Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [21] 19:00

FAZER FILMES POLITICAMENTE: O GRUPO DZIGA VERTOV

LOTTE IN ITALIA

de Grupo Dziga Vertov
França, Itália, 1970 – 55 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Outra encomenda televisiva, desta vez da RAI, e outro filme que, uma vez pronto, foi recusado pelo comanditário. LOTTE IN ITALIA, que naturalmente versa a luta de classes em Itália (boa parte do filme foi rodada em Paris, mas as cenas italianas têm centro numa fábrica de têxteis), foi um filme essencialmente saído do espírito de Jean-Pierre Gorin, que o descreveu como “um jogo de cartas revolucionário” baseado nos textos de Louis Althusser (que, reza a lenda, teria “chorado de alegria” a ver o filme).


Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [22] 21:30

24 IMAGENS – CINEMA E FOTOGRAFIA (I)
O fluxo, o instante

FILMS CHRONOPHOTOGRAPHIQUES: “MAINS, BRAS ET JAMBES”

de Étienne-Jules Marey, Georges Demenÿ
França, 1890-1904 – 8 min / mudos, sem intertítulos

FILMES DO CATÁLOGO LUMIÈRE

de Louis Lumière, catálogo Lumière
França, 1895-1900 – 7 min (aprox.) / mudos, sem intertítulos

EMAK BAKIA

de Man Ray
com Kiki de Montparnasse, Jacques Rigaut
França, 1926 – 16 min / mudo, sem intertítulos

L’ÉTOILE DE MER

de Man Ray
com Robert Desnos, Kiki de Montparnasse
França, 1927 – 21 min / mudo, intertítulos em francês legendados eletronicamente em português

LES MYSTÈRES DU CHATEAU DE DÉ

de Man Ray
com Georges Auric e a família dos Viscondes de Noailles
França, 1929 – 27 min / mudo, intertítulos em francês legendados eletronicamente em português

duração total da projeção: 79 min (aprox.) | M/6

com acompanhamento ao piano por Filipe Raposo
L’ÉTOILE DE MER

Recuando ao “pré-cinema” para mostrar o trabalho cronofotográfico do fisiologista francês Étienne-Jules Marey que se dedicou ao estudo do movimento humano e animal, o programa da sessão evoca ainda os primórdios do cinematógrafo Lumière de finais do século XIX/início do século XX e o trabalho vanguardista de Man Ray no cinema da década de vinte francesa. Dos filmes cronofotográficos de Marey, mostra-se a série de 22 títulos “Mains, Bras et Jambes” (primeira exibição na Cinemateca) demonstrativos da cronofotografia (termo reconhecido em 1889, que junta cronos – movimento – e fotografia) que antecedeu o cinematógrafo, com a revolucionária câmara inventada para a análise do movimento fixado em imagens tiradas em série. Do catálogo da produção de Louis e Auguste Lumière, mostram-se sete tomadas de vista filmadas entre 1895 e 1900, privilegiando a sensibilidade estética, o sentido de enquadramento e a dimensão cinematográfica dos pioneiros franceses que chegaram ao cinematógrafo através da fotografia. Entre elas, um dos seus panoramas aéreos e uma das suas danças serpentinas em raccord, na sessão, com os três icónicos títulos de fase surrealista francesa de Man Ray, que privilegiam o ato de olhar em imagens de uma beleza transfigurada: EMAK BAKIA, realizado a partir dos princípios surrealistas do automatismo, da improvisação, da racionalidade, das sequências oníricas, da ausência de lógica e do desprezo pela dramaturgia; L’ÉTOILE DE MER, um “film-flou”, de imagens difusas; e LES MYSTÈRES DU CHATEAU DE DÉ, o peculiar retrato da célebre Villa Noailles, em Hyères, projetada por Robert Mallet-Stevens. Os filmes Lumière são apresentados em cópias digitais.


Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [23] 21:30

ANTE-ESTREIAS | 24 IMAGENS – CINEMA E FOTOGRAFIA (I)

THE LAST DAY OF LEONARD COHEN IN HYDRA

O Último Dia de Leonard Cohen em Hidra
de Mário Fernandes
com Rui Pelejão, Filipa Gambino, Marta Ramos, Bruno Ramos
Portugal, Grécia, 2018 – 30 min /legendado em português

UNAS FOTOS EN LA CIUDAD DE SYLVIA

de José Luis Guerín
Espanha, 2007 – 67 min
mudo, intertítulos legendados eletronicamente em português

duração total da projeção: 97 min. | M/12

com a presença de Mário Fernandes
THE LAST DAY OF LEONARD COHEN ON HYDRA

THE LAST DAY OF LEONARD COHEN IN HYDRA segue “um detetive sentimental obcecado por uma fotografia com as memórias de Leonard Cohen e Marianne Ihlen na ilha de Hidra, na Grécia”. É apresentado na abertura da sessão que prossegue com UNAS FOTOS EN LA CIUDAD DE SYLVIA de José Luis Guerín. Filme de montagem de fotografias a preto e branco, mudo, que reflete o trabalho fotográfico de Guerín antes da rodagem de EN LA CIUDAD DE SYLVIA (2007), com o qual forma um díptico. Uma experiência a partir da fotografia que corresponde a uma deambulação urbana acompanhada por um monólogo interior expresso em intertítulos que reenviam para os primórdios do cinema. À ficção da CIUDAD, as FOTOS opõem uma construção que funde o rasto de uma memória supostamente pessoal com a da preparação do próprio filme: a procura de uma mulher, fugazmente encontrada e logo perdida muitos anos antes. Como afirmou o realizador: “o que conta é a pequena elipse que há entre uma fotografia e outra… Entre uma fotografia e outra há um tempo que se esvai, um mistério que se escapa.” Primeira exibição na Cinemateca.


Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [24] 21:30

24 IMAGENS – CINEMA E FOTOGRAFIA (I)
Figuras do fotógrafo

SMILE PLEASE

de Roy Del Ruth
com Harry Langdom, Jackie Lucas, Alberta Vaughan, Jack Cooper
Estados Unidos, 1924 – 12 min / mudo (versão musicada), sem intertítulos

FUNNY FACE

Cinderela em Paris
de Stanley Donen
com Audrey Hepburn, Fred Astaire, Kay Thompson, Michel Auclair, Robert Flemyng
Estados Unidos, 1957 – 103 min / legendado em espanhol e eletronicamente em português

duração da projeção: 115 min | M/12

FUNNY FACE

SMILE PLEASE (primeira exibição na Cinemateca) é protagonizado pela trupe de Max Sennett compondo o retrato de um estúdio fotográfico em plena ebulição: Harry Langdon é um fotógrafo que deve registar a imagem de uma família cujo filho mais novo é um verdadeiro terror. FUNNY FACE segue Audrey Hepburn e Fred Astaire “on a lavish-love happy Paris holliday”, em que ela é uma moderna Cinderela e ele, de profissão fotógrafo (vagamente inspirado em Richard Avedon), se caracteriza entre o “príncipe encantado” e a “fada madrinha” para a transformar numa “modelo” famosa (vestida por Givenchy). O pano de fundo é Paris e os “caveaux” existencialista; a música é de Gershwin; as fotografias são de Richard Avedon; o trabalho sobre a cor, um dos elementos fulcrais do filme. SMILE PLEASE é apresentado em cópia digital.


Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [25] 19:00

FAZER FILMES POLITICAMENTE: O GRUPO DZIGA VERTOV

ICI ET AILLEURS

de Jean-Luc Godard, Anne Marie-Miéville
com Jean-Pierre Bamberger
França, 1976 – 53 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Rushes de um filme inacabado sobre a resistência palestiniana, rodado quatro anos antes sob a égide do grupo Dziga Vertov, são mostradas a um casal que, diante do televisor, recorda a sua experiência passada durante os anos de militância. Uma obra raramente exibida, que toca uma questão sensível e que aborda o modo como se organizam aqui (“ici”) imagens que foram registadas algures (“ailleurs”). Filme sobre um conflito, é antes de mais uma reflexão sobre a própria televisão. Já não é um filme do Grupo Dziga Vertov, mas é por todas as razões uma espécie de seu oficioso posfácio.


Sala M. Félix Ribeiro | Sáb. [26] 15:30

DOUBLE BILL

NÓS POR CÁ TODOS BEM

de Fernando Lopes
com Zita Duarte, Wanda França, Adelaide João, Fernando Barradas, Lia Gama, Paula Guedes
Portugal, 1978 – 80 min

AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO

de Miguel Gomes
com Sónia Bandeira, Fábio Oliveira, Joaquim Carvalho, Andreia Santos, Armando Nunes, Manuel Soares
Portugal, 2008 – 150 min

duração total da projeção: 230 min | M/12
entre os dois filmes há um intervalo de 20 minutos

AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO

A terceira longa-metragem de Fernando Lopes filma, sob a capa do “cinema etnográfico”, o lugar da Várzea dos Amarelos, na Beira Litoral, e os seus habitantes: um documento sobre a vida na Várzea, uma entrevista com a mãe do realizador, e um registo da própria realização do filme. Trinta anos depois, Miguel Gomes replica o gesto de Fernando Lopes e é recebido, no interior de Portugal (em Arganil e arredores), para filmar um registo das suas festas populares de verão, das histórias pessoais (e de ficção) que se escondem dentro delas, e incluindo, também, a sua própria equipa de filmagem dentro da história que conta ao espectador, criando um dos filmes mais recordados do cinema português dos últimos anos.