Sala Luís de Pina | Seg. [2] 18:30

HISTÓRIA PERMANENTE DO CINEMA PORTUGUÊS

JOSÉ DO TELHADO

de Armando de Miranda
com Virgílio Teixeira, Adelina Campos, Juvenal de Araújo
Portugal, 1945 – 86 min M/12

 

As aventuras do famoso salteador e chefe de quadrilha José Teixeira da Silva (o lendário José do Telhado, interpretado com panache por Virgílio Teixeira) que a justiça condenou pelos seus crimes e a alma popular elevou e acarinhou pelas suas virtudes (Rino Lupo tinha assinado uma primeira versão em 1929). Casado com a prima Aninhas, vencida a resistência do pai, devido à fama do seu heroísmo durante a época das primeiras lutas liberais, José do Telhado é abandonado pelas suas hostes. Desiludido e sem recursos, acaba por ceder aos rogos de “Boca Negra”, chefe duma quadrilha que infesta a região, para lhe suceder na liderança, pois sente-se velho. Após audaciosos assaltos, de cujo produto passam a beneficiar os pobres, José do Telhado será preso devido à traição do seu lugar-tenente, José Pequeno, deixando desamparados Aninhas e o filho.


Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [3] 21:30

INADJECTIVÁVEL

LA MARIÉE ÉTAIT EN NOIR

A Noiva Estava de Luto
de François Truffaut
com Jean-Claude Brialy, Jeanne Moreau, Michel Bouquet
França, Itália, 1967 – 107 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Adaptação do romance The Bride Wore Black, de um dos autores policiais favoritos de Truffaut, Cornel Woolrich/William Irish (também autor de REAR WINDOW), LA MARIÉE ÉTAIT EN NOIR é a história da vingança de uma mulher sobre vários homens responsáveis pela morte do seu noivo no dia do casamento. Outro nome de ressonâncias hitchcockianas, Bernard Herrmann, assina a banda sonora.


Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [4] 21:30

CARTA BRANCA 2020 A JORGE SILVA MELO

NAMAY-E NAZDIK / CLOSE-UP

de Abbas Kiarostami
com Hossain Sabzian, Abolfazl Ahankhah, Abbas Kiarostami, Mohsen Makhmalbaf
Irão, 1990 – 90 min / legendado em inglês e eletronicamente em português | M/12

CLOSE-UP é uma das obras-primas de Abbas Kiarostami, um filme extraordinariamente livre, complexo, mas simples à superfície. Construindo-se nos registos documental e da ficção, e refletindo sobre a natureza da imagem, o real e o cinema, segue a história de um homem desempregado que finge ser o realizador Mohsen Makhmalbaf. Num testemunho filmado para acompanhar a sua edição portuguesa em dvd, Jorge Silva Melo defendo-o como um filme que coloca as questões fundamentais do cinema com simplicidade, nitidez, problematização: “Depois deste filme não é possível fazer cinema da mesma maneira. Ficamos a duvidar de tudo.” A apresentar em cópia digital.


Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [5] 19:00

SAUL BASS, ARTE DO GENÉRICO

PHASE IV

de Saul Bass
com Michael Murphy, Nigel Davenport, Lynne Frederick, Alan Gifford, Robert Henderson
Estados Unidos, 1973 – 84 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Saul Bass é porventura mais conhecido como autor dos fabulosos genéricos dos filmes de Preminger, Wilder, Hitchcock, Kubrick ou Scorsese, concebidos segundo as regras de um catálogo gráfico “de unidades abstratas” ao longo de 40 anos (por exemplo, as espirais e o olho de Kim Novak em VERTIGO), do que como realizador. PHASE IV foi a sua única longa-metragem, produzida dentro do modelo de género (a ficção científica) e dando largas a um espírito criativo a que se aliam o sentido plástico e de ritmo. A apresentar em cópia digital.


Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [6] 21:30

CARTA BRANCA 2020 A JORGE SILVA MELO

LE RAYON VERT

O Raio Verde
de Eric Rohmer
com Marie Rivière, Vincent Gauthier, Rosette
França, 1986 – 98 min / legendado em português | M/12

Sexto e último filme da série “Comédias e Provérbios”, sob a epígrafe de um verso de Rimbaud: “Ah, que venha o tempo/ em que os corações se apaixonam!”. Uma jovem secretária não sabe o que fazer durante as férias de verão e depois de muitas hesitações vai para Biarritz, onde terá uma súbita revelação. Filmado em 16mm, como outras “Comédias e Provérbios”, porque “em 35 mm, pode-se cair facilmente no bilhete-postal” (Rohmer), o filme tem uma deliberada estratégia de cinema “amador”. Mal compreendido quando estreou, é um filme radical, denso, luminoso.


Sala M. Félix Ribeiro | Sáb. [7] 21:30

ANTE-ESTREIAS

LIBERTÉ

de Albert Serra
com Helmut Berger, Marc Susini, Iliana Zabeth
Espanha, Alemanha, França, Portugal, 2009 – 132 min / legendado em português | M/16

com a presença do realizador

Albert Serra, realizador bem conhecido dos espectadores da Cinemateca (onde já esteve por mais do que uma vez a apresentar projeções de filmes seus), dá continuidade a LA MORT DE LOUIS XIV com um novo olhar sobre a aristocracia europeia, nas vésperas da revolução francesa. Um grupo de libertinos em viagem dedica-se durante uma noite a um cerimonial de “jeu de massacre”, pleno de elementos “sadeanos”. Prolongamento do olhar de Serra sobre a história e a cultura europeias que já vem pelo menos de HISTORIA DE LA MEVA MORT, LIBERTÉ vai ainda, como o filme sobre LOUIS XIV fazia com Jean-Pierre Léaud, buscar um vulto mais ou menos lendário para encabeçar o elenco: desta vez o “viscontiano” Helmut Berger, que interpreta o protagonista Duque de Walcher.