Doris Day (1922-2017) foi uma das mais simbólicas atrizes da sua geração, representando a face mais romântica e virginal do musical e da comédia na dita época dourada de Hollywood. Nascida em Cincinnati, Ohio, Doris Mary Kappelhoff cedo mostrou ter um dom particular para a dança e para o canto, iniciando-se nos palcos como cantora de Jazz e alcançando ao longo dos anos 40 um elevado sucesso com músicos como Bing Crosby e Les Brown & His Orchestra e através de hits, como Sentimental Journey, My Dreams Are Getting Better All the Time” ou”Till The End of Time.

O talento da sua voz levou-a ao cinema em 1948 e a novos hits desta feita relacionados com os filmes que protagonizou. Tornou-se cada vez mais popular ao lado de realizadores como Michael Curtiz e David Butler tornando-se rapidamente uma das glórias do cinema musical da Warner. Começando por substituir a então adoecida Betty Hutton em ROMANCE ON THE HIGH SEAS (Michael Curtiz, 1948, cuja canção It’s Magic se tornou, desde logo, um grande êxito). De Curtiz destacamos também YOUNG MAN WITH A HORN (1950), em que Doris Day contracena com Kirk Douglas e Lauren Bacall, enquanto de Butler veremos CALAMITY JANE (1953), em que cantou Secret Love. Suprema girl next door do imaginário americano durante os fifties, Doris representou uma resistência aos ideais de inocência e virgindade que, estando muito em voga nos anos 40, se iam desvanecendo na década seguinte, motivando o famoso e verrinoso comentário de Oscar Levant sobre a atriz, “I knew Doris Day before she was a virgin”.

Não deixou, todavia, de fazer papéis mais sérios e pesados, como LOVE ME OR LEAVE ME (Charles Vidor, contracenando com James Cagney), e Hitchcock deu-lhe definitivamente a volta com a exasperação materna demonstrada em THE MAN WHO KNEW TOO MUCH (1956), filme que, para mais, imortalizou a sua voz com a famosa e ambígua música Que Sera, Sera. Popularíssimas foram, também, comédias posteriores, como PILLOW TALK (Michael Gordon, 1959), primeiro filme em que contracenou com Rock Hudson. No final dos anos 60, passou levemente pela slapstick comedy com dois filmes de Frank Tashlin, THE GLASS BOTTOM BOAT (1966) e CAPRICE (1967), interpretando ora uma mulher confundida por uma espia, ora uma espia real no mundo dos produtos cosméticos. O fim abrupto e precoce da sua carreira em 1968 não apaga a importância de uma atriz que marcou uma geração com a sua imagem tanto como com a sua voz.”


Quinta-feira [01] 15:30 | Sala M. Félix Ribeiro
Sábado [03] 19:30 | Sala Luís de Pina

CALAMITY JANE

Diabruras de Jane
de David Butler
com Doris Day, Howard Keel, Allyn Ann McLerie
Estados Unidos, 1953 – 101 min / legendado eletronicamente em português | M/12

1_1-CALAMITY JANE

Produzido pela Warner como resposta ao sucesso de ANNIE GET YOUR GUN (1951), este filme transpõe a história de Martha Jane Cannary para uma mistura entre western e comédia musical. Com uma frenética interpretação de Doris Day no papel de Calamity Jane, uma irreverente e aventureira do Velho Oeste, CALAMITY JANE explora o seu romance com Wild Bill Hickock (Howard Keel) através de rivalidades e equívocos românticos. Cantada por Doris Secret Love, belíssima canção de Sammy Fain, foi um dos maiores hits da década  valendo-lhe ainda o Oscar de melhor canção de 1953. 


Quinta-feira [01] 19:30 | Sala Luís de Pina
Segunda-feira [05] 15:30 | Sala M. Félix Ribeiro

THE GLASS BOTTOM BOAT

Espia em Calcinhas de Renda
de Frank Tashlin
com Doris Day, Rod Taylor, Arthur Godfrey
Estados Unidos, 1966 – 110 min / legendado eletronicamente em português | M/12

2_1-THE GLASS BOTTOM BOAT

Realizado por Frank Tashlin no final da sua carreira e protagonizado por Doris Day e Rod Taylor, THE GLASS BOTTOM BOAT é uma comédia slapstick sobre uma jovem viúva que, ao mesmo tempo que se veste de sereia para ajudar o pai no seu negócio turístico, trabalha como relações públicas num laboratório espacial e que devido a uma série de mal-entendidos se vê confundida como sendo uma espia ao serviço da União Soviética.


Sexta-feira [02] 15:30 | Sala M. Félix Ribeiro
Sexta-feira [09] 21:30 | Sala M. Félix Ribeiro

THE MAN WHO KNEW TOO MUCH

O Homem que Sabia Demais
de Alfred Hitchcock
com James Stewart, Doris Day, Daniel Gélin, Brenda de Banzie, Christopher Olsen
Estados Unidos, 1956 – 120 min / legendado eletronicamente em português | M/12

8-THE MAN WHO KNEW TOO MUCH

Duas décadas volvidas sobre uma homónima versão britânica (1934), o “segundo” THE MAN WHO KNEW TOO MUCH de Hitchcock é uma obra-prima do suspense e do humor, com diferenças narrativas e de estilo. Um pacato casal de americanos vê-se envolvido numa história de espionagem aquando das suas férias em Marrocos (James Stewart e Doris Day) e é envolvido numa intriga política, que visa o assassinato do primeiro-ministro de um país não identificado (mas, evidentemente, da “Cortina de Ferro”) durante uma visita oficial a Londres. O esplendor visual e uma brilhante mise-en-scène caracterizam este filme de maturidade, que culmina na famosa sequência do atentado, durante um concerto no Royal Albert Hall. De maneira não menos célebre, Doris Day canta duas vezes Que Sera, Sera (Whatever Will Be, Will Be, Jay Livingston e Ray Evans, 1955), a primeira numa amorosa cena maternal, a segunda em desespero para resgatar o filho ameaçado. A apresentar em cópia digital.


Segunda-feira [05] 19:30 | Sala Luís de Pina
Quarta-feira [07] 15:30 | Sala M. Félix Ribeiro

PILLOW TALK

Conversa de Travesseiro
de Michael Gordon
com Rock Hudson, Doris Day, Tony Randall, Thelma Ritter
Estados Unidos, 1959 – 100 min / legendado eletronicamente em português | M/12

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PILLOW TALK é um filme que adapta um argumento típico da comédia americana dos anos 30 aos novos tempos, com cores fortes e duas vedetas arquetípicas dos anos 50, Rock Hudson e Doris Day. Uma decoradora e um músico compartilham involuntariamente a mesma linha telefónica e têm uma relação hostil. Mas ele decide seduzi-la fazendo-se passar por um milionário texano, o que causa muitos quiproquós, divertidos diálogos e duplos sentidos. O filme foi produzido por Ross Hunter (graças a quem Douglas Sirk fez alguns dos seus mais extraordinários filmes), produtor de filmes “para mulheres”, cujo lema era: “Nada de mensagens, nem de lava-loiças”.


Terça-feira [06] 15:30 | Sala M. Félix Ribeiro
Quinta-feira [08] 19:30 | Sala Luís de Pina

YOUNG MAN WITH A HORN

Duas Mulheres, Dois Destinos
de Michael Curtiz
com Kirk Douglas, Lauren Bacall, Doris Day
Estados Unidos, 1950 – 112 min / legendado eletronicamente em português | M/12

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Inspirado na biografia do músico de jazz Bix Beiderbecke (mas dando à personagem um outro nome), YOUNG MAN WITH A HORN integra o realismo musical do seu pano de fundo narrativo (contando com a presença de músicos como Hoagy Carmichael ou Harry James) com uma história de raiz melodramática sobre a relação entre o protagonista (Douglas) e duas mulheres, que o título português diz representarem “dois destinos” e que eram de facto, em termos de “persona”, tão diferentes como a água e o vinho – Bacall e Doris Day.


Terça-feira [06] 19:30 | Sala Luís de Pina
Sexta-feira [23] 15:30 | Sala M. Félix Ribeiro

CAPRICE

Um Perigo Chamado Capricho
de Frank Tashlin
com Doris Day, Richard Harris, Ray Walston
Estados Unidos, 1967 – 98 min / legendado eletronicamente em português | M/12

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Em Caprice, Frank Tashlin realiza uma comédia preenchida de situações absurdas e excessos próprios dos anos 60, em que Doris Day encarna definitivamente uma espia no meio de uma batalha industrial entre duas empresas de produtos cosméticos, contratada para roubar uma receita ultrassecreta de uma laca para o cabelo resistente à água.


Quarta-feira [07] 19:30 | Sala Luís de Pina
Sexta-feira [09] 15:30 | Sala M. Félix Ribeiro

LOVE ME OR LEAVE ME

Ama-me ou Esquece-me
de Charles Vidor
com Doris Day, James Cagney, Cameron Mitchell
Estados Unidos, 1955 – 122 min / legendado eletronicamente em português | M/12

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Numa das suas mais sérias e bem-sucedidas interpretações, Doris Day emparelha com James Cagney e encarna Ruth Etting num dramático biopic musical que ficcionaliza a vida da cantora e atriz e a sua tempestuosa relação com o gangster de Chicago Marty “The Gimp” Snyder, que a seduz usando o seu poder para projetar a sua carreira.