Em nova colaboração com o festival Queer Lisboa, cuja 26ª edição decorre em várias salas da capital entre 16 e 24 de setembro, a Cinemateca coorganiza um pequeno ciclo dedicado aos filmes produzidos pelo Gay Girls Riding Club e realizados por Ray Harrison, cineasta americano que assinou alguns dos seus primeiros filmes como Connie B. de Mille. O coletivo Gay Girls Riding Club, formado por um grupo de homens gay – alguns deles parte da indústria de cinema americana -, parodiou clássicos de Hollywood numa série de sete filmes de produção underground dos quais vamos ver cinco títulos em versões recentemente restauradas (os dois únicos títulos ausentes do programa são dados como lost movies). Largamente desconhecidos depois da data da sua produção, num período em que as vidas gay eram habitualmente retratadas como trágicas no cinema, esses filmes são hoje um documento essencial da afirmação de uma identidade positiva gay antes de Stonewall. Para além dos filmes do GGRC, todos eles em primeira apresentação na Cinemateca, o programa inclui também alguns dos filmes que serviram de inspiração às explorações camp do coletivo.


Sábado [17] 21:30 | Sala M. Félix Ribeiro 

ALL ABOUT ALICE

de Ray Harrison
com Christopher Morley, Chuck Bratton, Warren Fremming, Wallace Fredericks
Estados Unidos, 1972 – 68 min / legendado eletronicamente em português | M/16

sessão com apresentação

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Citação direta e paródia drag, camp e picante de ALL ABOUT EVE, de Joseph L. Mankiewicz, ALL ABOUT ALICE é o derradeiro e mais ambicioso filme do coletivo Gay Girls Riding Club. É também o único filme a cores e com som sincronizado do GGRC, rodado em 12 dias não consecutivos e com um orçamento “robusto” (de apenas 10 mil dólares). Um registo seminal da cultura drag de meados do século que, apesar de citar diretamente o oscarizado filme de Mankiewicz, vai beber em igual proporção ao musical Applause, estreado na Broadway em 1970, e protagonizado por Lauren Bacall, sendo a personagem de Margo Channing em ALL ABOUT ALICE inspirada tanto em Bette Davis como naquela.


Segunda-feira [19] 15:30 | Sala M. Félix Ribeiro 

ALL ABOUT EVE

Eva
de Joseph L. Mankiewicz
com Bette Davis, Anne Baxter, George Sanders, Celeste Holm, Gary Merrill, Marilyn Monroe
Estados Unidos, 1950 – 138 min / legendado em português | M/12

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Um dos mais célebres papéis de Bette Davis, numa comédia cruel sobre o arrivismo, e um dos grandes clássicos da História do cinema. Eve Harrington, jovem inexperiente mas ambiciosa, insinua-se junto da famosa atriz Margo Channing, e do seu grupo de amigos. Eve torna-se a pessoa de confiança de Margo a quem a idade não vai perdoando. Pouco a pouco, Eve encanta todos e cai nas graças de um eminente crítico (George Sanders). Usando de todas as artimanhas consegue finalmente depor Margo e ser ela a receber os louros.


Segunda-feira [19] 19:30 | Sala Luís de Pina
Quarta-feira [21] 21:30 | Sala M. Félix Ribeiro

ALWAYS ON SUNDAY

de Connie B. de Mille (aka Ray Harrison)
com Melina Hoover, Sauroka Silva, Patti Paris, Gladys Cooper, Mable Meland
Estados Unidos, 1962 – 8 min

POTE TIN KYRIAKI

Nunca ao Domingo
de Jules Dassin
com Melina Mercouri, Jules Dassin, Thrace Giorgos Foundas, Titos Vandis
Grécia, 1959 – 91 min
legendados eletronicamente em português

Duração total da projeção: 99 min | M/16

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ALWAYS ON SUNDAY

ALWAYS ON SUNDAY é o primeiro filme realizado pelo coletivo Gay Girls Riding Club, inaugurando as suas paródias drag e camp a títulos célebres do cinema. Neste caso, o “alvo” é o filme de Jules Dassin POTE TIN KYRIAKI. Passado num porto grego cheio de pitoresco local (ficou célebre a música de Manos Hatzidakis),  foi provavelmente o maior êxito da obra do polivalente Dassin. Protagonizado por Melina Mercouri e pelo próprio Jules Dassin (os dois formariam um casal a partir de então e até ao final das suas vidas), o filme narra em tom de comédia as peripécias da fixação de um académico americano pela popular prostituta que ele quer “reformar”. Primeira apresentação na Cinemateca.


Terça-feira [20] 15:30 | Sala M. Félix Ribeiro

SUDDENLY LAST SUMMER

Bruscamente no Verão Passado
de Joseph L. Mankiewicz
com Montgomery Clift, Elizabeth Taylor, Katharine Hepburn, Mercedes McCambridge
Estados Unidos, 1959 – 114 min / legendado em português | M/16

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Muito injustamente, Tennessee Williams não gostava desta adaptação de uma peça sua, que considerava como uma das melhores que escrevera e cujo texto é magnífico. Uma viúva rica quer mandar fazer uma lobotomia à sobrinha, por ciúmes e para se vingar da morte do filho que adorava de modo doentio. Na grande cena final, Elizabeth Taylor tem talvez o melhor desempenho de toda a sua carreira, ao passo que Katharine Hepburn faz da grande cena de abertura um dos mais fascinantes momentos do filme.


Terça-feira [20] 21:30 | Sala M. Félix Ribeiro

THE ROMAN SPRINGS ON MR. STONE

de Connie B. de Mille (aka Ray Harrison)
Estados Unidos, 1963 – 19 min

THE SPY ON THE FLY

de Ray Harrison
com  Warren Fremming
Estados Unidos, 1967 – 43 min

WHAT REALLY HAPPENED TO BABY JANE

de Connie B. de Mille (aka Ray Harrison)
com Freida, Roz Berri
Estados Unidos, 1963 – 32 min
legendados eletronicamente em português

Duração total da projeção:  94 min | M/16

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WHAT REALLY HAPPENED TO BABY JANE

Uma recriação drag de THE ROMAN SPRING OF MRS. STONE, longa-metragem de 1961 de José Quintero (que a Cinemateca exibiu no passado mês de junho na carta branca do realizador convidado Ado Arrieta), baseada no romance homónimo de Tennessee Williams de 1950. Uma atriz em fase decadente da sua carreira recorre aos serviços de uma “madame” para contratar um acompanhante, do mesmo modo que a personagem interpretada no filme original por Vivien Leigh se envolve com um jovem italiano, após a morte do marido, em Roma. Única ficção do Gay Girls Riding Club que não é uma citação direta a um outro filme, THE SPY ON THE FLY é antes uma paródia ao conjunto dos primeiros títulos da saga James Bond, que começam a surgir em 1962. O filme segue uma agente em missão secreta que a leva até São Francisco, onde descobre um novo mundo que a leva a rapidamente abandonar a profissão. Este é também o primeiro filme do GGRC onde Ray Harrison assina a realização com o seu nome verdadeiro (e não Connie B. de Mille) e em que o ator Warren Fremming já não recorre ao pseudónimo de Frieda. WHAT REALLY HAPPENED TO BABY JANE foi filmado poucos meses após a estreia de WHAT EVER HAPPENED TO BABY JANE?, a longa-metragem de 1962 de Robert Aldrich, protagonizada por Bette Davis e Joan Crawford. Se essa obra de Aldrich pode ser vista como um expoente da cultura camp – extensível às vidas não tão privadas das suas atrizes -, o GGRC soube rapidamente tirar partido desse potencial, exponenciando ainda mais essa qualidade, num filme de interiores onde se destaca a direção de arte, que usa uma série dos adereços originais do filme de Aldrich, o que revela a proximidade de parte dos membros do coletivo à indústria de Hollywood da época.


Quarta-feira [21] 15:30 | Sala M. Félix Ribeiro
Sexta-feira [23] 19:00 | Sala M. Félix Ribeiro

WHAT EVER HAPPENED TO BABY JANE?

Que Teria Acontecido a Baby Jane?
de Robert Aldrich
com Bette Davis, Joan Crawford, Victor Buono, Anna Lee
Estados Unidos, 1962 – 132 min / legendado eletronicamente em português | M/12

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Uma sátira negra e grotesca, que é também um dos filmes mais famosos de Robert Aldrich, com as duas mais famosas harpias de Hollywood, Bette Davis e Joan Crawford, ambas já longe do seu período áureo (Davis confinada a papéis de má e Crawford aos de ex-bela sofredora). A história do filme decorre numa mansão decrépita habitada por duas irmãs. Uma fora atriz em criança (Baby Jane). A outra fora uma atriz muito mais famosa em adulta. Esta última está presa numa cadeira de rodas depois de um acidente que pôs fim à sua carreira e é tiranizada pela irmã.


Quinta-feira [22] 21:30 | Sala M. Félix Ribeiro

GOIN’ TO TOWN

de Alexander Hall
com Mae West, Paul Cavanagh, Gilbert Emery, Marjorie Gateson
Estados Unidos, 1935 – 71 min / legendado eletronicamente em português | M/12

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Realizado por Alexander Hall (HERE COMES MR. JORDAN) e escrito e protagonizado por uma das mais escandalosas atrizes de Hollywood dos anos 30 e figura de culto da cultura drag, Mae West, GOIN’ TO TOWN é mais uma comédia à sua imagem, que explora as tensões entre a fortuna económica e as classes sociais. West é Cleo Borden, uma ex-dançarina de saloon que herda uma enorme fortuna após a morte do noivo e deixa o seu rancho com o objetivo de concretizar o desejo de elevar o seu estatuto social por qualquer meio possível. Primeira apresentação na Cinemateca.

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