Sala Luís de Pina | Seg. [9] 18:30

CARTA BRANCA 2020 A JORGE SILVA MELO

IL SOSPETTO

O Suspeito
de Francesco Masellicom Gian Maria Volonté, Renato Salvatori, Annie Girardot
Itália, 1975 – 111 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Há quem o refira como um drama político ambientado na Itália fascista. O argumento é coassinado por Maselli e Franco Solinas, mais conhecido como argumentista de Gillo Pontecorvo (KAPÒ, LA BATTAGLIA DI ALGERI). A história segue a personagem de Emilio, um comunista italiano radicado em Paris por confrontos políticos com camaradas do Partido uns anos antes. E que é enviado numa missão a Turim quando a detenção de militantes por denúncia começa a dizimar as fileiras da resistência. O título de trabalho era “Missione nell’Italia Fascista”, tendo a produção que haver-se com a RKO, ciosa da exclusividade do título do filme de 1941 de Hitchcock, SUSPICION. É uma das escolhas italianas de Jorge Silva Melo nesta sua carta-branca. Primeira exibição na Cinemateca.


Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [10] 21:30

JORGE SILVA MELO – VIVER AMANHÃ COMO HOJE

AINDA NÃO ACABÁMOS, COMO SE FOSSE UMA CARTA

de Jorge Silva Melo
Portugal, 2016 – 78 min | M/12

com a presença de Jorge Silva Melo

É como se fosse Jorge Silva Melo por Jorge Silva Melo. O filme esteve para se intitular assim numa piscadela de olhos a JLG. JSM descreve-o como uma carta aos que contra todas as adversidades se tornam atores. Compô-lo com imagens lisboetas, parisienses, romanas, filmando e repescando imagens já filmadas, encenando a sua própria narrativa. Convocou um sério elenco de cúmplices, amigos e atores – “os que vieram antes”, os de gerações mais novas que a sua. “É um auto-retrato (auto-filme? auto-golo) comigo de costas: para que quem veja, veja o que eu vejo. Aquilo que vejo (vi, verei) será aquilo que sou? Mas é uma carta, é a ti que quero contar, a ti, rapaz que quiseste ser ator.” Primeira exibição na Cinemateca.


Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [11] 21:30

JORGE SILVA MELO – VIVER AMANHÃ COMO HOJE

PASSAGEM OU A MEIO CAMINHO

de Jorge Silva Melo
com Luís Lucas, João Guedes, Diogo Dória, Glicínia Quartin, Isabel de Castro
Portugal, 1980 – 85 min | M/12

com a presença de Jorge Silva Melo

Escrito e filmado a partir da vida e obra do escritor alemão Georg Büchner (1813-1837), à luz elétrica e à máquina de escrever, sem reconstituição histórica. Fala-se da Guerra de Espanha e de Cézanne, através da sobreposição de épocas e de citações. Mas o “fundo” – nunca nomeado – é o 25 de Abril. “À entrada dos anos 80, e no seu primeiro filme, Jorge Silva Melo deu-nos a ver a escuridão da selva. Talvez por ser tão escura – neste filme tão claro – tantos se perderam nela, não percebendo como a vida parava e como era preciso (necessário) pintá-la naquele momento.” (João Bénard da Costa)


Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [12] 21:30

JORGE SILVA MELO – VIVER AMANHÃ COMO HOJE

NINGUÉM DUAS VEZES

de Jorge Silva Melo
com Manuela de Freitas, Luis Miguel Cintra, José Mário Branco, Michael König, Glicínia Quartin
Portugal, Alemanha, França, 1984 – 106 min | M/12

sessão apresentada por Miguel Lobo Antunes

Lisboa, 1983, é a segunda das vezes para as personagens deste filme. Da primeira, na mesma cidade, em 1975, sabe-se em elipse. Em oito anos, o país está muito diferente e os dois casais protagonistas de NINGUÉM DUAS VEZES também. Uma mala sem dona no tapete rolante de um aeroporto, Lisboa como não-lugar, depois de ter sido lugar de tudo. “O que não mudou em Jorge Silva Melo – [depois de PASSAGEM] e continuou a não mudar em AGOSTO ou em COITADO DO JORGE – é a mesma saudade do romantismo, o mesmo olhar novo com que o assume. Não é por o saber passado que lhe volta as costas. É por o saber passado que o convoca.” (João Bénard da Costa)


Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [13] 21:30

JORGE SILVA MELO – VIVER AMANHÃ COMO HOJE

SOFIA AREAL: UM GABINETE ANTI-DOR

de Jorge Silva Melo
Portugal, 2016 – 55 min | M/12

seguido de conversa com Sofia Areal e Jorge Silva Melo


Sofia Areal (nascida em Lisboa, em 1960) é a artista da geração mais nova entre os retratados por Jorge Silva Melo que, vendo-a como um caso singular nas artes portuguesas, a foi filmando a partir de 2011. “Não se trata de um documentário retrospetivo, mas sim um filme que está ao seu lado, a seguir o seu fazer, as suas dúvidas, certezas, conquistas. Aquilo que me interessou foi ver a Sofia Areal pensar pintando, pintar pensando. Pois nela, ‘o que em mim pensa está pintando’, é o seu ofício, o dessa mão que todos os dias faz a alegria” (JSM). Primeira exibição na Cinemateca.


Sala M. Félix Ribeiro | Sáb. [14] 21:30

JORGE SILVA MELO – VIVER AMANHÃ COMO HOJE

AGOSTO

de Jorge Silva Melo
com Christian Patey, Olivier Cruveiller, Marie Carré, Manuela de Freitas, Pedro Hestnes, Glicínia Quartin, Isabel Ruth
Portugal, 1988 – 98 min | M/12

com a presença de Jorge Silva Melo

Jorge Silva Melo adaptou muito livremente o romance de Cesare Pavese A Praia. A paisagem física é a serra da Arrábida e as suas praias, de uma luz deslumbrante e dourada no verão. As pessoas singulares que aí habitam vivem um vazio “antonioniano” que Jorge Silva Melo transpôs para o cinema português. Quando o apresentou em ante-estreia na Cinemateca em 1988, escreveu um texto que começa assim: “‘Há um minuto da vida do mundo que passa. Há que o pintar na sua realidade.’ Esta frase de Cézanne citada por Merleau-Ponty nesse livro a que há tantos anos recorro, Sens et Non-Sens. É isso o que quero do cinema? Minuto-vida-mundo-pintar-realidade?”