Dois nomes destacam-se no riquíssimo cinema norte-americano dos anos setenta e na Nova Hollywood que veio a substituir, com o aproximar da década, a envelhecida geração dos grandes estúdios: Warren Beatty e Elaine May. Beatty ficou na sua história como a estrela-galã que superava os estúdios e dominava os projetos e as vidas em que participava, unindo política e sexo num mesmo caminho (entre a vida pessoal e filmes) para se tornar, na sua posição de ator-produtor-realizador, na consciência hedonista e artística de uma geração. May, uma lenda da comédia e da improvisação (fez das duplas cómicas mais célebres do século XX com Mike Nichols, cujos filmes também incluímos neste Ciclo), trabalhou, ao contrário de Beatty, na sombra da indústria, escondida entre pseudónimos e colaborações com outros nomes (muitas vezes não creditada). No entanto, as suas histórias cruzam-se nessa década, entre todas as relações que a construíram, e viriam a cimentar uma relação de amizade e de trabalho que muito contribuiu, nos anos setenta, para vermos nascer um “cinema adulto” hoje desaparecido, no século XXI, nessa mesma indústria. Tanto em tons dramáticos ou cómicos, filmes de ou com Warren Beatty e Elaine May (duas mentes obsessivas, dois secretos sentimentais, dois apaixonados pela comédia “screwball”) eram filmes em que as histórias espelhavam a turbulência e o excesso da época, os seus desejos e as suas angústias (às vezes um pouco mais), reinventado a maneira de se fazer filmes e das suas personagens se poderem mostrar, no grande écran, sem medo do ridículo, do falhanço, ou de tentarem fazer política a partir da intimidade e de momentos do quotidiano. THE HEARTBREAK KIDS é um Ciclo que apresenta, assim, uma seleção das suas obras e das suas colaborações (seja como atores, argumentistas, produtores, ou realizadores, muitas vezes a cumprir todos esses papéis num só filme, oficial ou não-oficialmente), tanto em conjunto como separadamente, com exceção de REDS (1981), célebre filme de Beatty (escrito com Elaine May) que será exibido no contexto de um Ciclo, ainda este ano, alusivo ao centenário da revolução soviética e à sua presença na História do cinema. BONNIE AND CLYDE (1967), filme-chave da Nova Hollywood e primeiro projeto, de Warren Beatty, em que este assume o papel de produtor-mentor, será o ponto de cruzamento com o Ciclo “O ano de 1967 – Terras em Transe”, que irá trazer um olhar sobre as revoluções anunciadas, nesse ano, através dos seus filmes.


Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [1] 19:00

LILITH

Lilith e o seu Destino
de Robert Rossen
com Warren Beatty, Jean Seberg, Peter Fonda, Kim Hunter, Gene Hackman
Estados Unidos, 1964 – 114 min / legendado eletronicamente em português | M/18

Filme que ficou marcado, na carreira de Warren Beatty, pela tensão com o realizador Robert Rossen, e que lhe viria a sublinhar a necessidade de controlo sobre os seus projetos. A última realização de Robert Rossen é, no entanto, um tocante e comovente filme: uma adaptação de um romance de J.R. Salamanca que tem por cenário um hospício onde um jovem estagiário se apaixona por uma perturbante jovem ali internada (Jean Seberg) e onde, progressivamente, vai ele próprio deslizando para a loucura. Possivelmente o filme definitivo sobre a passagem dessa frágil fronteira entre a razão e a loucura, a que Rossen dá uma estranha atmosfera poética, valorizada pela singular fotografia de mestre Eugen Schüfftan.


Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [1] 21:30
Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [2] 15:30

THE HEARTBREAK KID

Casei-me por Engano
de Elaine May
com Charles Grodin, Cybill Shepherd, Jeannie Berlin
Estados Unidos, 1972 – 106 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Talvez o filme mais popular de Elaine May, realizado no ano seguinte do não menos divertido A NEW LEAF, com a participação, desta vez, de Charles Grodin no papel de homem intragavelmente interesseiro e cínico com os seus interesses amorosos (Jeannie Berlin, filha de Elaine May, no papel da rapariga inocente e popularucha, Cybill Shepherd com idílica e aristocrata paixão). Um olhar humorístico sobre a diferença de classes, os seus papéis sociais, e a recorrente inutilidade de um macho que apenas vive para tentar manter aparências que não tem. THE HEARTBREAK KID, feito de embaraços e constrangimentos de personagens demasiado trapalhonas e cínicas, é uma comédia inovadora e influente nos padrões cómicos contemporâneos. Primeira exibição na Cinemateca.


Sala M. Félix Ribeiro | Sáb. [3] 21:30

MICKEY ONE

de Arthur Penn
com Warren Beatty, Alexandra Stewart, Hurd Hatfield, Franchot Tone, Kamatari Fujiwara
Estados Unidos, 1965 – 93 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Um dos filmes mais complexos de Arthur Penn, de tons dramáticos e surrealistas, e um dos mais singulares do cinema americano dos anos sessenta (ou os primeiros traços da Nova Hollywood). Warren Beatty é um cómico de “stand-up”, em fuga da máfia, que tenta reinventar-se na indústria do entretenimento, mergulhando num percurso de perseguições, paranoia, e insegurança, refletindo, nessa personagem, o ambiente social e político em que a época mergulhava. Numa obra onde o jazz e a improvisação têm as suas influências claras, destaca-se, também, a presença de Béla Bartók, Stan Getz e Eddie Sauter na banda sonora.


Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [6] 15:30
Sala Luís de Pina | Sex. [9] 22:00

MCCABE & MRS. MILLER

A Noite Fez-se Para Amar
de Robert Altman
com Warren Beatty, Julie Christie
Estados Unidos, 1971 – 111 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Uma visão “desglamourizada” do Old West, na linha do western revisionista da década de setenta, com um casal-estrela dessa mesma década: Warren Beatty e Julie Christie (que voltaria a filmar com Robert Altman em NASHVILLE). McCabe e Mrs. Miller são sócios na exploração de uma taberna-bordel numa região mineira da Califórnia, mas o desenvolvimento do local, devido à riqueza aurífera, atrai a atenção de grandes corporações que querem tudo comprar, incluindo o negócio do casal, com consequências dramáticas. Fotografia do mítico Vilmos Zsigmond e banda sonora do não menos ilustre Leonard Cohen, num dos filmes mais celebrados dos anos setenta americanos. A apresentar em cópia digital.


Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [7] 21:30

A NEW LEAF

Vida Nova
de Elaine May
com Elaine May, Walter Matthau
Estados Unidos, 1971 – 102 min / legendado eletronicamente em português | M/12

“Never have I seen one woman in whom every social grace was so lacking. Did I say she was primitive? I retract that. She’s feral. I’ve never spent a more physically destructive evening in my life. I am nauseated. I limp. And I can feel my teeth rotting away from an excess of sugar that no amount of toothpaste can dislodge. That woman is a menace not only to health, but to western civilization as we know it.” Palavras de Walter Matthau, e escritas por Elaine May, que são não apenas sobre a personagem absolutamente trapalhona que a realizadora interpretaria no seu primeiro filme, como, também, uma entrada privilegiada para conhecer a sua comédia do ridículo, feita de improvisação e de poder subliminarmente feminista, onde o mundo masculino é incapaz de viver à altura da sua própria imagem. A obra-prima cómica de Elaine May ou, se preferirmos, uma comédia negra que segue a história de um herdeiro dissoluto e sem dinheiro que procura uma herdeira para casar e depois matar.


Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [9] 15:30
Sala Luís de Pina | Seg. [12] 22:00

THE PARALLAX VIEW

A Última Testemunha
de Alan J. Pakula
com Warren Beatty, Hume Cronyn, William Daniels, Paula Prentiss
Estados Unidos, 1974 – 102 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Warren Beatty junta-se a Alan J. Pakula, autor de KLUTE (1971) e ALL THE PRESIDENT’S MEN (1976), para criar um retrato vivo da paranoia política da democracia norte-americana e, também, um dos “thrillers” mais emblemáticos da sua história. No papel de um jornalista que investiga o assassinato de um senador, Beatty descobre aquilo que parece ser uma teia de interesses, por trás de uma corporação, com uma influência dramática no rumo dos acontecimentos políticos do país. Um papel que espelha o ativismo político do ator e que responde ao seu próprio envolvimento em várias campanhas eleitorais, nos EUA, ao longo de várias décadas. Colaboração não-creditada com Robert Towne e fotografia de Gordon Willis.


Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [12] 21:30

ALL FALL DOWN

O Anjo de Violência
de John Frankenheimer
com Warren Beatty, Eva Marie Saint, Karl Malden, Angela Lansbury
Estados Unidos, 1962 – 111 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Numa nova adaptação de uma peça de William Inge (depois de SPLENDOR IN THE GRASS, de Elia Kazan), Warren Beatty retoma o papel de um “rapaz bonito” em conflito com os seus pais, numa província norte-americana, e numa versão sedutora e hedonista – um papel de herói-vilão que sempre interpretou, em várias versões e com a mesma fragilidade, ao longo de toda a sua carreira. Terceira longa-metragem de John Frankenheimer (THE MANCHURIAN CANDIDATE, GRAND PRIX, RONIN).


Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [14] 15:30
Sala Luís de Pina | Sex. [16] 18:30

THE FORTUNE

Uma Fortuna Por Água Abaixo
de Mike Nichols
com Warren Beatty, Jack Nicholson, Stockard Channing
Estados Unidos, 1975 – 88 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Uma paródia que surge como um certo contraponto ao charmoso duo Paul Newman-Robert Redford (e filmes como BUTCH CASSIDY AND THE SUNDANCE KID ou THE STING), THE FORTUNE junta três grandes nomes da época — o realizador Mike Nichols e os atores e amigos Warren Beatty e Jack Nicholson —, em papéis pouco edificantes de dois vigaristas, nos anos vinte, que tentam roubar a fortuna de uma jovem mulher (Stockard Channing, no seu primeiro papel). Um filme que parte de um argumento de Carole Eastman (argumentista de FIVE EASY PIECES, aqui com o pseudónimo Adrien Joyce), e que foi largamente improvisado pelos três intervenientes (hoje aclamado como uma das maiores influências dos irmãos Coen). Primeira exibição na Cinemateca.


Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [16] 15:30
Sala Luís de Pina | Seg. [19] 22:00

MIKEY AND NICKY

Jogo Mortal
de Elaine May
com Peter Falk, John Cassavetes, Ned Beatty
Estados Unidos, 1976 – 88 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Escrito e realizado por Elaine May (a sua terceira longa-metragem), MIKEY AND NICKY é uma bonita história de amizade, crime, e traição entre dois homens num contexto urbano e noturno, sendo a única que não assenta na comédia (assemelhando-se, em vários pontos, aos filmes interpretados por Peter Falk e John Cassavetes e realizados por este último). Depois deste filme, uma obra policial que se tornou uma homenagem aos seus dois atores, May não voltaria a filmar durante dez anos, fruto dos seus duros conflitos com a Paramount e de um método financeiramente inviável: sem cortes na filmagem, tempo aberto à improvisação, e inúmeras repetições de planos (diz-se que May filmou mais metros de película do que os que se filmaram em E TUDO O VENTO LEVOU). Por outras palavras, um filme livre. Primeira exibição na Cinemateca.


Sala M. Félix Ribeiro | Sáb. [17] 21:30
Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [30] 15:30

BONNIE AND CLYDE

Bonnie e Clyde
de Arthur Penn
com Warren Beatty, Faye Dunaway, Michael J. Pollard, Gene Hackman, Estelle Parsons, Gene Wilder
Estados Unidos, 1967 – 111 min / legendado eletronicamente em português | M/16

Há um antes e depois, em Hollywood, com BONNIE AND CLYDE. O projeto andou a circular entre François Truffaut e Jean-Luc Godard (sinal da ligação da Nova Hollywood à Nova Vaga francesa) até cair nas mãos de Warren Beatty, que avançou, como ator e produtor, para a sua concretização (nunca deixando de cumprir esse papel até ao fim da carreira). O filme, um olhar renovado sobre a história do mítico casal de bandidos, e inicialmente um projeto em que poucos apostavam, veio a tornar-se num tremendo sucesso popular e num dos mais brilhantes exemplos da contracultura norte-americana a tomar conta de uma indústria envelhecida. Atores novos e carismáticos (Beatty, Faye Dunaway, Gene Hackman, Gene Wilder), uma montagem por vezes frenética, e um final cuja violência falava por toda a raiva sentida num país em guerra consigo mesmo. Também programado em “O Ano de 1967 – Terras em Transe”.


Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [19] 15:30
Sala Luís de Pina | Ter. [20] 22:00

HEAVEN CAN WAIT

O Céu Pode Esperar
de Warren Beatty, Buck Henry
com Warren Beatty, Julie Christie, James Mason, Jack Warden, Charles Grodin, Dyan Cannon
Estados Unidos, 1978 – 101 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Talvez só Warren Beatty pudesse ter conseguido financiar um filme como este, escrito com Elaine May (com quem partilhou a nomeação para o Óscar de Melhor Argumento Adaptado), e só uma década, como a dos anos setenta, teria deixado que fosse feito — e fazer de HEAVEN CAN WAIT um enorme sucesso. Naquela que é a sua primeira (assumida) realização, Beatty faz o papel de um jogador de futebol americano (um papel inicialmente pensado para Muhammad Ali) que morre, por engano dos céus, e regressa à terra no corpo de um multimilionário que se torna alvo de uma conspiração, na sua família, para ser assassinado. Com a participação de Julie Christie (uma das mulheres da vida de Beatty), HEAVEN CAN WAIT (nove nomeações para Óscares) tornou-se uma tocante comédia sobre um homem que não quer passar ao lado do amor da sua vida.


Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [21] 15:30
Sala Luís de Pina | Qui. [22] 22:00

ISHTAR

de Elaine May
com Warren Beatty, Dustin Hoffman, Isabelle Adjani, Charles Grodin, Jack Weston
Estados Unidos, 1987 – 107 min / legendado eletronicamente em português | M/6

Onze anos depois de MIKEY AND NICKY, e como agradecimento pelo trabalho no argumento de REDS (filme de Warren Beatty que apresentaremos, ainda este ano, num Ciclo sobre a revolução soviética no cinema), Beatty ofereceu a realização deste filme a Elaine May, um projeto de vários milhões de dólares e de rodagem internacional. A história de uma dupla de músicos quarentões frustrados (Rogers & Clarke), interpretada por Beatty e Dustin Hoffman (com hilariantes e péssimas melodias e letras de Elaine May e Paul Williams), acabaria por ser um dos maiores fracassos comerciais na história do cinema americano (as repetições obsessivas de May e do próprio Beatty foram apenas uma das muitas causas). No entanto, ISHTAR e o seu humor de “mau gosto” (totalmente rejeitado na época) é hoje visto como uma inteligentíssima comédia política sobre os EUA e o Médio Oriente, onde ninguém escapa a um retrato ridículo do estado do mundo e dos seus vários agentes políticos.


Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [22] 15:30
Sala Luís de Pina | Sex. [23] 22:00

DICK TRACY

de Warren Beatty
com Warren Beatty, Madonna, Al Pacino
Estados Unidos, 1990 – 105 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Depois de uma década dividida entre duas rodagens (a longuíssima de REDS e ISHTAR) e campanhas presidenciais, Beatty entra na década de noventa com toda a força e uma nova obsessão pessoal: Madonna. Ao juntá-la a Al Pacino, e interpretando o papel principal, Beatty adapta a popular banda-desenhada do detetive Dick Tracy, fazendo dela um dos maiores sucessos populares e críticos da sua carreira. DICK TRACY é, ainda hoje, um dos exemplos mais curiosos de adaptação de uma banda-desenhada (antes da chegada do CGI), do respeito pelo seu espírito plástico e artesanal, e de um autor que sempre optou por projetos contra a corrente mais esperada da indústria.


Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [23] 15:30
Sala Luís de Pina | Seg. [26] 22:00

BUGSY

de Barry Levinson
com Warren Beatty, Annette Bening, Harvey Keitel, Ben Kingsley, Joe Mantegna
Estados Unidos, 1991 – 136 min / legendado eletronicamente em português | M/16

Beatty encadeia o sucesso de DICK TRACY com BUGSY, outro filme sobre gangsters aclamado pela Academia (sobre o “carismático” Bugsy Siegel). Não é difícil entender a atração de Beatty pelo projeto: aqui, interpreta o papel de um mafioso poderoso que se deixou atrair pela indústria de Hollywood, pelos filmes, e pelo estado político do mundo (com envolvimento em “complots” para assassinar figuras do fascismo europeu); alguém creditado, também, como um dos maiores responsáveis pela criação de uma cidade no meio de um deserto (Las Vegas). Beatty sublinha, como sempre, as ligações entre sexo, política, e cinema, destacando-se, também, a presença de Annette Bening num dos seus primeiros papéis, uma paixão que terminou, na sua vida pessoal, com todas as outras. Primeira exibição na Cinemateca.


Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [23] 21:30

SHAMPOO

de Hal Ashby
com Warren Beatty, Julie Christie, Goldie Hawn, Lee Grant, Jack Warden, Tony Bill, Carrie Fisher
Estados Unidos, 1975 – 102 min / legendado eletronicamente em português | M/16

Warren Beatty junta-se, de novo, ao argumentista Robert Towne (CHINATOWN, THE PARALLAX VIEW) para concretizar aquele que terá sido o projeto mais biográfico de toda a sua carreira: SHAMPOO, obra-prima de Hal Ashby na qual o ator colocou toda a sua influência. De situações e diálogos chocantemente verdadeiros (e impraticáveis nos padrões da indústria atual), Beatty recria a história de um cabeleireiro de sucesso, em Los Angeles, que se deita todos os dias com amigas e clientes pelo prazer e por uma busca incessante de um amor que não quer deixar escapar. Situado no dia da primeira eleição de Richard Nixon para a presidência dos EUA, SHAMPOO é uma extraordinária comédia sexual e política, e de memoráveis interpretações, sobre o fim de uma época e os falhanços de toda uma geração. A apresentar em cópia digital. Primeira exibição na Cinemateca. 


Sala M. Félix Ribeiro | Sáb. [24] 21:30

BULWORTH

Bulworth – Candidato em Perigo
de Warren Beatty
com Warren Beatty, Halle Berry, Don Cheadle, Oliver Platt, Paul Sorvino, Jack Warden, Isaiah Washington
Estados Unidos, 1998 – 108 min / legendado em português | M/12

Um dos retratos mais honestos e invulgares da política norte-americana (e fruto da sua enorme desilusão com esta). Beatty criou o papel de um senador norte-americano que abandonou os seus princípios progressistas para se vender aos patrocínios de grandes corporações e alimentar, na sua fachada pública, uma vida familiar feliz com a sua mulher. A dado momento, decide mandatar um assassínio sobre a sua própria vida e tornar a sua campanha eleitoral num exercício demente de transparência, perante os seus eleitores, e numa conversão às causas da comunidade afro-americana e a sua cultura (com uma delirante adoção da linguagem musical e verbal do rap). “Everybody should fuck everybody until everyone is all the same color”. Beatty nunca se desprotegeu tanto como neste filme. Primeira exibição na Cinemateca. 


Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [26] 15:30
Sala Luís de Pina | Ter. [27] 18:30

THE BIRDCAGE

Casa de Doidas
de Mike Nichols
com Robin Williams, Nathan Lane, Gene Hackman, Dianne Wiest, Dan Futterman, Calista Flockhart, Hank Azaria
Estados Unidos, 1996 – 117 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Depois do desastre comercial de ISHTAR, Elaine May seria definitivamente afastada dos lugares de realização na indústria do cinema, continuando um trabalho, nos bastidores, como argumentista e “script doctor” de vários sucessos populares. THE BIRDCAGE é um regresso às colaborações com a outra parte do seu celebradíssimo duo cómico: Mike Nichols. Adaptação da conhecida peça de Jean Poiret (La cage aux folles), o humor delirante e absurdo de May serviu na perfeição as interpretações dos seus atores (em especial o trio Robin Williams-Nathan Lane-Hank Azaria), sem esquecer o recorrente retrato da separação de classes e das diferenciações dos seus papéis sociais. Primeira exibição na Cinemateca.


Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [27] 15:30
Sala Luís de Pina | Qua. [28] 22:00

PRIMARY COLORS

Escândalos do Candidato
de Mike Nichols
com John Travolta, Emma Thompson, Billy Bob Thornton, Adrian Lester, Maura Tierney, Kathy Bates
Estados Unidos, 1998 – 143 min / legendado em português | M/12

Inspirado na primeira campanha presidencial de Bill Clinton e nos seus escândalos extraconjugais (e a partir de um livro anónimo publicado sobre esse acontecimento, entretanto atribuído ao jornalista Joe Klein), Elaine May escreveu, depois de THE BIRDCAGE, um novo filme para o seu cúmplice profissional Mike Nichols. PRIMARY COLORS é um olhar cómico e impiedoso sobre a carismática e triste figura da maior vedeta do país, da sua “entourage” familiar e profissional, e de uma forma de fazer política cada vez mais próxima do fascínio mediático dos seus votantes e cada vez mais longe das suas verdadeiras aspirações. Um trabalho que valeu a Elaine May a sua segunda nomeação para o Óscar de Melhor Argumento Adaptado. Primeira exibição na Cinemateca.


Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [27] 19:00
Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [29] 15:30

SPLENDOR IN THE GRASS

Esplendor na Relva
de Elia Kazan
com Warren Beatty, Natalie Wood, Barbara Loden, Pat Hingle, Audrey Christie, Fred Stewart
Estados Unidos, 1961 – 124 min / legendado em espanhol | M/12

SPLENDOR IN THE GRASS adapta uma peça de William Inge que gira à volta dos recalcamentos sexuais (como acontecia em Picnic, peça do mesmo autor, também adaptada ao cinema). Neste caso, as personagens são dois adolescentes à descoberta do amor no fim da década de vinte. Elia Kazan constrói um dos mais dilacerantes e belos poemas de amor no cinema, dando a Warren Beatty e a Natalie Wood os papéis das suas vidas. A sequência em que se invoca o poema que dá o título ao filme é um dos momentos mais perfeitos da História do cinema.


Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [28] 15:30
Sala Luís de Pina | Qui. [29] 18:30

SMALL TIME CROOKS

Vigaristas de Bairro
de Woody Allen
com Woody Allen, Tracey Ullman, Elaine May, Hugh Grant, Michael Rapaport, Jon Lovitz, Tony Darrow
Estados Unidos, 2000 – 94 min / legendado em português | M/12

Um dos filmes menos evocados de Woody Allen mas, ainda assim, uma das suas obras mais divertidas dos últimos anos. Allen faz o papel de um homem pacato de New Jersey que parece descobrir o caminho certo para assaltar um banco (pela cave da loja de bolachas da sua mulher, uma extraordinária Tracey Ullman). Elaine May, tão atrapalhada e trapalhona como sempre, é a sua péssima conselheira familiar, enquanto que todos os envolvidos sofrem de uma súbita mudança de estatuto social (e de números na conta bancária). Uma comédia de classes e de aparências que junta a melhor comédia de “one-liners” de Woody Allen ao desajustamento de May nas suas divertidas personagens.


Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [30] 21:30

RULES DON’T APPLY

de Warren Beatty
com Warren Beatty, Lily Collins, Alden Ehrenreich, Haley Bennett, Taissa Farmiga, Paul Sorvino, Matthew Broderick, Candice Bergen, Martin Sheen, Annette Bening
Estados Unidos, 2016 – 94 min / legendado eletronicamente em português | M/12

O último filme de Warren Beatty é o resultado de uma longa obsessão do ator e realizador: Howard Hughes, mítico produtor de cinema e um dos nomes maiores da história de Hollywood. RULES DON’T APPLY, com Beatty a fazer de Hughes, é, mais uma vez, a história de um dos seus mais lendários atores a servir-se de outros mitos, na história do seu país, para olhar-se ao espelho e, pelo caminho, encarnar a sua lenda, a sua ambição, as suas seduções, e os seus falhanços. Primeira exibição na Cinemateca.

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