EM COLABORAÇÃO COM O QUEER LISBOA 2016

Este ano, a colaboração da Cinemateca com o Queer Lisboa, que chega à sua vigésima edição, toma a forma de um Ciclo dedicado a Derek Jarman (1942-1994), com uma retrospetiva parcial da sua obra, num total de catorze programas. Embora Jarman seja conhecido sobretudo como cineasta (trinta e sete curtas-metragens, onze longas e vinte vídeos musicais), exerceu muitas outras atividades artísticas. Foi um pintor de talento e estudou belas-artes na Slade School of Arts, em Londres. Foi também cenógrafo (estreou-se nesta função em THE DEVILS, de Ken Russell, com quem também trabalhou em THE SAVAGE MESSIAH e numa montagem de The Rake’s Progress, de Strawinsky), jardineiro (o seu jardim foi mesmo objeto de um livro e foi preservado depois da sua morte), militante gay e escritor, autor de uma autobiografia, um livro de poemas, dois volumes de diários, dois livros sobre o seu trabalho e um estudo sobre o seu jardim. As inúmeras facetas da sua personalidade e da sua obra tornam difícil uma classificação. Como observou Brian Hoyle, o trabalho de Derek Jarman é “demasiado experimental para ser considerado ‘mainstream’, mas outros consideram a sua obra demasiado conservadora e convencional do ponto de vista artístico para ser completamente aceite como de vanguarda. Mas, para os seus admiradores, Jarman estava no centro daquilo a que Peter Wollen chamou ‘a última Nova Vaga’, a tardia resposta britânica aos grandes movimentos modernistas do cinema europeu posterior à Segunda Guerra Mundial. Pelo facto de ser um dos pais do New Queer Cinema, a sexualidade de Jarman sempre ocupou uma parte significativa no seu trabalho, mas depois de ter sido diagnosticado com o vírus da sida [em dezembro de 1986] a sua sexualidade tornou-se o seu ‘principal fator determinante’”. O itinerário de Jarman levou-o das margens para o centro e daí para uma zona intermédia e, mesmo no seu período final, em que era um nome controverso, porém instalado, alternou filmes de feitura “convencional”, como CARAVAGGIO, com outros de feitura “experimental”, como BLUE. Derek Jarman chegou tardiamente ao cinema, quando se aproximava dos 30 anos e fez os seus primeiros trabalhos em Super-8. Estreou-se na longa-metragem em 1976, com SEBASTIANE, o único peplum em que ninguém usa um peplo, pois todos os atores estão nus (além de falarem em latim). Um filme destes não podia passar despercebido, mesmo pelos que o não levaram a sério e, a seguir, Jarman realizou JUBILEE, um filme imaginativo e pessimista sobre a Grã-Bretanha da era Thatcher, a revolução conservadora que estava a começar. Em 1986, ao realizar CARAVAGGIO, sem dúvida o seu filme mais “convencional” e aquele que teve maior êxito, Jarman consegue apoio financeiro da BBC e doravante todos os seus filmes são realizados em condições financeiras aceitáveis. Mas, fiel aos seus começos e consciente das sérias limitações impostas pela indústria do cinema, evoluiu para um cinema seminarrativo a partir de THE LAST OF ENGLAND, simultaneamente realizando diversos vídeos musicais, sobretudo por razões financeiras. Nos últimos meses da sua vida, como outros doentes de sida, Jarman perdeu a vista. Realizou então o seu filme mais experimental e mais comovente, BLUE, em que, sobre uma tela inteiramente azul (a única cor que ainda conseguia vislumbrar), ouvimos a sua voz e a de alguns amigos seus falar de coisas diversas. Vinte e dois anos depois da sua morte, Derek Jarman não é visto apenas como um cineasta, mas como um artista multifacetado e um homem profundamente imerso no tempo em que viveu. Esta retrospetiva conta com a apresentação de dois documentos sobre o seu trabalho e diversas curtas-metragens de cineastas e artistas que pertencem à mesma constelação que ele. O programa inclui um debate, sob o mote “Derek Jarman and the Last of England”, a realizar no dia 22, na sala M. Félix Ribeiro.


Sala Luís de Pina | Sáb. [17] 19:00

LS19012

de Davide Pepe
Itália, 2004 – 7 min / legendado eletronicamente em português

L’AMORE VINCITORE – CONVERSAZIONE COM DEREK JARMAN

de Roberto Nanni
Itália, 1993 – 30 min / legendado eletronicamente em português

GLITTERBUG

de Derek Jarman
Reino Unido, 1994 – 60 min / legendado eletronicamente em português

duração total da projeção: 97 min | M/12

GLITTERBUG
GLITTERBUG

Os primeiros trabalhos de Derek Jarman com imagens em movimento datam de 1970 e foram feitos em Super-8. GLITTERBUG faz parte de uma série de documentários sobre arte produzidos pela BBC intitulada “Arena”, que existe desde 1975. Trata-se de uma montagem, feita por Andy Crabb sob a orientação de Jarman, de títulos por este realizados ao longo de vinte anos, nos quais vemos personalidades como Adam Ant, William Burroughs, Tilda Swinton e o próprio realizador. Com música de Brian Eno, GLITTERBUG foi estreado duas semanas depois da morte de Jarman e é um trabalho essencial para um conhecimento aprofundado do seu trabalho. A abrir o programa, dois títulos de realizadores italianos sobre Jarman: LS19012 é uma entrevista-ensaio; em L’AMORE VINCITORE, Jarman discute diversos aspectos do seu trabalho. Primeiras exibições na Cinemateca.


Sala M. Félix Ribeiro | Sáb. [17] 21:30

JUBILEE

de Derek Jarman
com Jenny Runacree, Little Nell, Jordan, Toyah Wilcox
Reino Unido, 1978 – 103 min / legendado eletronicamente em português | M/12

2-Jubilee

JUBILEE é uma alegoria sobre a Grã-Bretanha, em que a rainha Isabel I tem uma visão da Inglaterra do jubileu do vigésimo quinto aniversário do reino de Isabel II, um período em que todos os valores culturais e morais desmoronaram e reina a anarquia. “A visão da cultura inglesa do século XVI, o seu ponto culminante, é hoje um sonho perdido, uma utopia que foi substituída pelo apocalipse. JUBILEEé totalmente atual e, na sua representação da violência urbana, de sensualidade homicida e niilismo punk, anuncia a Inglaterra dos anos oitenta” (Michael O’Pray). O filme sofreu pequenos cortes de censura devido à representação de um homicídio, que foi considerada demasiado violenta. Jarman aceitou o corte e pôde controlar o encurtamento da sequência. Primeira exibição na Cinemateca. 


Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [19] 19:00

Curtas-metragens – programa I

ORANGE JUICE
MARIANNE FAITHFULL: BROKEN ENGLISH
T.G.: PSYCHIC RALLY IN HEAVEN
THE SMITHS: THE QUEEN IS DEAD

de Derek Jarman
Reino Unido, 1984, 1979, 1981, 1986 – 41, 12, 7, 13 min / sem diálogos e/ou sem legendas
duração total da projeção: 73 min | M/12

THE SMITHS: THE QUEEN IS DEAD
THE SMITHS: THE QUEEN IS DEAD

Primeiro dos três programas dedicados às curtas-metragens de Jarman, com quatro filmes musicais promocionais de conhecidas bandas. ORANGE JUICE constrói-se à volta do álbum da banda pós-punk escocesa que levava este nome. MARIANNE FAITHFULL: BROKEN ENGLISH, o primeiro desta série de filmes, retoma três canções do álbum Broken English, montadas, entre outras, sobre imagens de Hitler e Estaline. T.G.: PSYCHIC RALLY IN HEAVEN regista um concerto dos Throbbing Gristle: “Neste filme levei ao limite o tipo de trabalho experimental que começara em 1972 com IN THE SHADOW OF THE SUN, usando a dupla exposição e a refilmagem” (Jarman). THE SMITHS: THE QUEEN IS DEAD aborda os The Smiths através de três das suas canções, entre as quais a que dá título ao filme. Estes trabalhos foram feitos em Super-8 e posteriormente ampliados para 16 e 35 mm. Primeiras exibições na Cinemateca.


Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [19] 21:30

MARIANNE FAITHFULL: BROKEN ENGLISH

de Derek Jarman
Reino Unido, 1979 – 12 min / legendado eletronicamente em português

THE LAST OF ENGLAND

de Derek Jarman
com Spring, Gerrard McArthur, Tilda Swinton
Reino Unido, 1987 – 87 min / legendado eletronicamente em português
duração total da projeção: 99 min | M/12

THE LAST OF ENGLAND
THE LAST OF ENGLAND

THE LAST OF ENGLAND foi a primeira longa-metragem realizada por Jarman depois de CARAVAGGIO, que fez conhecer definitivamente o seu nome junto do “grande público”. Mas os dois filmes são totalmente diferentes. Jarman observou que THE LAST OF ENGLAND, filmado em Super-8 antes de ser transferido para vídeo e 35 mm, “elabora com as imagens e os sons uma linguagem mais próxima da poesia do que da prosa. Conta uma história com planos mudos, fazendo por conseguinte o contrário de todo o cinema que é ligado à palavra”. O filme pode ser visto como um comentário pessoal de Derek Jarman sobre a perda de certos valores na Grã-Bretanha durante a era Thatcher. “Em THE LAST OF ENGLAND sonha-se o presente que deriva do futuro. A estrutura corresponde à de uma viagem. Folhear as páginas de um livro leva-nos a mudar constantemente de ideias e deste modo cria-se uma atmosfera sem usar modos convencionais de narração” (Jarman). A abrir a sessão, uma curta-metragem sobre Marianne Faithfull, igualmente apresentada na sessão das 19 horas. Primeiras exibições na Cinemateca.


Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [20] 19:00

Curtas-metragens – programa II

STUDIO BANKSIDE
JOURNEY TO AVEBURY
TAROT
SULPHUR
SLOANE SQUARE
SEBASTIAN WRAP
WAITING FOR WAITING FOR GODOT

de Derek Jarman
Reino Unido, 1972, 1973, 1973, 1973, 1974-75, 1975, 1982 – 7, 13, 8, 15, 9, 6, 7 min / sem diálogos e/ou sem legendas
duração total da projeção: 65 min | M/12

JOURNEY TO AVEBURY
JOURNEY TO AVEBURY

O segundo programa de curtas-metragens de Derek Jarman inclui os seus primeiros trabalhos e obras extremamente raras. Todos foram originalmente filmados em Super-8 e transferidos para vídeo ou 16 mm. STUDIO BANKSIDE consiste em três minutos de imagens captadas no seu atelier em Londres. A JOURNEY TO AVEBURY e TAROT (ou THE MAGICIAN), no qual colaborou Christopher Hobbs, futuro cenógrafo de filmes seus, foram posteriormente incorporados em IN THE SHADOW OF THE SUN (1980), que reúne diversos filmes anteriores. SULPHUR (ou THE ART OF MIRRORS) foi considerado por Jarman como “o nosso primeiro Super-8 que é realmente um Super-8. Os outros ainda tinham demasiadas coisas ligadas à técnica do 16 mm, aqui temos, finalmente, algo completamente novo”. Em SLOANE SQUARE Jarman documenta a depredação sistemática de um apartamento do qual ele e outras pessoas foram expulsas. SEBASTIAN WRAP regista o fim da rodagem de SEBASTIANE e reúne vários membros da equipa do filme. WAITING FOR WAITING FOR GODOT foi feito durante uma montagem da peça de Beckett por John Maybury, cujos cenários foram concebidos por Jarman. Primeiras exibições na Cinemateca.


Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [20] 21:30

THE TEMPEST

de Derek Jarman
com Heatcote Williams, Toyah Wilcox, Jack Birckett, Karl Johnson
Reino Unido, 1979 – 85 min / legendado eletronicamente em português | M/12

6-Tempest

Esta controversa adaptação da peça de Shakespeare, feita com humor e inteligência, em que se misturam factos de diversas épocas e à qual não faltam elementos kitsch e gay, “com um toque mágico de punk” (Geoff Brown), é uma das longas-metragens mais conseguidas de Jarman, que se mantém fiel à trama da peça, sem ser prisioneiro das convenções da língua shakespeareana. À época, David Robinson observou no Times que esta era “uma das adaptações mais autênticas e poéticas do texto shakespeareano. O texto e a imagem integram-se, suscitando uma interpretação e não uma simples ilustração. As palavras não são reduzidas a literatura de museu, são vivas, cheias de força comunicativa”.


Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [21] 19:00

Performing the Self

STILL LIFE WITH PHRENOLOHY HEAD

de Cerith Wyn Evans

HUMAN LEAGUE: DON’T YOU WANT ME

de Steven Barron

CHAT RAP

de John Scarlett-Davis

ADAM ANT: STAND AND DELIVER

de Mike Mansfield, Adam Ant

ADAM ANT: PRINCE CHARMING

de Mike Mansfield, Adam Ant

THE MODERN IMAGE

de John Maybury

SOLITUDE

de John Maybury

BUNGALOW DEPRESSION

de Grayson Perry, Jennifer Binnie

THE PRIVATE VIEW

de The Neo-Naturists

Reino Unido, 1979, 1981, 1983, 1981, 1981, 1978, 1981, 1981, 1981 – 14, 4, 15, 3, 3, 13, 13, 4, 7 min
duração total da projeção: 76 min | M/12

ADAM ANT: STAND AND DELIVER
ADAM ANT: STAND AND DELIVER

Organizado sob o título genérico “Performing the Self”, o programa é composto por trabalhos realizados no Reino Unido entre 1978 e 1981, à volta do corpo e das suas representações na arte contemporânea, num eco do trabalho de Derek Jarman. Em STILL LIFE WITH A PHRENOLOGY HEAD, um rosto é construído a partir da frenologia, a “ciência” que pretende estudar o temperamento de uma pessoa pela forma da sua cabeça. Steven Barron realizou diversos filmes “mainstream”, mas também vídeos musicais, como HUMAN LEAGUE: DON’T WANT ME, sobre a banda new wave epónima. Adam Ant é o solista da banda pós-punk Adam and the Ants e podemos vê-lo em dois clips: em STAND AND DELIVER, as personagens vestem-se à maneira do século XVIII; em PRINCE CHARMING, o protagonista veste-se de Gata Borralheira. THE MODERN IMAGE e SOLITUDE são variações sobre o narcisismo. BUNGALOW DEPRESSION é uma obra de Grayson Perry, célebre artista britânico que se fez notar pelas suas cerâmicas e pelo “cross dressing”. Quanto aos The Neo-Naturists, eram um grupo formado no início dos anos oitenta, por performers femininas partidárias convictas da “sex politics” em tom anárquico. THE PRIVATE VIEW foi feito no jardim de uma das fundadoras do grupo, como trabalho escolar. Primeiras exibições na Cinemateca.


Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [21] 21:30

OSTIA

de Julian Cole
com Derek Jarman David Dipnall
Reino Unido, 1988 – 26 min / legendado eletronicamente em português

THE ANGELIC CONVERSATION

de Derek Jarman
com Paul Reynold, Philip Williamson, a voz de Judi Dench
Reino Unido, 1985 – 78 min / legendado eletronicamente em português

duração total da projeção: 104 min | M/12

THE ANGELIC CONVERSATION
THE ANGELIC CONVERSATION

THE ANGELIC CONVERSATION é uma das apostas formais mais fortes de Derek Jarman. Na banda sonora, em off, são lidos catorze sonetos de Shakespeare, aqueles herméticos poemas de amor e desejo erótico, aparentemente dirigidos por um homem a outro homem. Nas palavras do crítico Geoff Brown, “Jarman utiliza as palavras de Shakespeare como o trampolim para um melancólico sonho de desejo sexual. As imagens mostram o talento poético único de Jarman”. A abrir a sessão, uma curta-metragem sobre o homicídio de Pier Paolo Pasolini, em que Derek Jarman representa o papel do cineasta italiano. OSTIA é uma primeira exibição na Cinemateca.


Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [22] 17:30

Debate

DEREK JARMAN AND THE LAST OF ENGLAND

Com participantes a anunciar, o debate é transmitido em “live streaming”. A sessão é de entrada gratuita mediante o levantamento de ingressos na bilheteira.


Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [22] 19:00

Curtas-metragens – Programa III

PIRATE TAPE
THE DREAM MACHINE
IMAGINING OCTOBER
de Derek Jarman

THE DEFLATABLE MAN

de Paul Bettell
com Mark McKernol, Leo Carn
Reino Unido, 1982, 1983, 1984, 1989 – 15, 32, 27, 24 min / sem diálogos e/ou sem legendas
duração total da projeção: 98 min | M/12

PIRATE TAPE
PIRATE TAPE

Terceiro e último programa de curtas-metragens de Jarman (todas originalmente filmadas em Super-8), às quais se acrescenta um filme de Paul Bettell. PIRATE TAPE (W.S. BURROUGHS) foi filmado durante uma visita de William Burroughs à Grã-Bretanha, para participar no Final Academy Event. “Filmei-o por toda Londres, há uma entrevista, quatro conferências, uma noite num ‘night-club’” (Jarman). THE DREAM MACHINE foi igualmente filmado durante o Final Academy Event de 1982, com Burroughs e Bryon Gysin. Trata-se de uma meditação sobre a obra dos dois artistas e o seu título é tirado ao “totem cine-ótico” de Gysin. Filmado na URSS e na Grã-Bretanha, IMAGINING OCTOBER “narra, com métodos que se abeiram da paródia, as manipulações dos sistemas narrativos de ficção” (Ottavio Mai). THE DEFLATABLE MAN foi a segunda e última curta-metragem de Paul Bettell, antes da sua morte prematura. Baseado nos manifestos de Tristan Tzara, o filme mostra-nos um homem solitário, que deambula entre sonho e realidade. Primeiras exibições na Cinemateca.


Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [22] 21:30

THE SMITHS: THE QUEEN IS DEAD

de Derek Jarman, Richard Heslop, John Maybury
Reino Unido, 1986 – 13 min

THE GARDEN

de Derek Jarman
com as vozes de Michael Gough, Tilda Swinton, Stephen McBride
Reino Unido, Alemanha, Japão, 1990 – 91 min / legendado eletronicamente em português

duração total da projeção: 104 min | M/12

THE GARDEN
THE GARDEN

THE GARDEN é considerado um dos filmes mais radicais de Jarman, do ponto de vista formal. Quase totalmente desprovido de diálogos, marcado por uma forte imagética gay, o filme narra duas histórias paralelas, às quais se sobrepõe e figura de Jesus Cristo: numa história, uma mulher apresenta o seu bebé aos fotógrafos da comunicação social e tenta fugir deles; na outra, dois homens que são amantes são presos e martirizados. ”THE GARDEN é um filme intensamente pessoal que apresenta com extraordinária complexidade a forma como Jarman vê o mundo contemporâneo. O espectador perde naturalmente, de vez em quando, a visão panorâmica do universo peculiar em que o visionamento do filme o mergulha. Mas o filme opera um magnetismo tão forte que acaba por constituir uma experiência compensadora e inesquecível” (Frederico Lourenço). A abrir a sessão, um filme musical sobre os The Smiths, já apresentada no dia 19. THE SMITHS é uma primeira exibição na Cinemateca.


Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [23] 19:00

THE COURT OF MIRACLES
THE TECHNOLOGY OF SOULS
THE UNION IS JACKING UP

de John Maybury
Reino Unido, 1982, 1981, 1985 – 44, 11, 18 min / legendados eletronicamente em português
duração total da projeção: 73 min | M/12

THE COURT OF MIRACLES
THE COURT OF MIRACLES

Pintor, escritor e realizador, autor de filmes “mainstream”, como LOVE IS THE DEVIL (1998) e THE JACKET (2005), John Maybury foi, no início da sua carreira, um colaborador próximo de Derek Jarman. Com apenas 20 anos, concebeu os cenários de JUBILEE e também colaborou em THE LAST OF ENGLAND e em WAR REQUIEM. Os três filmes da sessão datam do período em que Maybury era um dos nomes mais conhecidos do cinema underground britânico. THE COURT OF MIRACLES analisa diversas formas de alienação que nos são impostas; em THE TECHNOLOGY OF SOULS um modelo feminino posa para a câmara; em THE UNION IS JACKING UP Maybury presta homenagem a alguns amigos, enquanto faz uma colagem de noticiários sobre a Grã-Bretanha. Primeiras exibições na Cinemateca.


Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [23] 21:30

EDWARD II

de Derek Jarman
com Steven Waddington, John Lynch, Andrew Tiernan
Reino Unido, 1991 – 87 min / legendado eletronicamente em português | M/12

12- Edward II

Adaptação, em cenários e guarda-roupa modernos, do drama de Marlowe sobre Eduardo II de Inglaterra, que reinou em inícios do século XIV e, ao ser deposto, foi assassinado de maneira atroz, pelo facto de ser homossexual. A encenação é extremamente despojada, com cenários quase desprovidos de mobiliário, e o uso de música eletrónica. Giovanni Grazzini observou que “o texto de Marlowe, reelaborado em certos trechos, exprime a violência celerada na qual se lê o ódio obsceno dos poderosos contra aqueles que buscam, ainda que por ínvios caminhos, o absoluto do amor”.


Sala Luís de Pina | Sáb. [24] 15:30

THE ATTITUDE ASSUMED: STILL LIFE WITH STILL BORN
THE MIRACLE OF THE ROSE

de Ceryth Wyn Evans

PSYCHIC TV: UNCLEAN

de Ceryth Wyn Evans, John Maybury

Reino Unido, 1980, 1984, 1984 / 19, 25, 9 min / legendados eletronicamente em português
duração total da projeção: 53 min | M/12

THE ATTITUDE ASSUMED: STILL LIFE WITH STILL BORN
THE ATTITUDE ASSUMED: STILL LIFE WITH STILL BORN

Ceryth Wyn Evans é um dos mais conhecidos artistas conceptuais britânicos da sua geração e também se dedica à realização de filmes. Colaborou com Derek Jarman em THE ANGELIC CONVERSATION, como montador, e em THE LAST OF ENGLAND, como diretor de fotografia. Em THE ATTITUDE ASSUMED, Evans manipula imagens de um anúncio de produtos de luxo com as de uma exposição sobre fetos, numa interrogação sobre o desejo e a identidade sexual. THE MIRACLE OF THE ROSE tem como ponto de partida o romance epónimo de Jean Genet, que é reformulado numa série de intensos segmentos. O Psychic TV foi um grupo experimental de músicos e de “video art”, muito ativo na Grã-Bretanha nos anos oitenta. UNCLEAN foi o vídeo realizado por Ceryth Wyn Evans para o grupo. Primeiras exibições na Cinemateca.


Sala M. Félix Ribeiro | Sáb. [24] 19:00

ELECTRIC FAIRY
BLUE

de Derek Jarman
com as vozes de Derek Jarman, Twilda Swinton, John Quentin, Nigel Terry
Reino Unido, 1971, 1993 – 6 e 79 min / legendados eletronicamente em português
duração total da projeção: 85 min | M/12

BLUE
BLUE

A sessão reúne o primeiro e o último filme realizados por Jarman. THE ELECTRIC FAIRY, considerado perdido durante muito tempo, foi recuperado há cerca de dois anos e apresentado em vários festivais. A palavra “fairy” designa uma fada mas também um homossexual e o filme de Jarman, mostra-nos um jovem melancólico, vestido com roupas de mulher. BLUE foi realizado quando Jarman cegara devido às sequelas da sida. A única imagem que vemos é a tela totalmente coberta pela cor azul, enquanto em voz off ouvimos lembranças, comentários, narrativas e reflexões de Derek Jarman, num dos raros filmes realmente testamentários alguma vez feitos. ELECTRIC FAIRY é uma primeira exibição na Cinemateca.