min / legendado em português

duração total da projeção: 158 min | M/12

A sessão abre com uma conversa entre Pedro Costa e Paulo Rocha sobre o filme A ILHA DOS AMORES numa gravação áudio registada por Pedro Costa. Paulo Rocha voltou ao escritor Wenceslau de Moraes depois de A ILHA DOS AMORES, filme com que A ILHA DE MORAES estabelece um diálogo íntimo. Para filmar a vida e obra do escritor português que viveu no Extremo Oriente, Paulo Rocha filmou documentos e lugares vividos pelo escritor, confrontando-os com os textos de Moraes e com o seu A ILHA DOS AMORES. Este é talvez um dos filmes mais pessoais de Paulo Rocha e aquele onde ele leva mais longe a sua intensa admiração pelo Japão.

A ILHA DE MORAES
A ILHA DE MORAES

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Ter. [20] 22:00

A ILHA DOS AMORES

de Paulo Rocha
com Luís Miguel Cintra, Clara Joana, Zita Duarte, Jorge Silva Melo, Paulo Rocha, Yoshiko Mita
Portugal, 1982 – 169 min
falado em português e japonês com legendas em português | M/12

Primeira produção Suma Filmes (fundada por Rocha, produtora ou coprodutora de quase todos os seus filmes), A ILHA DOS AMORES, cujo primeiro projeto foi apresentado à Gulbenkian em 1972, foi filmado em Portugal e no Japão quase dez anos depois de A POUSADA DAS CHAGAS, longamente preparado durante os anos em que Paulo Rocha foi adido cultural da embaixada de Portugal em Tóquio (1975-1984). Film fleuve, compõe-se em nove cantos e é um filme inspirado na vida e obra do escritor Wenceslau de Moraes, que saiu de Portugal nos finais do século XIX para buscar no Japão uma “arte de viver” que conciliasse o material e o espiritual. Uma das obras mais arriscadas do cinema português, em que o trabalho de mise en scène é sobretudo realizado no interior dos próprios planos. “Cantos de Os Lusíadas, de Pound, de Chu Yuan (…) Era um pouco megalómano: juntar todas as culturas, todas as artes, todos os estilos, todas as línguas. Mas lá estavam o Moraes e a Ko-Háru, o gato e o pássaro de O-Yoné, o pintor impotente, para darem humanidade ao décor excessivo” (Paulo Rocha). Estreou mundialmente no festival de cinema de Cannes, estreando no circuito comercial português apenas em 1991 no contexto de uma “Operação Paulo Rocha”, numa iniciativa de Paulo Branco. Teve um assinalável êxito no Japão, onde foi descrito como “a unificação da memória coletiva da humanidade”.

21-A ILHA DOS AMORES

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Qua. [21] 14:00

TRI PESNI O LENINE

“Três Canções sobre Lenine”
de Dziga Vertov
URSS, 1934 – 61 min / mudo, intertítulos em russo, legendados eletronicamente em português – versão sonora

LISTEN TO BRITAIN

de Humphrey Jennings, Stewart McAllister
Reino Unido, 1942 – 20 min / legendado em português

THE SILENT VILLAGE

de Humphrey Jennings
Reino Unido, 1943 – 36 min
legendado eletronicamente em português

duração total da projeção: 117 min | M/12

Em 1922, Vertov, no auge do fervor revolucionário, inaugurou a famosa série dos Kino-Pravda (vinte e três “jornais de atualidades”, estreados entre 1922 e 1925). “Captar a vida tal como ela é”, “agarrá-la de improviso”, “ignorar os atores”, “recusar os estúdios”. Mas este programa, a que Maiakovski também aderiu, começou a ser combatido pelo Partido precisamente no ano fatídico de 1926, o ano em que Estaline confirmou o seu poder e em que Trotsky e Kamenev foram expulsos do Comité Central. Vertov procurou alguma liberdade na Ucrânia mas não mais o largaram as acusações de formalismo. “TRÊS CANÇÕES SOBRE LENINE” foi o apogeu e o fim da sua carreira. Deram-lhe a Ordem da Bandeira Vermelha, mas impuseram-lhe o ostracismo. Se uniu o cinema à rádio e o olhar ao ouvido, como alguns disseram, não o deixaram mais nem ver nem ouvir. Ficou um grande clássico do cinema, mas também um filme maldito. Vertov fez igualmente uma versão muda, em 1935, para poder projetar o filme nas vilas e aldeias onde o sonoro ainda não tinha chegado. Nela, havia novos episódios e alterações de montagem. Essa versão foi proibida e durante muito tempo considerou-se perdida. Reapareceu depois do fim da URSS (a Cinemateca exibiu-a pela primeira vez em 1993). A sessão prossegue com dois filmes de Humphrey Jennings (1907-1950), um dos mais relevantes cineastas europeus do seu tempo. Esteve ligado ao movimento surrealista e notabilizou-se na realização de documentários, tendo integrado a unidade de produção cinematográfica dos correios ingleses (GPO-General Post Office) em 1934. LISTEN TO BRITAIN é um dos melhores exemplos do tipo de montagem associativa praticado por Jennings (que nesta obra credita mesmo como correalizador o seu montador habitual, Stewart McAllister). Sem comentário em off, é a própria sucessão estruturada de imagens e sobretudo de sons que produz uma evocação extraordinariamente poética da vida quotidiana no Reino Unido durante a II Guerra, procurando mostrar, subtilmente, como a luta na retaguarda inglesa se fazia praticando um quotidiano o mais “normal” possível. Filme de propaganda composto como de reconstituição dramática (o aniquilamento da população da aldeia checa de Lidice, depois da recusa em denunciar o autor do atentado que que matou Reinhard Heydrich, é recriado numa pequena aldeia mineira do País de Gales, com os seus habitantes como protagonistas), THE SILENT VILLAGE foi produzido feito pela Crown Film Unit e assinado por Jennings. “Entre tudo o que o filme tem de notável, chamaríamos a atenção para a verdadeiramente extraordinária encenação ‘incorpórea’ do nazismo: apenas uma voz que tanto vem da telefonia (uma telefonia que quase jurávamos que Jennings foi buscar a Lang) como dos altifalantes montados nos carros de combate alemães, enquadrados em planos de ângulos surpreendentes, em absoluto e desumano contraste com a história de humanidade acossada que essa mesma voz desencadeia” (Luís Miguel Oliveira). THE SILENT VILLAGE é apresentado em cópia digital.

TRI PESNI O LENINE ("Três Canções sobre Lenine")
TRI PESNI O LENINE (“Três Canções sobre Lenine”)

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Qua. [21] 16:00

BLACK AND TAN

de Dudley Murphy
com Duke Ellington, Arthur Whetsol, Fredi Washington, Lovejoy
Estados Unidos, 1929 – 19 minutos / sem legendas

SHAKE!: OTIS AT MONTEREY

de D. A. Pennebaker
com Otis Redding, Booker T. & the M.G.s, Steve Cropper
Estados Unidos, 1986 – 19 minutos / sem legendas

RIGHT ON!

de Herbert Danska
com The Original Last Poets (Gylan Kain, Felipe Luciano,
David Nelson)
Estados Unidos, 1970 – 78 min / sem legendas

duração total da projeção: 116 min | M/12

No princípio do cinema sonoro, Duke Ellington obtinha o seu primeiro papel no cinema sob a sua própria alcunha, “Duke”, o que atesta a popularidade que já alcançara como músico. Desta parábola sobre o reconhecimento da cultura afro-americana inteiramente protagonizado por negros – e contemporânea do bem mais célebre HALLELUJAH, de King Vidor – destaca-se o número musical final: o magnífico sapateado sobre um chão de espelhos. Mostrado na Cinemateca no Centenário de Duke Ellington em 1999, BLACK AND TAN é uma preciosidade. SHAKE!: OTIS AT MONTEREY é um registo da mítica “performance” de Otis Redding no Monterey Pop Festival a 17 de junho de 1967, que contou uma das mais famosas interpretações “Shake” por parte do “rei do soul”. Um festival que estaria na origem do filme MONTEREY POP (Pennebaker, 1968), e que para além da presença de Otis Redding correspondeu à primeira apresentação nos Estados Unidos de Jimi Hendrix. RIGHT ON! acompanha os The Last Poets na sua poesia revolucionária e performances musicais pelos telhados do Harlem, em Nova Iorque. Percursores da revolução da cultura musical e uma das grandes influências do hip-hop, o filme que os retrata surge assim como um convincente testemunho do sentimento da comunidade negra através do contributo de tantos poetas e músicos que emergiram do African-American civil rights movement e do black nationalist movement no final da década de sessenta. RIGHT ON! foi descrito pelos seu produtor Woodie King, Jr., como “o primeiro filme inteiramente negro”, “não fazendo quaisquer concessões em termos de linguagem ou simbolismo para com as audiências brancas. “Poetry is black” é um das frases que mais sobressai da sua fortíssima banda sonora. Os dois últimos filmes são primeiras exibições na Cinemateca.

BLACK AND TAN
BLACK AND TAN

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Qua. [21] 22:00

TOUTE UNE NUIT

de Chantal Akerman
com Aurore Clément, Samy Szlingerbaum, Natalia Akerman,
Simon Zalewski
Bélgica, França, 1982 – 90 min
legendado eletronicamente em português | M/12

TOUTE UNE NUIT segue um conjunto de indivíduos e de casais no desenrolar do seu quotidiano. Através de uma narrativa ficcional fragmentada e de diálogos minimais, Akerman trata alguns dos mais importantes aspectos das relações humanas: a paixão, o humor, a rejeição, etc. Como escreveu Serge Daney “A noite é mais longa que o desejo, a câmara é mais paciente que a noite, a cidade desperta.”

24-TOUTE UNE NUIT

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Qui. [22] 15:00

LAST DAYS

Last Days – Últimos Dias
de Gus Van Sant
com Michael Pitt, Lukas Haas, Aia Argento, Scott Patrick Green
Estados Unidos, 2004 – 96 min / legendada em português | M/12

Em LAST DAYS, Gus Van Sant ficciona os últimos dias de Kurt Cobain, vocalista dos Nirvana, ícone da música pop. A personagem de Michael Pitt chama-se Blake e é um jovem músico talentoso e introspetivo que se refugia numa casa no meio de um bosque onde passa os seus últimos dias de existência. A sinopse original refere o filme como uma “meditação sobre demónios interiores” e Blake como “um fugitivo da sua própria vida”.

25-LAST DAYS

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Qui. [22] 18:00

Com a presença de Pedro Costa

OSSOS

de Pedro Costa
com Nuno Vaz, Maria Lipkina, Isabel Ruth
Portugal, 1997 – 94 min | M/12

A terceira longa-metragem de Pedro Costa centra-se em personagens que habitam o então existente Bairro das Fontainhas nos arredores de Lisboa. “Muito mais do que uma estocada na má consciência burguesa, OSSOS é um filme que a transforma numa parada de ‘zombies’, de ‘mortos em licença’ e o bairro é, aqui, todo o mundo” (Luís Miguel Oliveira).

26-OSSOS

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Qui. [22] 22:00

LIBERTÉ, LA NUIT

de Phlippe Garrel
com Emmanuelle Riva, Maurice Garrel, Christine Boisson,
László Szabó
França, 1983 – 82 min
legendado eletronicamente em português | M/12

LIBERTÉ, LA NUIT decorre durante a guerra da Argélia. Após muitos anos de vida em comum um casal enfrenta a separação. Ele é professor e experimenta um amor fugaz por uma jovem argelina, ela dedica-se à costura. Sem que um e outro saibam, ambos se envolvem com a Frente da Libertação Nacional. Um filme belíssimo com um forte contexto político que não pôde ser exibido na retrospetiva que dedicámos a Garrel e que é agora mostrado em primeira exibição na Cinemateca.

27-LIBERTE LA NUIT

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Sex. [23] 16:00

NO QUARTO DA VANDA

de Pedro Costa
com Vanda Duarte, Zita Duarte
Portugal, 2000 – 177 min | M/18

NO QUARTO DA VANDA é uma extraordinária experiência de cinema, absolutamente ímpar no panorama do cinema mundial. Reencontro com lugares e personagens de OSSOS (em especial a protagonista, Vanda Duarte), NO QUARTO DA VANDA foge da ficção tanto quanto foge do documentário para se instalar num território inventado por si, feito de luz, de carne e de pedra. Foi também o filme em que Pedro Costa reinventou a sua maneira de estar no cinema, filmando pela primeira vez em digital e, praticamente, sozinho.

28-NO QUARTO DA VANDA

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Sex. [23] 19:00

ENCONTRO COM PEDRO COSTA E PAULO NOZOLINO – COM A PROJEÇÃO DE SANYU

SANYU

de Robert Frank
Estados Unidos, 1999 – 27 min / sem legendas | M/12

Um filme de Robert Frank marcado pela sua habitual dimensão autobiográfica. No centro de SANYU está Chang Yu (1901-1966), artista chinês conhecido em França como Sanyu, amigo de Frank desde o final dos anos quarenta, altura em que foram companheiros de atelier. Enquanto viaja para Taipei para assistir a um leilão das pinturas do seu amigo já falecido, Frank questiona-se sobre a natureza do sucesso e sobre o seu caráter tardio face às dificuldades atravessadas por Chang Yu em vida. Um dos filmes mais nostálgicos do cineasta que reflete sobre a impessoalidade do mundo na arte. SANYU conta com a colaboração de Paulo Nozolino na fotografia.

Sanyu e Robert Frank (Fotografia: Robert Frank)
Sanyu e Robert Frank (Fotografia: Robert Frank)

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Sex. [23] 22:00

CLUNY BROWN

O Pecado de Cluny Brown
de Ernst Lubitsch
com Jennifer Jones, Charles Boyer, Richard Haydn, Peter Lawford, Una O’Connor
Estados Unidos, 1946 – 100 min / legendado em português | M/12

O último filme de Ernst Lubitsch (o realizador morreu durante a rodagem do seguinte, THAT LADY IN ERMINE, que foi completado por Otto Preminger) é uma obra corrosiva sobre uma jovem canalizadora que, por via da profissão, conhece um escritor polaco por quem se apaixona. Os tradutores portugueses que acrescentaram o “pecado” ao título lá teriam as suas razões. “A entrada desta [Clunny Brown] em casa dos patrões é um dos momentos mais admiráveis do filme, e, provavelmente, poucas obras, mesmo em parâmetros ideológicos que Lubitsch não tinha, nos terão dito tanto sobre o estatuto e relações de classes. […]E quando finalmente Cluny Brown revela ao que vem, a impercetível mudança (mas para ela decisiva) explica, finalmente, pela sua classe, o seu mistério, que é fundamentalmente o mistério do prazer. […] este é o filme de Lubitsch em que a câmara menos se move e em que o vazio ocupa mais lugar. Cineasta tão ligado ao prazer e à carne, é sintomático que tenha terminado filmando o tabu desse prazer e dessa carne, ou o grande escândalo – o pecado – da sua jamais pacífica coexistência” (João Bénard da Costa).

30-CLUNY BROWN

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Sáb. [24] 15:00

GREED

Aves de Rapina
de Erich von Stroheim
com Gibson Rowland, ZaSu Pitts, Jean Hersholt
Estados Unidos, 1924 – 130 min
mudo, intertítulos em inglês, legendados em português

UNDERWORLD

Vidas Tenebrosas
de Josef von Sternberg
com George Bancroft, Clive Brook, Evelyn Brent, Larry Semon,
Fred Kholer
Estados Unidos, 1927 – 81 min / mudo, intertítulos em inglês, legendados eletronicamente em português

duração total da projeção: 211 min | M/12
(entre a projeção dos dois filmes há um intervalo de 15 minutos)

Com Murnau e Stiller, Stroheim é o único grande mestre do cinema que trabalhou apenas durante o período mudo. E só realizou obras-primas. GREED, que foi ocasião de uma das grandes guerras entre Stroheim e os produtores, retoma os grandes temas do realizador para fazer o retrato impiedoso de um mundo movido pela alcova e pelo dinheiro. O realismo “barroco” de Stroheim, a forma como a acumulação de sinais naturalistas acaba por conduzir a um delírio (também) figurativo, fulgurantemente presente em GREED, faz deste filme o cume da arte “maldita” de um dos mais radicais cineastas que alguma vez trabalhou em Hollywood. Um dos pontos altos do cinema mudo americano, com argumento de Ben Hecht, UNDERWORLD foi o primeiro grande filme de gangsters da história do cinema, que influenciou todo o género. Bancroft é um gangster brutal, que se torna amigo do futuro cérebro de um gang e rival no amor de uma mulher. A realização tem todo o requinte que caracteriza a arte de Sternberg, um cineasta que, como observou Howard Hawks, “leva um pequeno nada às dimensões de uma grande situação”.

GREED (Aves de Rapina)
GREED (Aves de Rapina)

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Sáb. [24] 21:00

UMARETE WA MITA KEREDO

“Nasci, Mas…”
de Yasujiro Ozu
com Hideo Sugawara, Tokkan Kozo, Tatsuo Saito
Japão, 1932 – 91 min
mudo, intertitulos em japonês, narrados em francês e legendados eletronicamente em português

THE INCREDIBLE SHRINKING MAN

Sentenciado
de Jack Arnold
com Grant Williams, Randy Stewart, April Kent
Estados Unidos, 1957 – 81 min / legendado em espanhol

duração total da projeção: 172 min | M/12
(entre a projeção dos dois filmes há um intervalo de 15 minutos)

“NASCI, MAS…” é considerado como o primeiro dos grandes filmes de Yasujiro Ozu. Para Donald Richie é “a primeira vez que o cineasta combinou na perfeição todos os elementos que caracterizam o seu estilo”. História trágico-cómica sobre a relação entre um homem e os seus dois filhos, que não percebem por que motivo tem o pai de agir com tanta subserviência perante o patrão. O filme é realizado num estilo extremamente depurado, mas ainda longe do despojamento absoluto que caracterizaria a fase final do cinema do mestre japonês (1949-62). THE INCREDIBLE SHRINKING MAN é uma das obras-primas da ficção científica dos anos cinquenta, com notáveis efeitos especiais e um clima de angústia raras vezes alcançado no género. Um homem é exposto a uma nuvem radioativa e descobre que vai “encolhendo” a pouco e pouco. Cada vez mais pequeno, acaba por ter de lutar pela vida, enfrentando primeiro um gato e, depois, uma aranha, até “desaparecer” no “infinitamente pequeno”.

UMARETE WA MITA KEREDO (“Nasci, Mas…”)
UMARETE WA MITA KEREDO (“Nasci, Mas…”)

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Seg. [26] 15:00

EADWEARD MUYBRIDGE, ZOOPRAXOGRAPHER

de Thom Andersen
Estados Unidos, 1975 – 59 min / sem legendas | M/12

Documentário sobre as origens do cinema e sobre um dos seus grandes precursores, Eadweard Muybridge (1839-1904), o inventor do zoopraxiscópio. O filme do conhecido realizador, crítico e professor norte-americano, autor de documentários como LOS ANGELES PLAYS ITSELF (2003), RED HOLLYWOOD (1996) ou mais recentemente RECONVERSÃO (2012, sobre o trabalho do arquiteto Eduardo Souto Moura) centra-se nos magníficos estudos do movimento humano e do movimento animal fotografados por Muybridge com as suas múltiplas câmaras, que são intercalados com sequências que abordam a sua biografia e os desafios com que se deparou. A apresentar em cópia digital, em primeira exibição na Cinemateca.

33-EADWEARD MUYBRIDGE, ZOOPRAXOGRAPHER

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Sex. [26] 17:00

HE FENGMING

de Wang Bing
com He Fengming
China, 2010 – 184 min / legendado em inglês | M/12

No seu apartamento, He Fengming recorda o passado ao longo de várias horas. As suas memórias fazem-nos recuar até à revolução de 1949, ponto de partida de uma história de vida prodigiosa que se confunde com a própria história da China comunista. Wang Bing conheceu He Fengming em 1995 quando preparava outro filme, mas só mais tarde descobriu a verdadeira dimensão da sua “história” através do seu livro A Minha Vida em 1957. À semelhança de Eustache em NUMÈRO ZÉRO, adotando um dispositivo muito simples, Wang Bing segue o fluxo da palavra de He Fengming, que recorda a sua passagem pelos campos chineses de reeducação, os trabalhos forçados, a morte do marido.

34-HE FENGMING

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Seg. [26] 22:00

NUMÉRO ZÉRO

de Jean Eustache
com Odette Robert, Jean Eustache, Boris Eustache
França, 1971 – 111 min / legendado em português | M/12

Filmado em 1971, NUMÉRO ZÉRO permaneceu inédito até 2003, quando foi mostrado pela primeira vez, em Lisboa, na Cinemateca, e estreou comercialmente em França. Antes, circulou apenas em versão reduzida (54’): “simples restos de NUMÉRO ZÉRO”, “uma anomalia” segundo Eustache. Foi difundido pela televisão sob o título ODETTE ROBERT (pela primeira vez em agosto de 1980, em França na série “Grands-mères”) e visto mais tarde em retrospetivas da obra de Eustache. Até que todo o material foi reencontrado e reunido por Boris Eustache, filho do realizador, tendo o restauro sido feito na Cinemateca. NUMÉRO ZÉRO consiste numa longa conversa entre o realizador e a sua avó, Odette Robert, filmada em tempo real, com duas câmaras 16mm, apenas com os cortes impostos pela duração das bobines.

35-NUMERO ZERO

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Ter. [27] 15:00

SPIONE

Espiões
de Fritz Lang
com Rudolph Klein-Rogge, Gerda Maurus, Willy Fritsch, Lupu Pick, Fritz Rasp
Alemanha, 1928 – 178 min / mudo, intertítulos em alemão traduzidos eletronicamente em português

PARIS NOUS APPARTIENT

de Jacques Rivette
com Betty Schneider, Gianni Esposito, Françoise Prévost,
Jean-Claude Brialy
França, 1958 – 135 min / legendado eletronicamente em português

duração total da projeção: 313 min | M/12
(entre a projeção dos dois filmes há um intervalo de 30 minutos)

SPIONE é uma das muitas incursões de Fritz Lang nos anos vinte no universo folhetinesco, de que também é exemplo DR. MABUSE DER SPIELER. Um dos momentos mais impressionantes do filme inspira-se num caso real, que tivera lugar poucos anos antes: o ataque da Scotland Yard à sede de uma organização anarquista em Londres, cheio de peripécias rocambolescas, com que Lang e Thea Von Harbou culminam esta nova digressão por uma Alemanha em crise, onde um supercriminoso dirige uma organização que quer controlar o mundo. PARIS NOUS APPARTIENT, a primeira longa-metragem de Jacques Rivette contém já vários temas da obra futura do autor de L’AMOUR FOU: o gosto pelo “folhetim”, com as “sociedades secretas”, intrigas e conspirações, numa sucessão labiríntica onde não é raro o espectador confundir-se. Mas aqui, nesta história de um segredo que se esconde atrás da morte de um homem, e no mundo do teatro em que os outros circulam, “o suspense reside mais no confronto das personagens, na criação de uma atmosfera… do que na progressão de uma intriga” (Bertrand Tavernier).

SPIONE (Espiões)
SPIONE (Espiões)

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Ter. [27] 22:00

THE SEVENTH VICTIM

de Mark Robson
com Kim Hunter, Tom Conway, Jean Brooks, Isabel Jewell
Estados Unidos, 1943 – 71 min
legendado eletronicamente em português

THE NARROW MARGIN

Forças Secretas
de Richard Fleischer
com Charles McGraw, Marie Windsor, Jacqueline White
Estados Unidos, 1952 – 70 min
legendado eletronicamente em português

duração total da projeção: 115 min | M/12
(entre a projeção dos dois filmes há um intervalo de 30 minutos)

Produzido por Val Lewton este é um dos grandes “clássicos” da série B, que Mark Robson realizou para a RKO. O filme centra-se na busca de uma jovem (Kim Hunter, na sua estreia no cinema), que procura a irmã, desaparecida na cidade de Nova Iorque, confrontando-se com uma seita satânica e com uma série de outras obscuras personagens. Entre as muitas afinidades com CAT PEOPLE (Jacques Tourneur, 1942), de que Robson foi montador, ambos os filmes partilham uma personagem: o psiquiatra Dr. Judd, interpretado por Tom Conway. THE NARROW MARGIN é um dos grandes thrillers americanos dos anos cinquenta, realizado por Fleischer a partir de um argumento de Earl Felton, baseado numa história não publicada de Martin Goldsmith e Jack Leonard. Decorre quase integralmente num comboio, onde um agente da polícia transporta e protege a viúva de um gangster para que ela possa testemunhar contra o sindicato do crime, enquanto vários assassinos procuram identificar o alvo. THE SEVENTH VICTIM é uma primeira exibição na Cinemateca.

THE SEVENTH VICTIM
THE SEVENTH VICTIM

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Qua. [28] 14:00

TVA MÄNNISKOR

“Dois Seres”
de Carl Th. Dreyer
com Georg Rydeberg, Wanda Rothgardt, Gabriel Alw, Stigh Olin
Suécia, 1944 – 78 min / legendado eletronicamente em português

M/OTHER

de Nobuhiro Suwa
com Tomokazu Miura, Makiko Watanabe, Ryudai Tatkahashi
Japão, 1999 – 147 min / legendado eletronicamente em português

duração total da projeção: 225 min | M/12
(entre a projeção dos dois filmes há um intervalo de 15 minutos)

“DOIS SERES” é hoje um título pouco conhecido e, na opinião de muitos, injustamente menosprezado na obra de Dreyer, que nunca o defendeu muito, talvez porque os protagonistas não foram as suas primeiras escolhas. Filmado na Suécia a partir de uma peça do dramaturgo alemão W.O. Somin (Attentat), “DOIS SERES” interessou a Dreyer pela situação de absoluta unidade de tempo já que toda a ação decorre, entre um casal, num apartamento de Estocolmo. Em M/OTHER, é através das transformações que uma criança introduz no quotidiano de um casal que Nobuhiro Suwa regressa a um dos seus temas favoritos. Tetsuo vive com a sua companheira Aki e subitamente é avisado que terá de tomar conta do seu filho de oito anos enquanto a ex-mulher recupera de um acidente. Na sua observação das fraturas introduzidas neste microcosmos familiar, Suwa lança um olhar acutilante sobre a sociedade contemporânea japonesa em que uma jovem se confronta com o súbito papel de “mãe”, que abala a sua vida profissional e pessoal. Como habitual, a mise en scène de Suwa revela-se sóbria e extremamente apurada. Um filme poderosíssimo em primeira exibição na Cinemateca.

TVA MÄNNISKOR (“Dois Seres”)
TVA MÄNNISKOR (“Dois Seres”)

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Qua. [28] 22:00

MIDAREGUMO

“Nuvens Dispersas”
de Mikio Naruse
com Yuzo Kayama, Yoko Tsukasa, Mitsuko Kusabue, Mitsuko Mori
Japão, 1967 – 108 min
legendado eletronicamente em português | M/12

O último Naruse, no CinemaScope caraterístico de muitos dos seus filmes, detém-se na personagem de uma jovem mulher grávida, assombrada pela morte do marido num acidente de automóvel que a princípio recusa perdoar o condutor do veículo, mas que vê a sua relação com este último mudar depois de os dois se encontrarem por coincidência em Hokkaido. Conto de um amor impossível, MIDAREGUMO é um dos filmes fundamentais de Mikio Naruse. “Se há ponto sempre sublinhado a propósito do cinema de Naruse é o seu profundo pessimismo, uma atmosfera melancólica de perda sem remissão (‘Desde muito novo que disse a mim próprio que o mundo em que vivemos nos traía; e é este o pensamento que me ficou’)” (Maria João Madeira). MIDAREGUMO é apresentado em cópia digital.

39-MIDAREGUMO

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Qui. [29] 16:00

THE SHAMROCK HANDICAP

de John Ford
com Janet Gaynor, Leslie Fenton, Willard Louis, J. Farrell MacDonald
Estados Unidos, 1926 – 66 min / mudo, intertítulos em inglês

UNDER CAPRICORN

Sob o Signo de Capricórnio
de Alfred Hitchcock
com Ingrid Bergman, Joseph Cotten, Michael Wilding,
Margaret Leighton, Cecil Parker
Estados Unidos, 1949 – 115 min / legendado em português

duração total da projeção: 181 min | M/12

Mostrado uma única vez na Cinemateca no Ciclo John Ford em 1984, THE SHAMROCK HANDICAP é uma obra-prima do cinema de Ford e do cinema mudo. À semelhança do mais tardio e mais famoso, THE QUIET MAN, THE SHAMROCK HANDICAP revela-se um filme pioneiro na revelação da herança irlandesa do realizador. Neil Ross (Leslie Fenton) é um talentoso jockey que parte para os Estados Unidos, deixando para trás o seu romance com Janet Gaynor e a sua vida na Irlanda, mas o seu futuro ficará subitamente comprometido por uma queda numa corrida. Já aqui Ford se dedicava a uma cuidadosa reconstituição dos modos de vida e dos costumes, tanto da Irlanda, como dos Estados Unidos, que iriam marcar todo o seu cinema. UNDER CAPRICORN é um dos filmes mais discutidos de Hitchcock, que nele leva a cabo outra experiência notável no uso do plano-sequência (depois de ROPE), e que aqui tem uma genial aplicação na sequência da confissão de Ingrid Bergman, num grande plano que dura quase dez minutos. Tendo por cenário a Austrália do século XIX, que era também um local de degredo para condenados pela lei, UNDER CAPRICORN é uma admirável história de amor, de culpa e de redenção, fotografada com mão de mestre por Jack Cardiff. THE SHAMROCK HANDICAP é apresentado em cópia digital.

UNDER CAPRICORN (Sob o Signo de Capricórnio)
UNDER CAPRICORN (Sob o Signo de Capricórnio)

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Qui. [29] 21:00
Sáb. [31] 22:00

A sessão do dia 29 terá a presença de Pedro Costa, Leonardo Simões, Olivier Blanc

CAVALO DINHEIRO

de Pedro Costa
com Ventura, Vitalina Varela, Tito Furtado, Antonio Santos
Portugal, 2014 – 104 min / legendado em português | M/12

NO QUARTO DA VANDA é uma extraordinária experiência de cinema, absolutamente ímpar no panorama do cinema mundial. Reencontro com lugares e personagens de OSSOS (em especial a protagonista, Vanda Duarte), NO QUARTO DA VANDA foge da ficção tanto quanto foge do documentário para se instalar num território inventado por si, feito de luz, de carne e de pedra. Foi também o filme em que Pedro Costa reinventou a sua maneira de estar no cinema, filmando pela primeira vez em digital e, praticamente, sozinho.

41-CAVALO DINHEIRO

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Sex. [30] 14:00

PETIT À PETIT

de Jean Rouch
com Damouré Zika, Lam Ibrahim Dia, Safi Faye
França, 1971 – 230 min
legendado eletronicamente em português | M/12

Um exemplo extremo da noção de “antropologia compartilhada”, que tão cara foi a Rouch. Retomando ao seu modo a ideia das clássicas Lettres Persanes, de Montesquieu, Rouch conta a história de um habitante do Níger, cuja empresa vai construir o primeiro prédio de Niamey e vem a Paris ver como vivem as pessoas nas “casas de andares”. Isto é pretexto para uma divertida excursão de antropologia invertida, em que o africano observa com surpresa os estranhos hábitos dos parisienses, numa crítica implícita ao modo como os antropólogos franceses estudam os seus compatriotas. O filme também é um retrato dos espíritos da Paris dos primeiros anos do período pós-68. A apresentar em cópia digital.

42-PETIT À PETIT

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Sex. [23] 16:00

Sessão apresentada por José Neves

JUVENTUDE EM MARCHA

de Pedro Costa
com Alberto Barros “Lento”, Antonio Semedo “Nhurro”, Ventura, Vanda Duarte
Portugal, França, Suíça, 2006 – 155 min
legendado em português | M/12

Pedro Costa voltou à comunidade do Bairro das Fontaínhas, depois de OSSOS e NO QUARTO DA VANDA: “Em JUVENTUDE EM MARCHA, o bairro está já destruído e segue um dos seus residentes, Ventura. É um filme sobre um homem que carrega um passado, um homem com fantasmas. O filme também lida com a relação filial (…). É uma história de fidelidade ao nascimento de um bairro, e Ventura contribui muito para esta história de fidelidade”.

43-JUVENTUDE EM MARCHA

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Sex. [30] 19:00

ENCONTRO COM PEDRO COSTA E JOSÉ NEVES
COM A PROJEÇÃO DE TARRAFAL

TARRAFAL

de Pedro Costa
com Ventura, Alfredo Mendes, José Alberto Silva, Lucinda Tavares
Portugal, 2007 – 16 min / legendado em português | M/12

TARRAFAL é uma das seis curtas-metragens produzidas no âmbito do filme coletivo O ESTADO DO MUNDO. E Tarrafal é também o lugar da ilha de Santiago em Cabo Verde onde, em 1936, Portugal criou uma colónia penal para presos políticos que ficou conhecido como “Campo da Morte Lenta”. O destino de José Alberto Silva, nascido no Tarrafal, residente em Portugal e à espera da extradição, cruza-se assim com a História de dois Países e com as histórias de outros ex-residentes das Fontainhas, que evocam a realidade de Cabo Verde, numa narrativa dominada por vampiros e fantasmas.

44-TARRAFAL

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Sex. [30] 22:00

LAND OF THE PHARAOHS

Terra de Faraós
de Howard Hawks
com Jack Hawkins, Joan Collins, James Robertson Justice,
Dewey Martin
Estados Unidos, 1955 – 105 min
legendado eletronicamente em português | M/12

Tendo realizado obras maiores em quase todos os géneros (filme negro, filmes de gangsters, filmes de aviação, westerns, comédia maluca), Howard Hawks abordou no fim da sua carreira o filme situado na Antiguidade (não se pode falar em peplum) com LAND OF THE PHARAOHS, embora tenha dito que tivera dificuldades, pois “não sabia como falavam os faraós”. De costas voltadas para as tradições do género, Hawks fez um filme sobre o poder e a morte, do qual um dos protagonistas é um arquiteto que constrói um túmulo. “TERRA DE FARAÓS é um longo pesadelo. É um filme negro, sufocante e perdido desde o início” (Pedro Costa).

45-Land of the Pharaohs

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Sáb. [31] 15:00

THE WRONG MAN

O Falso Culpado
de Alfred Hitchcock
com Henry Fonda, Vera Miles, Anhtony Quayle
Estados Unidos, 1957 – 100 min / legendado em português

THE PRISONER OF SHARK ISLAND

O Prisioneiro da Ilha dos Tubarões
de John Ford
com Warner Baxter, Gloria Stuart, Claude Gillingwater,
John Carradine, Harry Carey, Francis McDonald
Estados Unidos, 1936 – 95 min / legendado em português | M/12

duração total da projeção: 195 min | M/12
(entre a projeção dos dois filmes há um intervalo de 15 minutos)

THE WRONG MAN é a obra mais sombria de Hitchcock sobre a culpa e a inocência, na mesma atmosfera inquietante de I CONFESS. Talvez seja o seu filme mais austero e severo, e inesperadamente sem humor, baseado na história verídica de um músico erradamente tomado por um assaltante. Como no filme anterior, um inocente tem contra si as aparências. E as “voltas do destino” levam-no onde nunca julgou que o podiam levar. THE PRISONER OF SHARK ISLAND é um grande clássico de John Ford da década de trinta, anterior a YOUNG MR. LINCOLN, cuja ação é posta em marcha pelo assassinato de Abraham Lincoln: conta a odisseia do médico Samuel Mudd, injustamente condenado por cumplicidade no assassinato de Lincoln ao degredo na sinistra Ilha dos Tubarões. Ao mesmo tempo que a família luta pela sua libertação, Mudd vai conquistar o respeito de todos, presos e guardas, durante um epidemia de febre-amarela que ali eclode.

THE PRISONER OF SHARK ISLAND (O Prisioneiro da Ilha dos Tubarões)
THE PRISONER OF SHARK ISLAND (O Prisioneiro da Ilha dos Tubarões)

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Sex. [23] 16:00

ENCONTRO COM PEDRO COSTA, JOÃO QUEIROZ, PAULO NOZOLINO, RUI CHAFES, JOSÉ NEVES
COM A PROJEÇÃO DE EINLEITUNG ZU ARNOLD SCHOENBERGS “BEGLEITMUSIK ZU EINER LICHTSPIELSCENE”

EINLEITUNG ZU ARNOLD SCHOENBERGS “BEGLEITMUSIK ZU EINER LICHTSPIELSCENE”

“Introdução à ‘Música de Acompanhamento para uma Cena de Cinema’ de ‘Arnold Schoenberg’”
de Jean-Marie Straub, Danièle Huillet
Alemanha Federal, 1972 – 16 min
legendado eletronicamente em português | M/12

“Schoenberg é o músico que melhor conhecemos a seguir a Bach”, segundo diz Straub. O filme parte de uma partitura escrita por Schoenberg para um filme imaginário sobre o tema “Perigo Ameaçador. Angústia. Catástrofe”, com leitura de trechos de cartas de Schoenberg a Kandinsky.

47-EINLEITUNG ZU ARNOLD SCHOENBERGS “BEGLEITMUSIK ZU EINER LICHTSPIELSCENE”

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