Com o apoio da Estrutura de Missão para a Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia 2021

O mar como tema e figura no cinema é algo tão antigo como o próprio cinema (basta lembrar que, entre os filmes da primeira sessão pública do cinematógrafo Lumière, fez parte BAIGNADE EN MER e que as primeiras imagens em movimento que se conhecem filmadas em Portugal são do filme A BOCA DO INFERNO EM CASCAIS). De então até agora, milhares de filmes tomaram o mar como assunto, como cenário principal ou como elemento simbólico determinante para as suas escolhas narrativas e formais.

Da importância do mar na história do cinema, a programação da Cinemateca já tinha dado conta através de um volumoso programa – e de um marcante catálogo –, intitulado Um Mar de Filmes, apresentado no contexto da Expo’98, que tinha precisamente os oceanos como tema central. Nesse Ciclo, ao longo de vários módulos temáticos e através de quase cem filmes, ficava demonstrada a centralidade da inspiração marítima em produções de todo o mundo e de todas as épocas do cinema. Embora menos extenso, o presente programa OS MARES DA EUROPA é, como o nome indica, talvez mais detalhado na abordagem (para retomar um termo ligado à pirataria naval) do tema do mar nos filmes, aqui geograficamente mais circunscrito e limitado às cinematografias europeias que nele se inspiraram. Desta vez, o foco é portanto a presença do mar no cinema europeu, de Portugal à Europa de Leste, do cinema mudo ao cinema contemporâneo. Um programa que dá conta de como a temática marítima alimentou de forma profunda muita da melhor ficção e do melhor documentário europeu, servindo tanto como centro dessas narrativas como de elemento plástico e poético inextricável dessas obras. A diversidade da geografia e da história de cada país europeu assume nas distintas relações com o mar (entendido de forma lata, do Atlântico ao Mar do Norte, Mediterrâneo, etc.) um conjunto de aspetos particulares que o Ciclo irá iluminar através de visões cinematográficas muito fortes que sejam capazes de dar a ver a importância dessa paisagem natural e dos seus usos culturais, sociais e económicos específicos.

Um longo caminho marítimo que vai levar-nos do largo do Atlântico ocidental até ao extremo norte e oriental da Europa e a diversas épocas da História do continente, quer através de filmes de género (das aventuras de ULISSES e SEA DEVILS, à antecipação científica de F.R 1 ANTWORTET NICHT e à animação de SONG OF THE SEA), quer de visões mais autorais (TERJE VIGEN, FILM SOCIALISME, “À BEIRA DO MAR AZUL”, LA POINTE COURTE, THE EDGE OF THE WORLD), quer ainda através de documentários essenciais da História do cinema (FINIS TERRAE, DRIFTERS; as curtas de Vittorio De Seta sobre a faina das populações costeiras italianas, MÉDITARRANÉE) e do nosso presente (o drama da imigração no Mediterrâneo em HAVARIE). Evitando alguns títulos mais óbvios ou aqui muito recentemente mostrados da nossa cinematografia marcados por esta temática (dos quais MARIA DO MAR será a ausência mais flagrante por estar iminente a sua posterior apresentação num outro contexto de programação), a presença do cinema português faz-se através de títulos marcadamente embalados pela ondulação marítima como são UM FILME FALADO, A ALMADRABA ATUNEIRA, AS ILHAS ENCANTADAS e BALAOU.

O programa OS MARES DA EUROPA é apresentado no quadro da programação cultural da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia do primeiro semestre de 2021. O Ciclo prolonga-se até aos primeiros dias de fevereiro com mais uma dezena de filmes sobre o tema do mar, desde outras obras absolutamente incontornáveis (filmes como LA TERRA TREMA, IN WHICH WE SERVE, MAN OF ARAN e o português OS FAROLEIROS), até algumas raridades nunca antes mostradas na Cinemateca (designadamente do período final do cinema soviético). Nous sommes embarqués…


Quinta-feira [14] 20:00 | Sala M. Félix Ribeiro

LA MER (BAIGNADE EN MER)

de Louis e Auguste Lumière
França, 1895 – 1 min / mudo

A SEA CAVE NEAR LISBON

A Boca do Inferno em Cascais
de Harry Short
Portugal, Reino Unido, 1896 – 1 min / mudo

MOR’VRAN, LA MER DES CORBEAUX

de Jean Epstein
França, 1930 – 26 min / mudo, intertítulos em francês e legendado eletronicamente em português

FINIS TERRAE

de Jean Epstein
com pescadores do arquipélago de Ouessant
França, 1929 – 80 min / mudo, intertítulos em francês e legendado eletronicamente em português

duração total da projeção: 108 min | M/12

sessão com apresentação | com acompanhamento ao piano por João Paulo Esteves da Silva
FINIS TERRAE

A abrir a primeira sessão de OS MARES DA EUROPA mostramos dois exemplos remotos do interesse do cinema pelo mar: um filme que fez parte do programa da célebre primeira sessão dos irmãos Lumière e as imagens que o britânico Harry Short rodou na Boca do Inferno em Cascais. Teórico e realizador, Jean Epstein foi uma das mais importantes figuras do cinema francês no período mudo, realizando ao mesmo tempo filmes próximos do cinema experimental e documentários ou semi-documentários. Estes últimos, de que MOR’VRAN e FINIS TERRAE fazem parte, costumam ser ambientados no litoral da Bretanha. Epstein, que detestava atores, inventou o conceito de paysage acteur e utilizou unicamente não profissionais nestes dois filmes. MOR’VRAN é um documentário poético sobre os pescadores de uma ilha bretã. Em FINIS TERRAE, a ténue trama narrativa (“a vida é feita de situações e não de histórias”, dizia Epstein) faz da paisagem marinha da Bretanha uma personagem dramática. MOR’VRAN e FINIS TERRAE não são apresentados na Cinemateca desde 2004 e 2010, respetivamente. A exibir em cópias digitais.


Sexta-feira [15] 17:30 | Sala M. Félix Ribeiro
Sábado [23] 17:30 | Sala M. Félix Ribeiro

F.R 1 ANTWORTET NICHT

I.F. 1 Não Responde
de Karl Hartl
com Hans Albers, Paul Hartmann, Sybille Schmitz, Peter Lorre
Alemanha, 1932 – 111 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Produzido por Erich Pommer, este filme foi a maior aposta comercial da UFA em 1932 e inscreve-se na categoria do cinema de “antecipação” científica de então, apoiada em dados científicos verosímeis, à volta de uma gigantesca plataforma no Atlântico, misto de porta-aviões e de plataforma petrolífera. Uma história de espionagem num gigantismo cénico herdeiro de METROPOLIS. Uma obra maior, injustamente esquecida e que a Cinemateca já exibiu entre os melhores filmes do século, no ano do centenário do cinema. O filme não é apresentado na Cinemateca desde 2001.


Segunda-feira [18] 17:30 | Sala M. Félix Ribeiro

LU TEMPO DI LI PISCI SPATA
ISOLE DI FUOCO
CONTADINI DEL MARE
PESCHERECCI

de Vittorio De Seta
Itália, 1954-59 – 9, 9, 9, 10 min / sem diálogos

LES AMOURS DE LA PIEUVRE

de Jean Painlevé, Geneviève Hamon
França, 1967 – 13 min / legendado eletronicamente em português

A ALMADRABA ATUNEIRA

de António Campos
Portugal, 1961 – 26 min

duração total da projeção: 76 min | M/12

A ALMADRABA ATUNEIRA

Dos cineastas italianos de grande envergadura, Viittorio De Seta (1923-2011) foi aquele cujo pleno reconhecimento foi o mais tardio, em parte porque nunca se quis inserir na indústria cinematográfica, privilegiando o documentário. Mostramos aqui quatro curtas-metragens documentais realizadas por De Seta na segunda metade da década de cinquenta, na Sardenha, na Calábria e na Sicília. De Seta filma o mundo do trabalho e dos gestos quotidianos daqueles que vivem do mar, bem como a sua ligação à paisagem. Jean Painlevé (1902-1989), filho do matemático e político Paul Painlevé, especializou-se no documentário científico, em particular em filmes sobre a fauna submarina de que LES AMOURS DE LA PIEUVRE é um sugestivo exemplo. A sua obra é marcada pelo experimentalismo e pela fantasia que a inclui dentro da vanguarda artística e os surrealistas apreciaram muito alguns dos seus trabalhos. A ALMADRABA ATUNEIRA, primeiro filme de António Campos em 16mm (depois dos títulos em 8mm dos finais da década de cinquenta que motivaram imediato destaque por parte de alguns críticos e realizadores) é um precioso registo da última campanha de atum dos pescadores da ilha de Abóbora, na costa algarvia, e um testemunho evidente do instinto cinematográfico do autor, patente na força dos enquadramentos e da montagem. Os filmes de Jean Painlevé e de Vittorio de Seta são exibidos em cópias digitais.


Terça-feira [19] 17:30 | Sala M. Félix Ribeiro

U SAMOGO SINEVO MORIA

“À Beira do Mar Azul”
de Boris Barnet
com Elena Kuzmina, Lev Sverdlin, Nicolai Kriuchkov
URSS, 1933 ­– 71 min / legendado em português | M/12

Este filme é, como a generalidade da obra de Boris Barnet, um melodrama aparentemente “leve”, de um lirismo magistral: dois jovens pescadores de um kholkoze apaixonam-se pela mesma rapariga, tornando-se rivais até um desconcertante final. Uma sequência imortal: a “ressurreição” da protagonista. Um autor a descobrir e a festejar. “Lembras-te quando ela, espantadíssima, pergunta ‘quem morreu?’ e a resposta é a mais bela dança que vi em cinema, incluindo a do SINGIN’ IN THE RAIN? Nunca, talvez, o cinema tenha estado tão perto de nos fazer tocar na alegria como ‘dom de Deus (…) que traz em si um caráter eterno que passa através do sofrimento’ (Sophia de Mello Breyner). E nunca, a não ser em ORDET de Dreyer, o triunfo de um corpo ‘ressuscitado’ foi tão físico e tão anímico, tão carne e tão espírito” (João Bénard da Costa).


Terça-feira [19] 20:00 | Sala M. Félix Ribeiro
Segunda-feira [25] 15:00 | Sala M. Félix Ribeiro

SEA DEVILS

Gigantes em Fúria
de Raoul Walsh
com Yvonne De Carlo, Rock Hudson, Maxwell Reed, Dennis O’Dea
Reino Unido, Estados Unidos, 1953 – 91 min / legendado eletronicamente em português | M/12

O argumento inspira-se muito vagamente no clássico Les Travailleurs de la Mer, de Victor Hugo (que já tinha sido adaptado ao cinema, mais fielmente, por André Antoine em 1918), e conta as aventuras de um contrabandista (Rock Hudson) que se deixa enredar nos braços e manobras de uma bela espia (Yvonne de Carlo) durante as guerras napoleónicas. Um grande filme de aventuras de Raoul Walsh com produção britânica. O filme não é apresentado na Cinemateca desde 2007.


Quarta-feira [20] 17:30 | Sala M. Félix Ribeiro
Sábado [30] 20:00 | Sala M. Félix Ribeiro

THE EDGE OF THE WORLD

de Michael Powell
com John Laurie, Belle Chrystall, Niall MacGinnis, Eric Berry
Reino Unido, 1937 – 75 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Foi o filme que impôs Michael Powell, que aqui seguiu o modelo de MAN OF ARAN de Flaherty. THE EDGE OF THE WORLD é um belíssimo documentário ficcionado que segue a vida, o amor e a morte numa isolada ilha da costa escocesa, explorando de forma magnífica as potencialidades dramáticas e de suspense da paisagem de íngremes escarpas em contraste com o mar envolvente. O filme não é apresentado na Cinemateca desde 2011. A exibir em cópia digital.


Quinta-feira [21] 17:30 | Sala M. Félix Ribeiro

HAVARIE

de Philip Scheffner
Alemanha, 2016 – 93 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Em HAVARIE Philip Scheffner apropria-se de um vídeo filmado a partir de um navio de passageiros, que mostra um barco de refugiados no Mar Mediterrâneo, e retrabalha-o, dilatando os seus três minutos de duração até aos 93 minutos da operação de salvamento. Distinguindo-se da imagem, a banda sonora desloca-nos dos sons do resgate para conflitos de outros tempos, abrindo o filme a realidades distintas enquanto os nossos olhos se fixam em silhuetas distantes. Refletindo sobre a crise dos refugiados e os limites do que vemos habitualmente, Scheffner afirmará que “é importante que o espectador questione a sua posição.” Primeira exibição na Cinemateca.


Sexta-feira [22] 15:00 | Sala M. Félix Ribeiro

ULISSE

Ulisses
de Mario Camerini
com Kirk Douglas, Silvana Mangano, Anthony Quinn, Rossana Podestà, Sylvie, Daniel Ivernel
Itália, 1953 – 91 min / legendado em português | M/12

ULISSE parte da famosa Odisseia de Homero e retrata as aventuras de Ulisses, na viagem de regresso a casa após dez anos de guerra. O filme é uma superprodução italiana que conta com vários grandes atores nos principais papéis e com a participação, não creditada, de Mario Bava na realização. Kirk Douglas “é” Ulisses, Silvana Mangano, Penélope.


Sexta-feira [22] 17:30 | Sala M. Félix Ribeiro

FILM SOCIALISME

Filme Socialismo
de Jean-Luc Godard
com Catherine Tenvier, Christian Sinniger, Jean-Marc Stehlé, Robert Maloubier
França, Suíça, 2010 – 101 min / legendado em português | M/12

Apresentando-se como um ensaio em três movimentos (um cruzeiro pelo Mediterrâneo e os seus viajantes; um conflito familiar algures na província francesa; uma reflexão sobre a Europa e o mundo contemporâneo), FILM SOCIALISME é um dos grandes filmes recentes. Godardiano até à medula, compõe-se de sobreposições de imagens e sons, citações, aforismos, entre os quais o de que “quando a lei é injusta, a justiça passa antes da lei”. O último plano, a negro, inscreve uma conhecida expressão, “No comment”.


Sábado [23] 15:00 | Salão Foz

SONG OF THE SEA

A Canção do Mar
de Tomm Moore
com as vozes de David Rawle, Brendan Gleeson, Lisa Hannigan, Lucy O’Connell
Irlanda, Bélgica, França, Luxemburgo, Dinamarca, 2014 – 93 min / legendado em português | M/6

Filme de animação inspirado nas “Selkies”, criaturas de origem mitológica do folclore irlandês, que vivem como focas no mar, mas que em terra se tornam humanas. A CANÇÃO DO MAR conta a história de Ben e sua irmã mais nova Searsha, que, desde a trágica morte da mãe, vivem com o pai num grande farol junto ao mar. Ambos embarcam numa viagem fantástica, através de um mundo de lendas e criaturas mágicas, em que terão de enfrentar os seus medos mais profundos. Realizado por Toom Moore foi nomeado para o Oscar de Melhor Filme de Animação, conquistando outros importantes prémios. Primeira exibição na Cinemateca.


Sábado [23] 20:00 | Sala M. Félix Ribeiro
Quarta-feira [27] 15:00 | Sala M. Félix Ribeiro

MÉDITERRANÉE

de Jean-Daniel Pollet
narração de Philippe Sollers
França, 1963 – 41 min / legendado eletronicamente em português

LA POINTE COURTE

de Agnès Varda
com Philippe Noiret, Sylvia Monfort
França, 1954 – 75 min / legendado eletronicamente em português | M/12

duração total da projeção: 116 min | M/12

LA POINTE COURTE

Companheiro de viagem da Nouvelle Vague, Jean-Daniel Pollet desenvolveu uma obra singular, em que ao lado de filmes “narrativos”, com atores, surgem ensaios cinematográficos, como MÉDITERRANÉE. Sem enredo, o filme é uma reflexão sobre a cultura e o pensamento, sobre “aquele instante fabuloso em que os homens, em vez de tentarem conquistar o mundo, se sentiram solidários com ele, solidários com a luz refletida e não enviada pelos deuses, solidários com o sol, solidários com o mar”, segundo as palavras de Jean-Luc Godard. LA POINTE COURTE, que marcou a passagem de Agnès Varda da fotografia para o cinema, é um dos títulos fundamentais na contagem decrescente para a eclosão da Nouvelle Vague, que viria em 1959, com LES QUATRE CENTS COUPS e À BOUTE DE SOUFFLE. É um retrato semi-documental de uma aldeia de pescadores, que serve para a história de desamor vivida pelo casal formado por Philippe Noiret e Sylvia Monfort. A montagem é de Alain Resnais. O filme de agnès Varda não é apresentado na Cinemateca desde 2008. Ambos os filmes são exibidos em cópias digitais.


Segunda-feira [25] 20:00 | Sala M. Félix Ribeiro

LES HOMMES DE LA BALEINE

de Mario Ruspoli
França, 1956 – 25 min / legendado eletronicamente em português

BALAOU

de Gonçalo Tocha
com Maria do Rosário Filipe Gouveia, Maria Ilda Cardoso, Florence Beaufrère, Hubert Yumi, Gonçalo Tocha
Portugal, 2007 – 76 min

duração total da projeção: 101 min | M/12

BALAOU

LES HOMMES DE LA BALEINE, filmado numa pequena aldeia açoriana, regista a caça de uma enorme baleia e as subsequentes operações de desmantelamento e armazenamento. Documentário inscrito no universo de memórias familiares e pessoais do seu realizador, BALAOU foi filmado nos Açores no verão de 2005, que Gonçalo Tocha visita sete meses depois da perda da mãe, numa viagem de reencontro familiar. É aí que encontra um casal francês que todos os anos cruza o oceano Atlântico a bordo de um barco à vela, Balaou, com quem segue viagem. “Dividido em três momentos e oito lições, BALAOU é uma viagem para aceitar o esquecimento das coisas”. LES HOMMES DE LA BALEINE (a exibir em cópia digital) não é apresentado na Cinemateca desde 2011 e BALAOU desde 2007.


Terça-feira [26] 15:00 | Sala M. Félix Ribeiro

AS ILHAS ENCANTADAS

de Carlos Villardebó
com Amália Rodrigues, Pierre Clémenti, Pierre Vaneck, João Guedes
Portugal, França, 1965 – 89 min | M/12

Ousado projeto de produção de António da Cunha Telles, AS ILHAS ENCANTADAS é a única incursão na longa-metragem do documentarista Carlos Villardebó, português fixado em França, segundo uma novela de Herman Melville. Um marinheiro francês chega a uma ilha que julga deserta e nela encontra uma mulher singular, solitária desde a morte do marido e irmão. É também um filme que conta com Amália Rodrigues num dos seus grandes e porventura menos conhecidos papéis no cinema.


Terça-feira [26] 17:30 | Sala M. Félix Ribeiro
Quinta-feira [28] 15:00 | Sala M. Félix Ribeiro

TO KORITSI ME TA MAVRA

A Mulher de Negro
de Michael Cacoyannis
Ellie Lambeti, Dimitris Horn, Eleni Zafeiriou, Stephanos Stratigos
Grécia, 1956 – 100 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Rodado na ilha grega de Hydra, A MULHER DE NEGRO lida muito singularmente com a geografia do lugar e com os contrastes entre o mar, a brancura das casas e as vestes negras das mulheres, compondo uma atmosfera trágica também presente nos restantes filmes de Cacoyannis, em que o Mediterrâneo e a cultura clássica desempenham papéis primordiais. Aqui, um escritor ateniense vê-se de férias na ilha, albergando-se numa casa em que reina uma pesada atmosfera. Um drama que reflete sobre o peso dos interditos e a opressão das mulheres em regiões marcadas pela insularidade. Primeira exibição na Cinemateca.


Terça-feira [26] 20:00 | Sala M. Félix Ribeiro
Quinta-feira [28] 17:30 | Sala M. Félix Ribeiro

DAS SCHIFF DER VERLORENEN MENSCHEN

“O Navio dos Homens Perdidos”
de Maurice Tourneur
com Marlene Dietrich, Fritz Kortner, Robin Irvine, Wladimir Sokoloff
Alemanha, França, 1929 – 122 min / mudo, intertítulos em alemão, legendados eletronicamente em português | M/12

Acompanhamento ao piano por Daniel Schvetz na sessão de dia 26

O último filme mudo de Marlene Dietrich (aquele que precede DER BLAUE ENGEL), e o segundo que Maurice Tourneur realiza na Alemanha, depois do seu regresso dos Estados Unidos. Marlene vê-se no papel de uma jovem americana cujo avião se despenha no mar, sendo levada para bordo de um navio de má reputação. Escondida e protegida por um médico, ele próprio sequestrado, e pelo cozinheiro da embarcação, depressa será descoberta e ameaçada pelo capitão e pela restante tripulação. Muito pouco visto, a misteriosa atmosfera criada por Tourneur e a performance dos protagonistas, fazem de DAS SCHIFF DER VERLORENEN MENSCHEN um filme a não perder. Primeira exibição na Cinemateca.


Quarta-feira [27] 20:30 | Sala M. Félix Ribeiro [ATENÇÃO AO HORÁRIO]

TERJE VIGEN

O Lobo do Mar
de Victor Sjöström
com Victor Sjöström, Edith Erastoff, August Falck, Bergliot Husberg
Suécia, 1917 – 56 min / mudo, intertítulos em norueguês, traduzidos em português | M/12

Com acompanhamento ao piano por Filipe Raposo

A partir de um poema épico de Henrik Ibsen, Victor Sjöström realizou uma das suas grandes obras-primas e um dos filmes que revolucionou o cinema sueco (um dos melhores do mundo, nesta fase do período mudo), rompendo com a estética teatral e trazendo a liberdade dos exteriores e explorando a sua força dramática na história de um pescador que perde a família durante o bloqueio de Napoleão e procura a vingança.


Quinta-feira [28] 20:00 | Sala M. Félix Ribeiro
Sábado [30] 15:00 | Sala M. Félix Ribeiro

BRANDING

“Na Rebentação”
de Joris Ivens, Mannus Frank
com Jef Last, Co Sieger, Hein Block
Países Baixos, 1929 – 33 min / mudo, intertítulos em holandês legendados eletronicamente em português

ZUIDERZEE

de Joris Ivens
Países Baixos, 1930 – 40 min / mudo, intertítulos em holandês legendados eletronicamente em português

DRIFTERS

de John Grierson
Reino Unido, 1929 – 50 min / mudo, com intertítulos em inglês e legendados eletronicamente em português | M/12

duração total da projeção: 123 min | M/12

Acompanhado ao piano por Filipe Raposo na sessão de dia 28
DRIFTERS

Formando, com DE BRUG e REGEN, o núcleo dos grandes filmes iniciais de Ivens, BRANDING é o menos visto dos três, não sendo mostrado na Cinemateca desde 1983. Entre o documentário e a ficção, BRANDING tem como protagonista um marinheiro desempregado de Katwijk, terra que despertou o interesse de Ivens pelo movimento das grandes ondas batendo nos rochedos. Determinado a filmá-las, enfrentou-as com a sua câmara e o resultado é assombroso.  ZUIDERZEE simboliza o combate do povo holandês para ganhar novas terras. Trata-se de mostrar a fase terminal da construção de um grande dique que isola definitivamente o Zuiderzee do Mar do Norte. A pesca do arenque no Mar do Norte, filmado nas Shetlands, Lowestoft e Yarmouth, é o tema de DRIFTERS na visão modernista de John Grierson, contemplando a relação entre o homem e a natureza mas também o processo de industrialização que atravessava a Reino Unido e trabalhando essa tensão. É um título seminal do documentarismo britânico, um trabalho inicial de Grierson, sensível ao cinema de Flaherty e à montagem soviética (foi exibido pela primeira vez publicamente na estreia britânica de POTEMKINE de Eisenstein). Na Cinemateca ZUIDERZEE não passa desde 2010.


Sexta-feira [29] 17:30 | Sala M. Félix Ribeiro

UM FILME FALADO

de Manoel de Oliveira
com Leonor Silveira, Catherine Deneuve, Irene Papas, Stefania Sandrelli, John Malkovich
Portugal, França, 2003 – 96 min / legendado em português | M/12

A atriz fetiche de Oliveira, Leonor Silveira, rodeada por outros nomes de eleição da sua “família” cinematográfica – John Malkovich, Catherine Deneuve, Irene Papas, a que se junta, aqui, Stefania Sandrelli, reunidos numa viagem às origens da civilização pelo Mediterrâneo.