Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [7] 19:00

20ª FESTA DO CINEMA FRANCÊS: 20 ANOS DE FESTA – em colaboração com o Institut Français du Portugal

SADE

Sade
de Benoît Jacquot
com Daniel Auteuil, Isild Le Besco, Marianne Denicourt, Jean-Pierre Cassel
França, 2000 – 97 min / legendado em português | M/16

O filme de Benoît Jacquot é ambientado em 1794, durante o período do Terror da Revolução Francesa, quando o Marquês de Sade foi aprisionado numa falsa “clínica”, com outros aristocratas. Nessa bolha protegida, o “Divino Marquês” vê numa jovem aristocrata a presa ideal, tentando ensinar-lhe a sua filosofia e libertar-lhe a mente. Contrariamente a todos os outros filmes em que surge a figura do autor de A Filosofia na Alcova, SADE não mostra excessos sexuais, fixando-se nas ideias deste autêntico revolucionário que foi perseguido por todos os sistemas políticos que conheceu em vida: Antigo Regime, Revolução, Diretório, Consulado e Império. Um filme inteligente e elegante de um realizador prolixo, porém exigente. Primeira exibição na Cinemateca.


Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [8] 15:30

IDA LUPINO – UMA MULHER EM TERRENO PERIGOSO

ARTISTS AND MODELS

Artistas e Modelos
de Raoul Walsh
com Jack Benny, Ida Lupino, Judy Canova, Gail Patrick, Richard Arlen, Martha Reye
Estados Unidos, 1937 – 97 min / legendado eletronicamente em português | M/6

Uma comédia musical de Raoul Walsh com Ida Lupino e Jack Benny na figura do promotor do baile “Artistas e Modelos”, preparando também o concurso para a escolha da rainha do baile. O filme inspira-se numa série de espetáculos musicais da Broadway muito populares na década de vinte do século XX. Destaque também para o número musical Public Melody nº 1 encenado por Vincente Minnelli, e a presença de inúmeras vedetas populares do palco e da rádio.


Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [9] 19:00

20ª FESTA DO CINEMA FRANCÊS: 20 ANOS DE FESTA – em colaboração com o Institut Français du Portugal

ENTRE LES MURS

A Turma
de Laurent Cantet
com François Bégardeau, Agame Malembo-Emene, Angélika Sancio
França, 2008 – 130 min / legendado em português | M/12

Nascido em 1961, Laurent Cantet tornou-se conhecido com RECURSOS HUMANOS (1999), que descreve uma greve operária, numa narrativa que mistura elementos documentais e de ficção, uma técnica que volta a utilizar em ENTRE LES MURS (Palma de Ouro em Cannes). Baseado no romance de um professor do ensino secundário, que transpõe a sua própria experiência no liceu de um subúrbio “difícil” e também interpreta o papel principal, o filme mostra o desfasamento entre os alunos desse meio e o sistema de ensino, mas também afirma, nas palavras do realizador, “a indissolubilidade do compromisso do cinema com o compromisso da educação”. Primeira exibição na Cinemateca.


Sala Luís de Pina | Qui. [10] 18:30

20ª FESTA DO CINEMA FRANCÊS: AGNÈS VARDA – em colaboração com o Institut Français du Portugal

CLÉO DE 5 À 7

Duas Horas na Vida de uma Mulher
de Agnès Varda
com Corinne Marchand, Antoine Bourseiller, Dominique Davray, Dorothée Blank
França, 1962 – 85 min / legendado em português | M/12

Talvez a obra-prima de Varda e o mais “Nouvelle Vague” de todos seus filmes. Narrado em tempo real (o tempo da narrativa é o da duração do filme), mostra-nos uma mulher que pensa ter um cancro e aguarda os resultados das análises clínicas que fez. Enquanto espera, encontra pessoas conhecidas e desconhecidas e atravessa a distância entre o obscurantismo e a lucidez sobre a sua própria identidade. E, como tantos filmes da Nouvelle Vague, CLÉO DE 5 À 7 também é um grande filme sobre Paris. A última passagem na Cinemateca data de há quatro anos. A apresentar em cópia digital.


Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [11] 18:30

20ª FESTA DO CINEMA FRANCÊS: JEAN-LOUIS TRINTIGNANT – em colaboração com o Institut Français du Portugal

VIVEMENT DIMANCHE!

Finalmente Domingo
de François Truffaut
com Fanny Ardant, Jean-Louis Trintignant, Jean-Pierre Kalfon
França, 1983 – 109 min / legendado em português | M/12

O último filme de Truffaut, que morreria prematuramente cerca de um ano depois do seu lançamento, faz eco à sua segunda longa-metragem, TIREZ SUR LE PIANISTE. Se o filme de 1960 é uma espécie de “pastiche” do filme negro americano, VIVEMENT DIMANCHE! pode ser visto como uma paródia do filme negro, com uma intriga sombria e misteriosa, que acaba por se resolver a bem. Filme claustrofóbico, com a ação quase toda noturna, filmado num preto e branco elegante e estilizado, VIVEMENT DIMANCHE! oferece a Fanny Ardant uma personagem, a secretária Barbara, totalmente diferente das mulheres venenosas e venais do filme negro americano. Neste filme de “falso culpado”, onde abundam piscadelas de olho a Hitchcock, o homem, o patrão fugido encarnado por Jean-Louis Trintignant, poderá ter em Barbara os olhos e pernas de que necessita para se provar inocente.


Sala M. Félix Ribeiro | Sáb. [12] 21:30

20ª FESTA DO CINEMA FRANCÊS: JEAN-LOUIS TRINTIGNANT – em colaboração com o Institut Français du Portugal

LES PLUS BELLES ANNÉES D’UNE VIE

de Claude Lelouch
com Jean-Louis Trintignant, Anouk Aimée, Souad Amidou, Antoine Sire, Monica Bellucci
França, 2019 – 90 min / legendado eletronicamente em português | M/12

com a presença de Jean-Louis Trintignant

Os aplausos a UN HOMME ET UNE FEMME (1966) no Festival de Cannes (Palma de Ouro) e nos Óscares (Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Argumento Original) foram proporcionais à sua receção popular, mas também à gravidade das vozes discordantes que viram nesta história de amor, com tiques de uma Nouvelle Vague de “pronto-a-vestir”, o definitivo sintoma de decadência do cinema moderno. Não obstante, a obra estilizada de Lelouch, protagonizada por dois dos atores mais charmosos do cinema francês, Anouk Aimée e Jean-Louis Trintignant, deixou a sua marca em toda uma geração de espectadores. 53 anos depois do intenso e turbulento romance eivado de “chabadabada” e 33 anos após o reencontro em UN HOMME ET UNE FEMME, 20 ANS DÉJÀ (1986), de novo com Lelouch na realização, ela, Anne, vai ao encontro dele, Jean-Louis, para retomar o que ficou suspenso no passado. “Será uma celebração do viver, um ensaio sobre a resistência da vida na luta contra a morte, por via do prazer e da alegria”, perspetivou assim Lelouch esta sequela nostálgica. Primeira exibição em Portugal.