APICHATPONG WEERASETHAKUL
APICHATPONG WEERASETHAKUL

EM COLABORAÇÃO COM O CURSO DE DOUTORAMENTO EM ESTUDOS ARTÍSTICOS DA FCSH DA UNL

Em 2011, a Cinemateca apresentou uma retrospetiva da obra de Apichatpong Weerasethakul (“O Mundo Mágico de Apichatpong Weerasethakul”, que incluiu a integralidade das longas-metragens e a maioria das curtas realizadas até à data), anunciando-a como uma das mais originais obras do cinema contemporâneo fundada num trabalho sobre as possibilidades do cinema, com um tratamento particular da temporalidade, e assente na perspetiva de contador de histórias pronto a desbravar territórios mágicos e desconhecidos. Como então também se escreveu, trata-se de uma obra intimamente ligada à paisagem da região de Khon Kaen, no nordeste da Tailândia, onde Apichatpong cresceu, a um tratamento não linear da narrativa, aliado a uma exploração dos mecanismos da memória e a uma investigação sobre a construção da ficção na sua relação com o real e com o registo documental.
Em Lisboa para dirigir um Seminário do curso de doutoramento em Estudos Artísticos da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa (UNL), Apichatpong vai estar na Cinemateca a apresentar as suas duas mais recentes longas-metragens (HOTEL MEKONG e CEMETERY OF SPLENDOUR) e 14 dos seus títulos de curta-metragem. Do programa consta também uma série de filmes da sua escolha de Tsai Ming-liang, Hou Hsiao-Hsien, Forough Farrokhzad, Abbas Kiarostami, Jacques Tourneur, Francis Ford Coppola, Len Lye, Maya Deren, Stephen e Timothy Quay, Bruce Baillie. CEMETERY OF SPLENDOUR é apresentado em ante-estreia, numa colaboração da Cinemateca com a Midas Filmes.


BU SAN / GOODBYE DRAGON INN

Adeus Dragon Inn
de Tsai Ming-liang
com Lee Kang-sheng, Chen Shiang-chyi, Kiyonobu Mitamura, Chun Shih, Miao Tien
Taiwan, 2003 – 82 min / legendado em português | M/12

Tsai Ming-liang presta um belíssimo tributo aos “wuxia” (filmes de sabres ou aventuras de artes marciais na China antiga), de King Hu (1932-1997, autor de referência do género nos anos sessenta e setenta), evocando o seu filme DRAGON INN (1967), que o marcou profundamente como espectador aos 11 anos. É este o filme da “última sessão”, praticamente deserta, de um velho, histórico e labiríntico cinema condenado ao encerramento no crepuscular ADEUS DRAGON INN. Um jovem japonês que muda constantemente de lugar na sala, uma velha arrumadora coxa e um projecionista ausente são as personagens cujas deambulações marcam o filme, que é também um filme de fantasmas ou espíritos melancólicos. “Sabe que este lugar é assombrado?”

Sala Luís de Pina | Sex. [22] 18:30

1-GOOD-BYE-DRAGON-INN


MEKONG HOTEL

Mekong Hotel
Tailândia, Reino Unido, 2012 – 57 min / legendado em português

HAIKU

Tailândia, 2009 – 2 min / sem diálogos

THIS AND A MILLION MORE LIGHTS

Tailândia, 2003 – 1 min / sem som

MALEE AND THE BOY

Tailândia, 1999 – 26 min / legendado em inglês

LA PUNTA

Tailândia, 2013 – 2 min / legendado em inglês

ASHES

Tailândia, 2012 – 20 min / legendado em inglês
de Apichatpong Weerasethakul

duração total aproximada da projeção: 108 min | M/12

com a presença de Apichatpong Weerasethakul

Anterior a CEMETERY OF A SPLENDOUR, MEKONG HOTEL é a sétima e penúltima longa-metragem de Apichatpong, um retrato de um hotel nas margens do rio Mekong, no nordeste da Tailândia, na região onde foi filmado O TIO BOONME QUE SE LEMBRA DAS SUAS VIDAS ANTERIORES (2010): nos quartos e no terraço do hotel, Apichatpong filma um documentário a que vai juntando cenas do inacabado ECTASY GARDEN, um filme sobre uma mulher e a sua filha, dois amantes e o rio, ressonâncias históricas sobre o passado recente da Tailândia mas também “mágicas”. “Continua a haver ‘fantasmas’, como há sempre em Apichatpong, mas o filme é ele próprio um ‘filme-fantasma’ (como os célebres filmes ‘desaparecidos’ de Jacques Rivette), eco tardio, ou salvação tardia, de um filme que o tailandês começou a rodar em 2002 mas que não concluiu” (Luís Miguel Oliveira, Ípsilon). O filme é mostrado com um alinhamento de curtas realizadas entre 1999 e 2013, proposto por Apichatpong. À exceção de MALEE AND THE BOY, os títulos do programa são primeiras exibições na Cinemateca.

Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [22] 21:30

MEKONG HOTEL
MEKONG HOTEL

TRAILER FOR CINDI

Tailândia, 2011 – 1 min / sem diálogos

0116643225059

Tailândia, Estados Unidos, 1994 – 5 min / sem legendas

MY MOTHER’S GARDEN

Tailândia, França, 2007 – 7 min / sem som

SKADA (ROUSSEAU)

com Skada Kaewbiadee, Chai Bhatana, Chatchai Suban
Suíça, Tailândia, 2012 – 6 min / legendado em inglês

VAPOUR

com Krissakorn Thinthupthai, Thanyarak Chakkrawan, Kasame Tidnaur, Pichaya Tidnaur, Wanla Chuenjee
Tailândia, 2015 – 21 min / sem som

HAUNTED HOUSES

com Toy Luangjan, Suriyon Luangjan, Pratom Buranrom, Nim Janmo, Chaiwat Yahuadong, Supatra Sanmeung
Tailândia, 2001 – 60 min / legendado em inglês

FOOTPRINTS

Tailândia, México, 2014 – 6 min / legendado em inglês

MOBILE MEN

Tailândia, 2008 – 3 min / sem diálogos

MORAKOT (EMERALD)

Tailândia, Japão, 2007 – 11 min / legendado em inglês
de Apichatpong Weerasethakul

duração total aproximada da projeção: 110 min | M/12

O alinhamento do programa, proposto por Apichatpong, inclui nove títulos realizados entre 1994 e 2015, que são respetivamente os anos de 0116643225059 e VAPOUR. No primeiro, o filme mais antigo de todo o programa, uma conversa telefónica une dois tipos de imagens: uma fotografia da mãe do realizador e um apartamento atravessado pelas vozes distantes. VAPOUR é descrito como um filme que regista “as nuvens a descerem sobre uma aldeia e a engolirem-na durante um dia (…) infectando tudo com a febre do estupor branco”. TRAILER FOR CINDI é o trailer realizado por Apichatpong para o Cindi Film Festival – Cinema Digital Seul 2011. Filmado em tributo ao jardim da mãe do realizador, MY MOTHER’S GARDEN é um retrato impressionista de uma coleção de joias inspirada em diferentes tipos de plantas perigosas e carnívoras. SKADA (ROUSSEAU) é o contributo de Apichatpong para a coleção de curtas-metragens “La Faute à Rousseau” que reuniu uma série de cineastas num projeto associado ao tricentenário do nascimento de Jean-Jacques Rousseau. HAUNTED HOUSES foi produzido para a Bienal de Istambul e parte de dois episódios de uma popular série televisiva – “Depois das 20h vários milhões de casas no país são assombradas” (Apichatpong). Fixando um grupo de rapazes que viajam numa carrinha de caixa aberta, MOBILE MEN integra um projeto coletivo concebido para assinalar o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Em MORAKOT (EMERALD), Apichatpong juntou um romance budista, cujos protagonistas renascem como duas estrelas e demoram séculos a recitar as suas histórias, e Morakot, um antigo hotel no coração de Banguecoque, convidando três dos seus colaboradores habituais a preencherem o hotel com as próprias memórias. TRAILER FOR CINDI, SKADA (ROUSSEAU), VAPOUR e FOOTPRINTS são primeiras exibições na Cinemateca.

Sala Luís de Pina | Sáb. [23] 18:30

HAUNTED HOUSES
HAUNTED HOUSES

FREE RADICALS

de Len Lye
Reino Unido, 1958 – 4 min / sem diálogos

MESHES IN THE AFTERNOON

de Maya Deren
com Maya Deren, Alexander Hammid
Estados Unidos, 1943 – 14 min / sem legendas

REHEARSAL FOR EXTINCT ANATOMIES

de Stephen Quay, Timothy Quay
Reino Unido, 1987 – 14 min / sem diálogos

QUICK BILLY

de Bruce Baillie
Estados Unidos, 1971 – 56 min / legendado eletronicamente em português

duração total da sessão: 88 min | M/12

FREE RADICALS é frequentemente defendido como o melhor filme de Len Lye (1901-1980), pioneiro da animação direta e foi descrito por Stan Brakhage como “uma imensa e quase inacreditável obra-prima (um épico breve)”. MESHES IN THE AFTERNOON, de Maya Deren (1917-61), uma das mais notáveis representantes do cinema de vanguarda americano de que foi uma das pioneiras, “está ligado às experiências interiores de um indivíduo. Não regista um acontecimento que possa ser testemunhado por outras pessoas” (Maya Deren). Vagamente inspirado numa gravura de Fragonard, REHEARSAL FOR EXTINCT ANATOMIES é um dos filmes dos Quay Brothers, a influente dupla de realizadores que tem uma importante obra no campo da animação “stop motion”, inspirada na literatura do leste europeu, na música clássica e na arte, destacando-se pelo trabalho sobre a cor, a textura e um sentido de humor negro associado a sonhos infantis. Fundador e membro do coletivo Canyon Cinema (em 1961, em São Francisco como plataforma de exibição de cinema independente), e cofundador na mesma época da Cinemateca de São Francisco, o artista e realizador americano Bruce Baillie (nascido em 1931, de quem a Cinemateca apresentou já CASTRO STREET, DON QUIXOTE e TUNG) é autor de um poderoso trabalho cinematográfico, correntemente referido como experimental ou “poético e documental”. QUICK BILLY é uma das suas obras maiores e lida com “a experiência de transformação entre a vida e a morte, a morte e o nascimento (ou renascimento) em quatro bobines”. “Uma vez, Bruce Baillie descreveu um sonho em que ele, como médico, era submetido às doenças e depois morrer as mortes de toda a gente (…). Um ser humano disposto a assumir a responsabilidade pelas mortes de outros não pode magoá-los, e é isto que o espectador fica instintivamente a saber” (Kathleen Michael Connor). Os dois últimos filmes do alinhamento são primeiras exibições na Cinemateca.

Sala Luís de Pina | Sáb. [23] 22:00

MESHES IN THE AFTERNOON, de Maya Deren
MESHES IN THE AFTERNOON, de Maya Deren

HSIMENG JENSHENG / THE PUPPETMASTER

de Hou Hsiao-Hsien
com Tianlu Li, Giong Lim, Ming Hwa Bai, Fue Choung Cheng
Taiwan, 1993 – 142 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Hou Hsiao-Hsien centra este seu filme (Prémio do Júri do Festival de Cannes 1993) na vida e carreira do marionetista Li Tienlu, cuja vida pessoal combina com a história de Taiwan entre 1909 e o fim da dominação japonesa da ilha em 1945. THE PUPPETMASTER, como é internacionalmente conhecido, é o segundo dos títulos da trilogia histórica do realizador, também composta por A CITY OF SADNESS (1989) e GOOD MEN, GOOD WOMEN (1995), uma das suas mais depuradas obras. “Ir procurar o espectador, levá-lo para um espaço aberto para o fazer trabalhar” é a premissa de Hsiao-Hsien.

Sala Luís de Pina | Ter. [26] 18:30

5-PUPPETMASTER


RAK TI KHON KAEN / CEMETERY OF SPLENDOUR

de Apichatpong Weerasethakul
com Jenjira Pongpas, Banlop Lomnoi, Jarinpattra Rueangram, Petcharat Chaiburi
Tailândia, Reino Unido, Alemanha, França, Malásia, Coreia do Sul, México, Estados Unidos, Noruega, 2015 – 122 min / legendado em português | M/12

com a presença de Apichatpong Weerasethakul

A mais recente longa-metragem de Apichatpong Weerasethakul segue as personagens de uma jovem vidente e de uma mulher de meia idade, voluntária num hospital, confrontadas com o caso de uma enigmática doença de sono que afeta um grupo de soldados transferido para uma clínica temporária numa antiga escola e cujas origens podem estar associadas a causas sobrenaturais. Filmado na região de Khon Kaen, CEMETERY OF SPLENDOUR encara a mitologia da paisagem e o poder das memórias ligadas ao espaço. O filme é apresentado em ante-estreia numa sessão organizada em colaboração com a Midas Filmes.

Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [26] 21:30

6-CEMETERY OF SPLENDOUR


KHANEH SIAH AST

“A Casa é Negra”
de Forough Farrokhzad
Irão, 1963 – 22 min / legendado eletronicamente em português

MASQ-E SHAB

“Trabalhos de Casa”
de Abbas Kiarostami
com Abbas Kiarostami e os estudantes da escola Shahid Massumi
Irão, 1989 – 85 min / legendado eletronicamente em português

duração total da sessão: 107 min | M/12

KHANEH SIAH AST, único filme da poeta iraniana Forough Farrokhzad, parte de um tema já abordado por Pollet para filmar de forma magistral o quotidiano de uma comunidade de leprosos. Como escreveu Jonathan Rosenbaum “se a nova vaga iraniana começa com KHANEH SIAH AST, é impossível imaginar até onde irá”. “MASQ-E SHAB é o meu trabalho menos convencional. Nessa altura, não considerava este trabalho um verdadeiro filme, considerava-o antes uma pesquisa pessoal. Quando TRABALHOS DE CASA passou nas salas e, depois, na televisão, teve uma influência positiva na nossa sociedade, nos professores, nos pais, muitos dos quais admitiram ter alterado os seus comportamentos em relação aos miúdos; eu próprio, graças a este filme, conheci melhor os meus filhos. Se há filmes capazes de exercer uma ação benéfica sobre os espectadores, acho que MASQ-E SHAB é um deles. No Irão, o filme foi proibido aos menores de 16 anos; foram os pais que o viram e que decretaram a sua importância” (Abbas Kiarostami).

Sala Luís de Pina | Qua. [27] 18:30

TRABALHOS DE CASA, de Abbas Kiarostami
TRABALHOS DE CASA, de Abbas Kiarostami

I WALKED WITH A ZOMBIE

Zombie
de Jacques Tourneur
com Frances Dee, Tom Conway, James Ellison, Edith Barrett
Estados Unidos, 1943 – 68 min / legendado em português | M/12

Verdadeira obra-prima, o segundo filme de Tourneur para o produtor Val Lewton é um modelo de sugestão de terror. O tratamento fotográfico, jogando com as sombras e os medos que estas potencialmente despertam, é uma peça chave na construção da atmosfera de I WALKED WITH A ZOMBIE. A ação passa-se nas Caraíbas, onde chega uma enfermeira encarregada de velar por uma mulher com uma estranha doença que a transforma em Zombie, acabando a recém-chegada por se envolver nos rituais locais. Um filme batido pelo vento, habitado por fantasmas, sob as estrelas da noite.

Sala Luís de Pina | Qui. [28] 18:30

8-I WALKED WITH A ZOMBIE


THE CONVERSATION

O Vigilante
de Francis Ford Coppola
com Gene Hackman, John Cazale, Allen Garfield, Frederic Forrest
Estados Unidos, 1974 – 113 min / legendado eletronicamente em português | M/12

sessão apresentada por Apichatpong Weerasethakul

Francis Ford Coppola sob a influência de BLOW-UP de Antonioni num dos seus mais estimados filmes dos anos setenta da Nova Hollywood (Palma de Ouro em Cannes 1974). Centrado na história de um especialista em vigilância eletrónica que é contratado pelo diretor de uma grande empresa para escutar um casal que ali trabalha e se vê confrontado com os seus próprios medos e fantasmas, THE CONVERSATION foi visto à época como uma reação ao escândalo de Watergate, não obstante o seu projeto ser anterior. É um filme que lida com a paranoia da perseguição e tem uma extraordinária interpretação de Gene Hackman.

Sala M. Félix Ribeiro |  Qui. [28] 21:30

9-THE CONVERSATION