Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [29] 21:30

O FACTOR PREMINGER

ADVISE AND CONSENT

Tempestade Sobre Washington
de Otto Preminger
com Henry Fonda, Don Murray, Charles Laughton, Walter Pidgeon, Gene Tierney, Franchot Tone, Lew Ayres, Burgess Meredith
Estados Unidos, 1962 – 135 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Baseado num “best-seller” de Albert Drury, ADVISE AND CONSENT aborda, de modo muito diferente, o mesmo tema de MR. SMITH GOES TO WASHINGTON de Capra. Preminger também foca a demagogia no interior do Senado americano, transformado numa espécie de tribunal, com críticas mordazes ao maccarthismo da década anterior (os anos cinquenta). Foi um dos primeiros filmes a abordar explicitamente o tema da homossexualidade masculina, em cenas à época discutidíssimas e que então foram cortadas pela censura portuguesa.


Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [30] 19:00

ALMADA, DA DANÇA DAS FORMAS À IMAGINAÇÃO

PPROJEÇÃO DE VIDROS DE ALMADA

Portugal, 1929 – 5 min / projeção muda com lanterna mágica

LA LANTERNE MAGIQUE

de Georges Méliès
França, 1903 – 5 min / mudo

DIE ABENTEUER DES PRINZEN ACHMED

As Aventuras do Príncipe Achmed
de Lotte Reiniger, Carl Koch
Alemanha, 1926 – 55 min / mudo, intertítulos em inglês, legendados eletronicamente em português

O NAUFRÁGIO DA ÍNSUA

de José de Almada Negreiros
Portugal, 1934 – 10 min / mudo, intertítulos em português, legendados em inglês

duração total da projeção: 75 min | M/6

Sessão com apresentação | Com acompanhamento ao piano por Filipe Raposo

Georges Méliès foi, para Almada, um dos grandes génios do cinema. Nas suas maravilhosas “féeries” encontramos vários dos motivos presentes no trabalho de Almada, que convocamos para esta sessão através de LA LANTERNE MAGIQUE, filme animado por um Pierrot que nos leva às origens do cinema. Inteiramente realizado em sombras chinesas num verdadeiro prodígio de artesanato, DIE ABENTEUER DES PRINZEN ACHMED relaciona-se muito diretamente com seis quadros para lanterna mágica com desenhos recortados e pintados por Almada Negreiros, parte integrante da obra de 1929 La tragedia de Doña Ajada, que tinha também uma componente musical e outra literária. Os desenhos foram fotografados em placas de vidro pintadas, descobertas já depois da inauguração da exposição na Gulbenkian e são apresentadas pela primeira vez desde essa altura em projeção através de uma lanterna mágica. A encerrar a sessão, O NAUFRÁGIO DA ÍNSUA, falsa lanterna mágica ou falso cinema produzido por Almada para animar as noites das férias em Moledo em 1934, cujos 64 desenhos de grande formato foram transpostos para vídeo.


Sala Luís de Pina | Qua. [31] 21:30

CINEMA PORTUGUÊS: NOVOS OLHARES – III

MATES

de António da Silva
Reino Unido, Portugal, 2011 – 5 min

JULIAN

de António da Silva
Reino Unido, Portugal, 2012 – 10 min

OLYMPIA I & II

de Gabriel Abrantes, Katie Widloski
com Gabriel Abrantes, Katie Widloski
EUA, 2006 – 9 min / legendado eletronicamente em português

VISIONARY IRAQ

de Gabriel Abrantes, Benjamin Crotty
com Gabriel Abrantes, Benjamin Crotty
Portugal, 2008 – 18 min / legendado eletronicamente em português

A HISTORY OF MUTUAL RESPECT

de Gabriel Abrantes, Daniel Schmidt
com Gabriel Abrantes, Daniel Schmidt, Joana Nascimento
Portugal, 2010 – 23 min / legendado em português

THE HUNCHBACK

de Gabriel Abrantes, Ben Rivers
com Carloto Cotta, Gustavo Sumpta, Celia Williams
Portugal, França, 2016 – 30 min / legendado em português

A BRIEF HISTORY OF PRINCESS X

de Gabriel Abrantes
com Joana Barrios, Francisco Cipriano, Filipe Vargas
França, Portugal, Reino Unido, 2016 – 7 min

duração total da projeção: 102 min | M/12

VISIONARY IRAQ

Numa mesma sessão, dois dos autores que maiores barreiras têm quebrado no cinema português dos últimos anos. António da Silva, autor radicado em Londres, apresenta, com MATES e JULIAN, duas obras de uma carreira longa e autoproduzida que muito tem olhado para os detalhes explícitos e íntimos das relações casuais e amorosas da comunidade homossexual. Gabriel Abrantes desconstrói, por sua vez, o olhar normativo do espectador sobre a história da arte, do cinema, e dos seus diferentes géneros, oferecendo um dos percursos mais originais do cinema português recente. Com a exceção de UMA BREVE HISTÓRIA DA PRINCESA X, todos os filmes são primeiras exibições na Cinemateca.


Sala Luís de Pina | Qui. [01 de julho] 18:30

CINEMA PORTUGUÊS: NOVOS OLHARES – IV

DEBATE

Terceiro dos debates mensais com a presença de autores de filmes exibidos no Ciclo. No primeiro dia de junho conversamos com autores dos filmes apresentados em maio, a quem são propostas intervenções sobre temas que têm sido recorrentes desde o início da mostra – perspetiva sore o seu percurso individual, perceção (ou não) de integração num percurso coletivo, leituras transversais dos filmes exibidos, questões relativas ao contexto de criação… No final, a conversa é aberta a todos os presentes.


Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [02 de julho] 15:30

THE HEARTBREAK KIDS: WARREN BEATTY & ELAINE MAY

THE HEARTBREAK KID

Casei-me Por Engano
de Elaine May
com Charles Grodin, Cybill Shepherd, Jeannie Berlin
Estados Unidos, 1972 – 106 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Talvez o filme mais popular de Elaine May, realizado no ano seguinte do não menos divertido A NEW LEAF, com a participação, desta vez, de Charles Grodin no papel de homem intragavelmente interesseiro e cínico com os seus interesses amorosos (Jeannie Berlin, filha de Elaine May, no papel da rapariga inocente e popularucha, Cybill Shepherd com idílica e aristocrata paixão). Um olhar humorístico sobre a diferença de classes, os seus papéis sociais, e a recorrente inutilidade de um macho que apenas vive para tentar manter aparências que não tem. THE HEARTBREAK KID, feito de embaraços e constrangimentos de personagens demasiado trapalhonas e cínicas, é uma comédia inovadora e influente nos padrões cómicos contemporâneos. Primeira exibição na Cinemateca.


Sala Luís de Pina | Sáb. [03 de julho] 18:30

HOMENAGEM A ANDREA TONACCI 
EM COLABORAÇÃO COM OS ENCONTROS CINEMATOGRÁFICOS DO FUNDÃO

OLHO POR OLHO

com Daniele Gaudin, Fábio Sigolo, Francisco Arruda

BLABLABLA

com Paulo Gracindo, Nelson Xavier, Irma Alvarez

BANG BANG

com Paulo César Pereio, Abraaão Farc, Ezequiel Marques
de Andrea Tonacci

Brasil, 1966, 1968 e 1971 – 20, 28 e 93 min

duração total da projeção: 141 min | M/12

BANG BANG

Na primeira fase da sua carreira, como cineasta do “underground” brasileiro, em São Paulo, Andrea Tonacci realizou alguns filmes extremamente originais, que absorvem as formas da Nouvelle Vague e do underground americano. OLHO POR OLHO sintetiza esta dupla filiação, numa ficção que acompanha personagens de grande violência e irracionalidade. Segundo filme de Tonacci, BLABLABLA é um brilhante panfleto político, em que Tonacci contrapõe o discurso fascista de um ditador, não muito diferente do de alguns generais brasileiros, imagens de arquivo e imagens encenadas de um grupo de guerrilheiros em ação. Deste modo, o realizador contrapõe o vazio da palavra, sublinhado pelo título do filme e a urgência da ação política. Mais lúdico, BANG BANG mostra-nos um homem que percorre São Paulo às voltas com acontecimentos que escapam ao seu controle.  Filmado a preto e branco com grande virtuosidade, repleto de travellings muito precisos, o filme foi inicialmente concebido em sete sequências, que poderiam ser mostradas numa ordem variada, como CHELSEA GIRLS, de Andy Warhol, embora o realizador tenha decidido dar-lhe uma montagem definitiva para a distribuição e tenha desistido desta estrutura aleatória. Composto por uma série de segmentos sem relação direta, embora com uma personagem principal, trata-se de um filme extremamente forte, ao mesmo tempo conceptual e muito material. Realizado por um homem de apenas 23 anos, BANG BANG foi apresentado na Quinzena de Realizadores em Cannes, a convite do crítico português exilado José Novaes Teixeira.

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