Reza a lenda que as primeiras projeções públicas de L’ARRIVÉE D’UN TRAIN EN GARE DE LA CIOTAT, um dos filmes iniciais dos irmãos Lumière, provocaram nos seus espectadores um pânico incontrolado, causado pela imagem do comboio a avançar na direção da plateia. Verdade ou mentira, exagero ou retrato fiel do sucedido em – pelo menos – algumas sessões, o certo é que este episódio associa o cinema, desde o primeiro momento, a uma emoção primordial: a experiência do medo.
De emoções (dixit Samuel Fuller no PIERROT LE FOU) se constitui muita da matéria essencial do cinema que se fez a seguir a esses anos pioneiros. E de entre essas emoções, talvez nenhuma tenha sido tão trabalhada como o medo, respondendo a um desejo mais ou menos secreto de todo o espectador de cinema. Vamos ao cinema também para ter medo, para reviver medos básicos – o “medo do escuro”, por inerência – e para descobrir medos novos. O espectador de cinema tem prazer no medo: a quantidade de filmes, para não dizer géneros inteiros, fundados nesta exploração e nesta experiência, serve de prova incontestável.
Em primeiro lugar é sobre isto este nosso Ciclo. Sobre o cinema do medo, do grande e quase abstrato medo que faz o espectador sentir-se sozinho mesmo se a sala de cinema estiver cheia de gente, e do qual Hitchcock terá sido o mais incontestável dos mestres. Mas é também um Ciclo que procura o medo para além do “cinema do medo”, pelo menos fora dos géneros habitualmente entendidos como “do medo”. A agitação das personagens de A CAÇA de Manoel de Oliveira, refletindo e instilando um medo difuso, tão mais perturbante por, precisamente, parecer não ter objeto definido. O pavor estampado no rosto das crianças de Kiarostami que, por exemplo nos “TRABALHOS DE CASA”, são introduzidas às regras da recompensa e do castigo. Num caso como noutro, o medo que se vê no filme é a expressão de um medo mais vasto, de origem social e/ou política. E esse é, finalmente, outro ponto que este Ciclo pretende aflorar: a presença do medo no espaço público, como conceito ou instrumento de manipulação coletiva – do “medo da bomba” ao “medo do terrorismo”, para dar dois exemplos flagrantes, pelo menos desde o final da II Guerra que o medo vive na linha da frente das emoções coletivas nas sociedades ocidentais. “Caixa negra” do seu tempo – aliás uma vocação cada vez mais mal entendida numa época em que a pulsão para a “correção” da História fez dos filmes um território particularmente belicoso – o cinema deixou registado praticamente tudo aquilo que, em determinados instantes e determinados quadrantes, nos meteu medo. É a derradeira proposta do Ciclo: para além de querer proporcionar, através de vários exemplos célebres, essa experiência, quase infantil (como o atesta a quantidade de mergulhos na infância ao longo destes filmes), do medo no seu estado mais puro e mais abstrato, quer também levar o espectador a refletir sobre o medo numa dimensão diferente, uma dimensão “histórica” por assim dizer, mas sempre transponível para o momento presente. Porque, pegando num célebre aforismo associado a um filme de Cronenberg, a questão está em saber se, no século XXI, é ainda o cinema quem mais nos diz que “tenham medo, tenham muito medo”.


Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [3] 15:30
Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [5] 21:30

L’ARRIVÉE D’UN TRAIN EN GARE DE LA CIOTAT

de Louis e Auguste Lumière
França, 1895 – 50 seg / mudo

PSYCHO

Psico
de Alfred Hitchcock
com Anthony Perkins, Janet Leigh, Vera Miles, John Gavin, Martin Balsam, John McIntire, Simon Oakland
Estados Unidos, 1960 – 109 min / legendado em espanhol

duração total da projeção: 110 min | M/12

L’ARRIVÉE D’UN TRAIN EN GARE DE LA CIOTAT

L’ARRIVÉE D’UN TRAIN EN GARE DE LA CIOTAT é o mais mítico dos títulos do catálogo Lumière, como lendário é o relato da sua primeira projeção pública, que teria deixado aterrados os seus espectadores. PSYCHO não é, obviamente, nem o primeiro nem o único filme de Hitchcock dominado pelo medo enquanto tema, ambiente e primeira emoção suscitada no espectador. Mas é um dos filmes onde Hitchcock, o “cineasta do medo” por excelência, mais longe levou e mais radicalmente trabalhou o tema, a ponto de, contra todas as regras clássicas, deixar o espectador sozinho “dentro” do filme, a seguir à célebre sequência do chuveiro – o mais memorável entre os muitos momentos memoráveis de PSYCHO. 57 anos depois da sua estreia, continua a ser um dos filmes mais assustadores alguma vez feitos.


Sala Luís de Pina | Qua. [3] 18:30
Sala M. Félix Ribeiro | Sáb. [6] 21:30

ERASERHEAD

Eraserhead
de David Lynch
com Jack Nance, Charlotte Stewart, Allen Joseph
Estados Unidos, 1977 – 88 min / legendado em português | M/16

Primeira longa-metragem de David Lynch, depois de uma série de curtas mais ou menos “experimentais”, e perfeita introdução a um dos universos mais coerentes do cinema contemporâneo. Entre o surrealismo, o horror e uma memória como que distorcida do cinema clássico, ERASERHEAD é um singularíssimo mergulho num mundo que está ele próprio entre a doçura e a abjeção (o grotesco bebé, uma das imagens mais poderosas de toda a obra de Lynch), num território de sonho e fantasmas do mais variado tipo. Dele disse Lynch: “é o meu filme mais espiritual”.


Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [3] 19:00
Sala Luís de Pina | Qui. [4] 18:30

ANGST ESSEN SEELE AUF

O Medo Come a Alma
de Rainer W. Fassbinder
com Brigitte Mira, El Hedi Ben Salem, Barbara Valentin, Irm Hermann
Alemanha, 1973 – 93 min / legendado em português | M/12

ANGST ESSEN SEELE AUF é um remake peculiar de ALL THAT HEAVEN ALLOWS de Douglas Sirk, mas sem evocar o contexto visual altamente artificial do cinema americano, contrariamente ao que Fassbinder faria num filme como MARTHA. Com esta história da ligação entre uma mulher de limpeza alemã de meia-idade e um imigrante árabe mais novo do que ela, Fassbinder fez um filme profundamente político, porém sem escolher os alvos tradicionais da esquerda, como a polícia e o senhorio, preferindo acentuar as responsabilidades do indivíduo. “Com esta atitude, Fassbinder entrou em conflito com as classes médias conservadoras e também com os seus filhos neo-estalinistas dos movimentos estudantis”, observou Christian Braad Thomsen.


Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [3] 21:30
Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [4] 15:30

SUSPIRIA

Suspiria
de Dario Argento
com Jessica Harper, Alida Valli, Joan Bennett, Udo Kier, Miguel Bosé
Itália, 1976 – 95 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Realizado logo a seguir ao esplêndido PROFONDO ROSSO, SUSPIRIA tem as mesmas qualidades do filme anterior de Dario Argento, mas pertence ao domínio do cinema fantástico e não do “giallo”, o filme criminal à italiana. A história situa¬ se numa academia de dança na Alemanha, onde chega uma jovem estudante americana. Sucedem¬ se diversos acontecimentos, numa atmosfera de estranheza e medo. Argento manipula com mão de mestre os efeitos narrativos e visuais, criando uma atmosfera surreal, de permanente suspense. De notar, as presenças de duas atrizes do cinema do passado, Alida Valli e Joan Bennett e do então muito jovem Miguel Bosé. Uma obra-prima de género.


Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [4] 19:00
Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [5] 15:30

ALIEN

Alien, o Oitavo Passageiro
de Ridley Scott
com Sigourney Weaver, Tom Skerritt, John Hurt, Ian Holm, Harry Dean Stanton, Yaphet Kotto, Verónica Cartwright
Estados Unidos, 1979 – 117 min / legendado em português | M/16

O filme que lançou uma das mais famosas séries da ficção científica moderna. No interior de uma nave mercantil, surge um estranho “passageiro” que se “hospedara” no corpo de um dos tripulantes durante a passagem por um planeta desconhecido. O intruso revela-se uma arma letal que vai dizimando a tripulação a pouco e pouco. A apresentar em cópia digital.


Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [4] 21:30
Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [9] 15:30

THE INVISIBLE MAN

O Homem Invisível
de James Whale
com Claude Rains, Gloria Stuart, Henry Travers, William Harrigan
Estados Unidos, 1933 – 69 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Primeira adaptação ao cinema do romance de H.G. Wells, que permanece como a mais famosa e cujo sucesso deu também origem a uma série na Universal. Jack Griffin é um cientista que descobre o segredo da invisibilidade, mas acaba por enlouquecer em resultado da aplicação a si próprio. O filme mistura habilmente terror e humor, mas o seu triunfo resultou particularmente dos notáveis, e à época assombrosos, efeitos especiais. Eram de John Fulton, que se tornou mestre na matéria da invisibilidade, combinando efeitos mecânicos de manipulação de marionetas e efeitos óticos.


Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [5] 19:00
Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [8] 15:30

THE TWO FACES OF DR. JEKYLL

As Duas Faces do Dr. Jekyll
de Terence Fisher
com Paul Massie, Dawn Addams, Christopher Lee
Reino Unido, 1960 – 88 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Um dos muitos exercícios de “horror gótico” resultantes da colaboração entre Terence Fisher e a Hammer, THE TWO FACES OF DR. JEKYLL é uma variação sobre os arquétipos estabelecidos pelo clássico romance de Stevenson. Talvez pelo insucesso comercial na época (um dos raros “flops” da época dourada da Hammer) é hoje muito menos visto e muito menos lembrado do que outros títulos assinados por Fisher para o estúdio. Mas é um filme que vale muito a pena descobrir, por todas as razões, incluindo as belas cores da fotografia de Jack Asher.


Sala Luís de Pina | Seg. [8] 18:30
Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [9] 19:00

DIE TAUSEND AUGEN DES DR. MABUSE

O Diabólico Dr. Mabuse
de Fritz Lang
com Dawn Addams, Peter Van Eyck, Gert Froebe, Wolfgang Preiss
Alemanha, 1960 – 103 min / legendado eletronicamente em português | M/12

No seu regresso à Alemanha depois da guerra, Lang escolheu refazer dois clássicos do mudo a que deixara o seu nome ligado. DIE TAUSEND AUGEN DES DR. MABUSE tornou-se no seu último filme e revela-se tão premonitório da sociedade futura como o Mabuse anterior o fora do nazismo. Nesta última aventura, um descendente do génio do crime utiliza a eletrónica e a televisão para espiar os menores gestos dos ricos clientes de um hotel de luxo. A apresentar em cópia digital.


Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [8] 19:00
Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [10] 15:30

EXPERIMENT IN TERROR

Uma Voz na Escuridão
de Blake Edwards
com Glenn Ford, Lee Remick, Stephanie Powers, Ross Martin, Ned Glass
Estados Unidos, 1962 – 123 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Uma das frequentes “fugas” de Blake Edwards à comédia, e talvez a melhor. EXPERIMENT IN TERROR é um denso e compulsivo thriller de mistura com o chamado “police procedural” (o trabalho de investigação da polícia). Glenn Ford é um agente do FBI que investiga o rapto de uma rapariga para obrigar a mãe desta a roubar o banco onde trabalha. A apresentar em cópia digital.


Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [8] 21:30
Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [12] 15:30

ROSEMARY’S BABY 

A Semente do Diabo
de Roman Polanski
com Mia Farrow, John Cassavetes, Ruth Gordon, Sidney Blackmer
Estados Unidos, 1968 – 135 min / legendado em espanhol | M/16

Uma das obras mais influentes do cinema americano dos anos sessenta. Praticamente todo o cinema demoníaco que a partir da década seguinte se vulgarizou nasce com este primeiro filme feito por Polanski nos Estados Unidos e ambientado no famoso edifício Dakota em Nova Iorque. Mia Farrow é a jovem portadora da “semente do diabo”, vendida pelo marido em troca de sucesso na carreira. Ruth Gordon, antiga argumentista de Cukor que se tornaria popular como coprotagonista de HAROLD AND MAUDE, ganhou o Óscar como melhor atriz secundária. Um dos pontos altos da obra de Polanski.


Sala Luís de Pina | Qua. [10] 18:30
Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [12] 19:00

BODY SNATCHERS

de Abel Ferrara
com Gabrielle Anwar, Terry Kinney, Billy Wirth
Estados Unidos, 1993 – 87 min / legendado eletronicamente em português | M/12

O primeiro INVASION OF THE BODY SNATCHERS, dirigido em 1956 por Don Siegel, é um dos títulos fulcrais do cinema de ficção científica, depois mil vezes glosado. “Remakes” expressos houve dois – em 1978, por Philip Kaufman, e em 1993 este BODY SNATCHERS de Abel Ferrara. Uma peça surpreendente e bastante discutida da sua filmografia, que nada deve ao cinema de ficção científica em termos genéricos. Mas visita várias vezes os temas do vampirismo e da possessão, e é no cruzamento entre os elementos do género e as obsessões pessoais de Ferrara que se resolve este singularíssimo filme do cineasta nova-iorquino.


Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [10] 19:00
Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [16] 15:30

ZODIAC

Zodiac
de David Fincher
com Jake Gyllenhaal, Mark Ruffalo, Anthony Edwards, Robert Downey Jr., Brian Cox
Estados Unidos, 2007 – 157 min / legendado em português | M/12

Depois de SEVEN, ZODIAC assinala o regresso de David Fincher à temática dos “serial killers”. Baseado na história real de um assassino que aterrorizou a Baía de São Francisco durante décadas, e que ficou conhecido por “Zodiac”, este é um thriller que acompanha dois polícias e dois jornalistas que, obcecados com o intrigante caso, o decidem investigar a fundo.


Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [10] 21:30
Sala Luís de Pina | Sex. [12] 18:30

THE TEXAS CHAINSAW MASSACRE

Massacre no Texas
de Tobe Hooper
com Marilyn Burns, Allen Danziger, Paul A. Partain
Estados Unidos, 1974 – 83 min / legendado em espanhol | M/18

Com HALLOWEEN de Carpenter, THE TEXAS CHAINSAW MASSACRE forma o par dos mais importantes (e “seminais”) filmes de terror dos anos 70. Inspirado na história do serial-killer Ed Gein, o filme de Tobe Hooper mostra o que acontece a um grupo de miúdos meio-hippies que dão boleia a um desconhecido, algures no Texas. O desconhecido convida-os para jantar com a família, mas não os avisa de que lá em casa são todos canibais. Inacreditavelmente violento (física e psicologicamente), TEXAS CHAINSAW MASSACRE foi proibido em vários países, e noutros alvos de cortes suavizadores. É um candidato forte ao título de mais horrível filme de sempre.


Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [11] 15:30
Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [31] 19:00

LANDRU

de Claude Chabrol
com Michèle Morgan, Danielle Darrieux, Hildegard Knef, Charles Denner
França, 1963 – 115 min / legendado eletronicamente em português | M/12

De certa forma, LANDRU encerra a primeira fase da obra de Claude Chabrol: o seu enorme insucesso comercial, que aliás veio na sequência do insucesso dos filmes anteriores do realizador, obrigou-o a passar os anos seguintes a rodar filmes relativamente atípicos e declaradamente à procura do êxito na bilheteira, como a série do TIGRE. Mas LANDRU é um belo filme, retintamente chabroliano, que reconstitui a história do célebre “barba azul” francês com mordacidade, sentido de observação social, e um formidável elenco.


Sala Luís de Pina | Qui. [11] 18.30
Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [15] 21:30

UN CHIEN ANDALOU

de Luis Buñuel, Salvador Dali
França, 1929 – 21 min / mudo, intertítulos em francês, legendados eletronicamente em português

THE PREMATURE BURIAL

O Sepultado Vivo
de Roger Corman
com Ray Milland, Hazel Court, Richard Ney, Heather Angel, Alan Napier, John Dierkes, Dick Miller
Estados Unidos, 1962 – 81 min / legendado eletronicamente em português

duração todal da projeção: 102 min | M/12

THE PREMATURE BURIAL

Buñuel e Dali provocaram uma revolução com o ensaio surrealista UN CHIEN ANDALOU, um dos filmes vanguardistas mais famosos de sempre (“un appel passioné au meurtre”, segundo os autores). Embora não seja das mais apreciadas adaptações que Corman fez dos contos de Poe, THE PREMATURE BURIAL destaca-se pela qualidade dos seus efeitos especiais, e de alguns momentos de terror, numa intriga que tem mais a ver com o policial do que com aquele género. É a história de um homem que sofre de catalepsia e tem o pavor de ser enterrado vivo como o pai.


Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [11] 19:00
Sala Luís de Pina | Qua. [24] 18:30

CAT PEOPLE

A Pantera
de Jacques Tourneur
com Simone Simon, Kent Smith, Tom Conway, Jack Holt, Jane Randolph
Estados Unidos, 1942 – 73 min / legendado em português | M/12

O primeiro filme de Jacques Tourneur para o produtor Val Lewton é uma obra-prima de suspense que praticamente se tornou um modelo para os melhores filmes do género, muito imitado, nunca superado. Não dispondo de meios financeiros para ter efeitos especiais credíveis, o realizador explora a angústia provocada pela sugestão e pela ilusão (nunca se vê o monstro, sente-se a sua presença), jogando também com superstições e pulsões sexuais recalcadas, num filme realizado no período em que a psicanálise estava na moda em Hollywood.


Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [11] 21:30
Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [15] 15:30

THE DIARY OF ANNE FRANK

O Diário de Anne Frank
de George Stevens
com Millie Perkins, Joseph Schildkraut, Shelley Winters, Richard Beymer, Lou Jacobi, Diane Baker, Ed Wynn
Estados Unidos, 1959 – 180 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Adaptação da peça de Frances Goodrich e Albert Hackett, escrita a partir do diário de Anne Frank, e sucesso na Broadway. Millie Perkins é Anne Frank, a jovem judia que viveu escondida num sótão para escapar à perseguição dos nazis, e acabaria por ser descoberta. Um filme marcado pela decisiva experiência de George Stevens na II Guerra, como realizador e cameraman ao serviço de uma unidade de propaganda do exército americano. Shelley Winters, com o seu papel de Mrs. Van Daan, ganhou o seu primeiro Óscar.


Sala M. Félix Ribeiro | Sáb. [13] 21:30
Sala Luís de Pina | Ter. [16] 18:30

THE SHINING 

Shining
de Stanley Kubrick
com Jack Nicholson, Shelley Duvall, Danny Lloyd, Scatman Crothers, Barry Nelson
Estados Unidos, 1980 – 142 min / legendado eletronicamente em português | M/16

A partir de um romance de Stephen King, Kubrick encenou uma das mais eficazes fábulas de horror: um escritor em crise de inspiração aceita o lugar de zelador de um hotel numa montanha, encerrado durante o inverno, e para lá se desloca com a mulher e o filho. Aí vai ser alvo de alucinações que o levam à loucura assassina virando-se contra a própria família. A apresentar em cópia digital.


Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [15] 19:00
Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [17] 15:30

THE WAR OF THE WORLDS

A Guerra dos Mundos
de Byron Haskin
com Gene Barry, Ann Robinson, Les Tremayne
Estados Unidos, 1953 – 85 min / legendado eletronicamente em português | M/6

Quinze anos depois da famosa adaptação radiofónica de Orson Welles que popularizou o romance de H.G. Wells junto do público americano, THE WAR OF THE WORLDS conhecia finalmente uma adaptação cinematográfica, pelas mãos de dois especialistas dos “special effects”, o produtor George Pal e o realizador Byron Haskin, e com um luxuoso technicolor. Par além do clima de medo criado pelo filme, com a invasão dos extraterrestres, THE WAR OF THE WORLDS é um reflexo e um comentário de outros medos, mais reais e palpáveis: a aniquilação nuclear, que a Guerra Fria tornara quase uma obsessão para muitos americanos. A apresentar em cópia digital.


Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [16] 19:00
Sala Luís de Pina | Qui. [18] 18:30

NAN VA KUCHE

“O Pão e a Rua”
de Abbas Kiarostami
com Reza Hashemi, Mahdi Shahravanfar
Irão, 1970 – 11 min / legendado eletronicamente em português

MASQ-E SHAB

“Trabalhos de Casa”
de Abbas Kiarostami
com Abbas Kiarostami e os estudantes da escola Shahid Massumi
Irão, 1989 – 85 min / legendado eletronicamente em português

duração total da projeção: 96 min | M/12

TRABALHOS DE CASA

O Pão e a Rua, primeiro filme produzido pela secção cinematográfica do Kanun e primeira obra de Kiarostami – uma pequena fábula sobre um miudo que tem que atravessar uma rua onde há um cão que lhe mete medo. Sobre TRABALHOS DE CASA referiu Kiarostami: ” MASQ-E SHAB é o meu trabalho menos convencional. Nessa altura, não considerava este trabalho um verdadeiro filme, considerava-o antes uma pesquisa pessoal. Quando “TRABALHOS DE CASA” passou nas salas e, depois, na televisão, teve uma influência positiva na nossa sociedade, nos professores, nos pais, muitos dos quais admitiram ter alterado os seus comportamentos em relação aos miúdos; eu próprio, graças a este filme, conheci melhor os meus filhos. Se há filmes capazes de exercer uma ação benéfica sobre os espectadores, acho que MASQ-E SHAB é um deles. No Irão, o filme foi proibido aos menores de dezasseis anos; foram os pais que o viram e que decretaram a sua importância” (Abbas Kiarostami). É um filme notável sobre a aprendizagem da disciplina, e sobretudo sobre a noção de “castigo”: vemos o medo espelhado no olhar dos miúdos que Kiarostami entrevista. A apresentar em cópia digital.


Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [16] 21:30
Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [18] 15:30

VILLAGE OF THE DAMNED

A Aldeia dos Malditos
de Wolf Rilla
com George Sanders, Barbara Shelley, Michael Gwynn
Reino Unido, 1960 – 77 min / legendado eletronicamente em português | M/12

O filme mais famoso do emigrado alemão Wolf Rilla, adaptando uma novela de John Wyndham. Numa aldeia algures em Inglaterra, uma nova geração de crianças revela poderes estranhos e especialmente maléficos, sendo completamente incapaz de sentir emoções normais. Rilla cria uma atmosfera excecional, que quase faz esquecer o fundo político (outra vez a Guerra Fria) que enforma as explicações narrativas. Refeito por John Carpenter nos anos 90.


Sala Luís de Pina | Qua. [17] 18:30
Sala Luís de Pina | Sex. [19] 18:30

ANGST – LA PAURA

O Medo
de Roberto Rossellini
com Ingrid Bergman, Mathias Wieman, Renate Mannhardt, Kurt Krueger
Alemanha, Itália, 1954 – 77 min / legendado em português | M/12

Se todos os filmes em que Rossellini dirigiu Ingrid Bergman refletem a relação que eles mantiveram, ANGST – LA PAURA representa o filme do fim e da separação. E é, talvez por isso, o mais perturbante de todos, porque se torna transparente que a personagem feminina é mesmo um duplo de Ingrid e a masculina, um alter-ego de Rossellini. É também um admirável exercício de suspense “à Hitchcock” num filme sobre a manipulação. Circularam duas cópias, uma com e outra sem “happy-end”. A apresentar em cópia digital.


Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [17] 19:00
Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [19] 15:30

I MARRIED A COMMUNIST

Casei com um Comunista
de Robert Stevenson
com Robert Ryan, Laraine Day, John Agar
Estados Unidos, 1949 – 73 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Feito numa altura particularmente intensa da paranoia anticomunista em Hollywood, I MARRIED A COMMUNIST permanece como um dos títulos mais célebres do período, contando a história de um ex-membro do Partido Comunista americano que continua, por chantagem, a ser manipulado pelo partido para atos “antipatrióticos”. O projeto foi pessoalmente lançado por Howard Hughes, na RKO, como forma de “provar” o seu empenho na luta anticomunista. Diz-se, também, que usou o argumento como forma de testar o “patriotismo” dos realizadores do seu estúdio, propondo-o sucessivamente a vários deles: Robert Stevenson teria sido o décimo-terceiro a ser sondado, e o primeiro a aceitar…


Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [18] 19:00
Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [22] 15:30

SNOW WHITE AND THE SEVEN DWARFS

Branca de Neve e os Sete Anões
de Walt Disney (correalizado com David Hard)
Estados Unidos, 1937 – 83 min / dobrado em português do Brasil | M/4

Foi a primeira longa-metragem de animação da história do cinema e, desde sempre, um dos maiores êxitos de bilheteira de Walt Disney. Reposto várias vezes, acompanhando (e conquistando) as novas gerações de espectadores, que deliram com as pequenas personagens dos anões, é um filme com momentos inesquecíveis, como os anões na mina de diamantes, a sua dança com Branca de Neve e a desesperada corrida para a salvarem das mãos da bruxa.


Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [18] 21:30
Sala Luís de Pina | Seg. [22] 18:30

RABID

de David Cronenberg
com Marilyn Chambers, Frank Moore, Joe Silver, Howard Ryshpan, Patricia Gage
Canadá, 1977 – 91min / legendado eletronicamente em português | M/16

Depois do sucesso de SHIVERS, Cronenberg voltou a filmar para a Cinepix uma história de estilo e temática semelhantes. Outra vez o terror, o sexo e a doença – e a ideia de um apocalipse criado em laboratório (anos mais tarde, na era da Sida, RABID seria citado vezes sem conta pelas suas características premonitórias). É a história de uma mulher que desenvolve um “apetite por sangue” na sequência de uma intervenção cirúrgica onde algo correu mal. O apetite vampiresco transmite-se depressa e, de vítima em vítima, chegar-se-á a uma grande epidemia. A “porn star” Marilyn Chambers é a protagonista, mas Cronenberg tinha inicialmente pensado na etérea Sissy Spacek.


Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [19] 19:00

VAMPYR

de Carl Th. Dreyer
com Julian West, Maurice Schultz, Sybille Schmitz
França, Alemanha, 1930 – 65 min / legendado eletronicamente em português | M/12

“Um filme de horror banhado numa claridade puríssima. Um filme sonoro que reinventa a noção de cinema mudo”. Assim se exprimiu Edgardo Cozarinsky sobre esta obra-prima de Carl Th. Dreyer, um dos filmes mais insólitos da história do cinema, poema de morte e ressurreição pela luz do cinema e inspirado no romance Carmilla de Sheridan le Fanu. “O filme que mais ecoa em mim”, declarou Jean-Marie Straub.


Sala M. Félix Ribeiro | Sáb. [20] 21:30
Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [24] 15:30

A CAÇA

de Manoel de Oliveira
Portugal, 1963 – 21 min

NIGHT OF THE LIVING DEAD

O Despertar dos Mortos Vivos
de George A. Romero
com Duane Jones, Judith O’Dea, Karl Hardman, Marilyn Eastman, Keith Wayne
Estados Unidos, 1968 – 96 min / legendado em espanhol

duração total da projeção: 117 min | M/16

NIGHT OF THE LIVING DEAD

É o primeiro filme de Romero e um filme de culto do género de terror, na altura considerado um expoente da estética gore: sete pessoas barricam-se numa velha casa de campo enquanto um exército de Zombies sedentos de sangue humano se ergue dos túmulos… Já longe do universo da magia negra do Pacífico, NIGHT OF THE LIVING DEAD estabeleceu a mitologia dos Zombies modernos enquanto mortos renascidos como criaturas canibais de destruição. A abrir a sessão veremos A CAÇA, poderosa alegoria sobre o destino humano em forma “semi documental”, que alguns defendem ser o mais “buñueliano” dos filmes de Manoel de Oliveira.


Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [22] 19:00
Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [23] 15:30

LE DIABLE PROBABLEMENT

de Robert Bresson
com Antoine Monnier, Tina Irissari, Henri de Maublanc, Laetitia Carcano
França, 1976 – 96 min / legendado em português | M/16

Penúltimo filme de Robert Bresson, LE DIABLE, PROBABLEMENT é talvez o mais terrível e desesperado de todos os seus filmes. Um olhar impiedoso sobre o mundo contemporâneo e a destruição da natureza e das formas de vida. Uma reflexão sombria feita a partir da descoberta de um cadáver, o corpo de um jovem cuja única resposta para o estado do mundo é o suicídio.


Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [22] 21:30
Sala Luís de Pina | Sex. [26] 18:30

DON’T LOOK NOW

Aquele Inverno em Veneza
de Nicolas Roeg
com Donald Sutherland, Julie Christie, Hilary Mason, Clelia Matania, Massimo Serato, Leopoldo Trieste
Reino Unido, Itália, 1973 – 109 min / legendado em português | M/16

O conto que o argumento adapta é de Daphne du Maurier. Lidando com a morte e o luto, o filme é um thriller, protagonizado por um casal que viaja para Veneza depois da morte acidental de uma filha e aí se instala durante um inverno em que conhece duas irmãs cujo caráter sinistro vai interferir com a sua vida. Estruturado em “flashbacks” e “flashforwards”, DON’T LOOK NOW é um título de culto da filmografia do terror nos meandros do oculto.


Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [22] 21:30
Sala Luís de Pina | Sex. [26] 18:30

DON’T LOOK NOW

Aquele Inverno em Veneza
de Nicolas Roeg
com Donald Sutherland, Julie Christie, Hilary Mason, Clelia Matania, Massimo Serato, Leopoldo Trieste
Reino Unido, Itália, 1973 – 109 min / legendado em português | M/16

O conto que o argumento adapta é de Daphne du Maurier. Lidando com a morte e o luto, o filme é um thriller, protagonizado por um casal que viaja para Veneza depois da morte acidental de uma filha e aí se instala durante um inverno em que conhece duas irmãs cujo caráter sinistro vai interferir com a sua vida. Estruturado em “flashbacks” e “flashforwards”, DON’T LOOK NOW é um título de culto da filmografia do terror nos meandros do oculto.


Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [23] 21:30
Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [25] 15:30

EL ESPIRITU DE LA COLMENA 

O Espírito da Colmeia
de Victor Erice
com Ana Torrent, Isabel Tellaria, Fernando Fernan-Gomez
Espanha, 1973 – 95 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Um dos melhores filmes espanhóis de sempre, construído à volta do mito de Frankenstein, recriado no espírito de uma criança depois de ver o filme de James Whale num cinema ambulante. O ESPÍRITO DA COLMEIA desenvolve-se na atmosfera deprimente e opressiva da província espanhola nos anos que se seguiram ao fim da Guerra Civil e ao mesmo tempo num clima algo irreal.


Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [24] 19:00

LE TESTAMENT DU DR. CORDELIER

O Testamento do Médico e do Monstro
de Jean Renoir
com Jean-Louis Barrault, Teddy Billis, Michel Vitold
França, 1959 – 91 min / legendado em português | M/12

Realizado para a televisão, esta variação do tema de Dr. Jekyll and Mr. Hyde foi duramente criticada à época. Mas, como escreveu Jean Douchet, “realizado no mesmo ano que LE DÉJEUNER SUR L’HERBE, LE TESTAMENT DU DR. CORDELIER é, ao mesmo tempo, o seu contrário e a sua cópia. Ao calor, à cor, ao aspeto carnal e sensual do primeiro, opõe o caráter gelado das suas imagens a preto e branco e do seu estilo abstrato e decantado. Um e outro podem ver e amar-se separadamente, mas só realmente se compreendem na sua perspetiva conjunta”. Para escrever a música, Renoir convidou o veterano Joseph Kosma.


Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [24] 21:30
Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [26] 15:30

FAIL SAFE

Missão Suicida
de Sidney Lumet
com Henry Fonda, Walter Matthau, Fritz Weaver
Estados Unidos, 1964 – 112 min | legendado eletronicamente em português | M/12

Praticamente contemporâneo de DR. STRANGELOVE, FAIL SAFE é quase a versão “séria” do filme de Kubrick. Em plena guerra fria, um erro de comunicações lança um esquadrão da Força Aérea americana em direção a Moscovo com um carregamento de bombas nucleares. Há um problema: os comandantes dos aviões estão instruídos a ignorar quaisquer contra-ordens. Henry Fonda interpreta o Presidente americano que tem que lidar com esta crise. Um filme notável, um dos melhores de Sidney Lumet, e um retrato asfixiante da ameaça da aniquilação nuclear.


Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [26] 19:00
Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [30] 15:30

IKIMONO NO KIROKU

“Viver no Medo”
de Akira Kurosawa
com Toshiro Mifune, Takashi Shimura, Minoru Chiaki
Japão, 1955 – 103 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Dez anos depois da explosão da bomba atómica em Hiroxima e Nagasaki, Akira Kurosawa assinava este poderoso filme, que dá conta das marcas psicológicas profundas que o acontecimento deixou na mentalidade japonesa. É a história de um homem tão obcecado com a possibilidade de uma guerra nuclear no Japão que pretende levar a família toda para uma quinta no Brasil, onde julga estarem a salvo. A família, tomando-o por louco, recorre aos tribunais para que estes o declarem irresponsável. Na Cinemateca, não é projetado desde a retrospetiva Kurosawa de 1993. A apresentar em cópia digital.


Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [26] 21:30
Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [29] 15:30

JAWS

Tubarão
de Steven Spielberg
com Roy Scheider, Robert Shaw, Richard Dreyfuss, Lorraine Gary
Estados Unidos, 1975 – 125 min / legendado eletronicamente em português | M/12

O mais famoso filme da década de 1970, aquele que impôs Spielberg e lançou a “onda” dos “blockbusters”. Variação do tema de Moby Dick, em que um tubarão assassino gigantesco semeia o pânico na costa americana do Pacífico e é alvo de uma caçada no alto mar, JAWS foi também um dos filmes mais lucrativos de sempre. A apresentar em cópia digital.


Sala M. Félix Ribeiro | Sáb. [27] 21:30
Sala Luís de Pina | Seg. [29] 18:30

A NIGHTMARE ON ELM STREET

de Wes Craven
com John Saxon, Ronee Blakley, Heather Langenkamp¸ Amanda Wyss, Johnny Depp
Estados Unidos, 1984 – 91 min / legendado eletronicamente em português | M/162

Um dos mais populares filmes de terror dos anos 80, baseados na personagem do serial killer Freddy Krueger, capaz de atacar e de matar raparigas adolescentes através dos seus sonhos. Uma das frases publicitárias de A NIGHTMARE ON ELM STREET é eloquente: “Sleep Kills”. Johnny Depp tem aqui o seu primeiro papel.


Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [29] 21:30
Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [31] 15:30

L’ORRIBILE SEGRETO DEL DR. HITCHCOCK

“O Horrível Segredo do Dr. Hichcock”
de Riccardo Freda
com Barbara Steele, Robert Flemyng, Silvano Tranquilli, Maria Teresa Vianello
Itália, 1962 – 88 min / legendado em espanhol | M/12

Embora anterior um ano ao filme que inaugura “oficialmente” o “giallo”, LA RAGAZZA CHE SAPEVA TROPPO, de Mario Bava, este filme de Riccardo Freda pode considerar-se como “premonitório”, sendo também, em parte responsável pela “moda”. Deve muita da sua fama ao singular título (“Hichcock”, numa referência ao mestre do suspense Hitchcock). O seu “horrível” segredo é a necrofilia, usando drogas na mulher para jogos funerários.


Sala Luís de Pina | Ter. [30] 18:30
Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [31] 21:30

PEEPING TOM

A Vítima do Medo
de Michael Powell
com Karlheinz Bohm, Moira Shearer, Anna Massey
Reino Unido, 1960 – 101 min / legendado eletronicamente em português | M/12

O filme “maldito” de Michael Powell, que deu cabo da sua carreira e a que só muito tempo depois se prestaram as devidas honras. Um dos mais intensos estudos sobre a paranoia e também sobre o cinema, através da história de um jovem cineasta amador cuja obsessão pela morte o transforma num assassino para filmar in extremis as reações das vítimas. A apresentar em cópia digital.


Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [30] 19:00
Sala Luís de Pina | Qua. [31] 18:30

AN UNSEEN ENEMY

de D.W. Griffith
com Lillian Gish, Dorothy Gish, Grace Henderson, Robert Harron
Estados Unidos, 1912 – 16 min / mudo, com intertítulos em inglês legendados eletronicamente em português

HALLOWEEN 

O Regresso do Mal
de John Carpenter
com Jamie Lee Curtis, Donald Pleasence, Nancy Loomis
Estados Unidos, 1978 – 91 min / legendado em português

duração total da projeção: 107 min | M/16

AN UNSEEN ENEMY

AN UNSEEN ENEMY, o filme de estreia das irmãs Gish no cinema de Griffith já durante o seu período de maturidade na Biograph Company, encena uma situação de cerco a duas raparigas na sua própria casa, assente numa estrutura de montagem paralela. A contiguidade espacial dos compartimentos em que a ação decorre dá lugar a um famoso plano em que um orifício numa parede assume a posição central. É um dos mais lendários títulos de John Carpenter: HALLOWEEN não foi apenas um gigantesco sucesso crítico e comercial, foi também uma obra que diretamente influenciou quase todo o “cinema de terror” que se fez depois – e explícita ou implicitamente citada em incontáveis “horror movies” das últimas décadas. Carpenter, que confessadamente colhera em RIO BRAVO (de Hawks) a inspiração fundamental para o seu anterior filme, ASSAULT ON PRECINCT 13, partiu aqui da memória do PSYCHO de Hitchcock. E de facto, HALLOWEEN é um dos raros grandes “filmes do medo” que se fizeram depois de Hitch. Perguntaram a Carpenter se era um filme de terror “teórico”; e Carpenter respondeu: “sim, completamente”.

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