Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [14] 19:00

FAZER FILMES POLITICAMENTE: O GRUPO DZIGA VERTOV

BRITISH SOUNDS

de Grupo Dziga Vertov
Reino Unido, 1969 – 52 min / legendado eletronicamente em português | M/12

No período em que esteve em Londres a filmar ONE PLUS ONE Jean-Luc Godard recebeu uma encomenda de uma estação britânica (a London Weekend Television) para um filme, que ele aceitou e correalizou com Jean-François Roger. O filme, uma investigação das condições de vida do operariado britânico (BRITISH SOUNDS começa numa linha de montagem de automóveis, num eco fortíssimo de WEEKEND), de permeio a reflexões sobre a revolução e as suas possibilidades, viria a ser recusado pela televisão, que abdicou de o exibir. Foi lançado em sala, como filme do Grupo Dziga Vertov, e é um dos objetos mais fascinantes do legado do coletivo.


Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [15] 21:30

INADJECTIVÁVEL

TWENTIETH CENTURY

O Século Vinte
de Howard Hawks
com John Barrymore, Carole Lombard, Walter Connolly, Roscoe Karns
Estados Unidos, 1934 – 91 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Talvez a melhor das grandes comédias de Howard Hawks sobre a “guerra dos sexos”, contada num ritmo alucinante, à velocidade do comboio expresso Twentieth Century, que dá o título ao filme. É um dos grandes títulos da “screwball” americana, centrado numa história de bastidores da Broadway, com Hollywood à vista. Carole Lombard revelou-se aqui uma grande estrela e John Barrymore tem neste filme possivelmente a maior das suas criações, no papel de um empresário excêntrico e megalómano (diz-se que parcialmente decalcado de Sternberg) capaz de tudo para conseguir contratar uma atriz famosa, sua ex-mulher, para a companhia que dirige. Quando o teatro é maior que a vida, vale tudo para levantar um espetáculo. A apresentar em cópia digital.


Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [16] 15:30

24 IMAGENS – CINEMA E FOTOGRAFIA (I)
O fluxo, o instante

LETTER FROM AN UNKNOWN WOMAN

Carta de uma Desconhecida
de Max Ophuls
com Joan Fontaine, Louis Jourdan, Mady Christians, Art Smith
Estados Unidos, 1948 – 90 min / legendado em português | M/12


Um dos filmes mais belos e mais amados de Ophuls, baseado num conto de Stefan Zweig. A história do amor que uma mulher sentiu durante toda a vida por um homem, que só se dá conta disto na véspera de morrer, quando recebe uma carta de tal desconhecida. Situado, como LIEBELEI, na Viena do Imperador Francisco José, talvez seja o filme em que a mise-en-scène de Ophuls mais atinge a perfeição, com um equilíbrio absoluto entre a elegância formal e a emoção. Excecional desempenho de Joan Fontaine numa obra magistralmente orquestrada que evoca os mecanismos tortuosos da memória, e em que um momento assumidamente fotográfico pela fixidez das suas vistas, nos conduz a uma volta ao mundo.


Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [17] 19:00

24 IMAGENS – CINEMA E FOTOGRAFIA (I)
Álbuns Fotográficos

FÁBRICA

de Daniel Blaufuks
Portugal, 2013 – 25 min

SOB CÉUS ESTRANHOS

de Daniel Blaufuks
Portugal, 2002 – 57 min

duração total da projeção: 82 min | M/12

com a presença de Daniel Blaufuks
SOB CÉUS ESTRANHOS

FÁBRICA (primeira exibição na Cinemateca) foi originalmente filmado como parte de uma exposição e de um livro para fixar o espaço abandonado da Fábrica de Fiação e Tecidos do Rio Vizela como um cenário de memória, partindo de uma coleção de imagens, fotográficas e filmadas por Daniel Blaufuks. Filmado como memória pessoal e familiar em que se reflete a história coletiva, SOB CÉUS ESTRANHOS evoca a experiência de exílio de refugiados judeus em Lisboa durante e depois da Segunda Guerra Mundial, associando às fotografias e filmes de família de Blaufuks outras imagens de arquivo, documentos, textos literários de escritores como Heinrich Mann, Hans Sahl e Hertha Pauli, Erich Maria Remarque, Arthur Koestler. Das várias camadas de interpelação participa o reenquadramento ou a desaceleração das imagens preexistentes; do trabalho fotográfico de Blaufuks, o filme importa o registo diarístico e a reflexão sobre a memória.


Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [18] 19:00

FAZER FILMES POLITICAMENTE: O GRUPO DZIGA VERTOV

LE VENT D’EST

de Grupo Dziga Vertov
com Anne Wiazemsky, Gian Maria Volonté
França, 1970 – 100 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Um dos mais complexos – e para vários comentadores, o melhor – de entre os filmes produzidos pelo Grupo Dziga Vertov. Há quem defenda que é o filme ideal para perceber as ideias de Godard e Gorin quanto à “destruição da linguagem burguesa” do cinema. O cinema, o cinema hollywoodiano industrial e os seus pilares (como os géneros, particularmente o western), é explicitamente criticado e decomposto, a partir de uma sustentação teórica encontrada no marxismo. Também o podemos ver, atenuando um pouco o seu carácter político mais moralista, como um objeto extraordinariamente livre e criativo (por exemplo na relação imagem/som) que opera um traço de união entre os últimos Godards em nome próprio (WEEKEND, LA CHINOISE, ONE PLUS ONE) e a dimensão mais profunda da reflexão do Grupo Dziga Vertov. A apresentar em cópia digital.


Sala M. Félix Ribeiro | Sáb. [19] 15:30

DOUBLE BILL

LA NUIT AMÉRICAINE

A Noite Americana
de François Truffaut
com François Truffaut, Jean-Pierre Léaud, Jacqueline Bisset, Valentina Cortese, Jean-Pierre Aumont, Nathalie Baye
França, 1973 – 115 min, legendado eletronicamente em português

BOOGIE NIGHTS

Jogos de Prazer
de Paul Thomas Anderson
com Mark Wahlberg, Julianne Moore, Burt Reynolds, John C. Reilly, Don Cheadle, Heather Graham, William H. Macy, Philip Seymour Hoffman, Alfred Molina
Estados Unidos, 1997 – 165 min / legendado em português

duração total da projeção: 280 min | M/16
entre os dois filmes há um intervalo de 20 minutos

LA NUIT AMÉRICAINE (A Noite Americana, de François Truffaut)

LA NUIT AMÉRICAINE, vencedor do Óscar para Melhor Filme Estrangeiro, é uma comovente homenagem de François Truffaut ao período clássico do cinema, uma era de produção que, na década de setenta, já tinha encontrado o seu fim. Ao fazer de uma rodagem de cinema a história do filme, Truffaut homenageia, também, todos aqueles que dedicam a sua vida ao cinema, tornando esta obra, através da inesquecível música de Georges Delerue, numa das mais celebradas de toda a sua carreira. BOOGIE NIGHTS celebra, por sua vez, o êxtase e a queda do período de ouro do cinema pornográfico norte-americano (a década de setenta), oferecendo, por um extraordinário elenco, um olhar eufórico e tumular sobre uma família de personagens que deu a sua vida para viver a sua ficção, numa obra onde Paul Thomas Anderson homenageia, também, as referências cinematográficas do seu país (como Martin Scorsese ou Robert Altman).