John Cassavetes e Shafi Hadi durante a gravação da banda sonora de Sombras
John Cassavetes e Shafi Hadi durante a gravação da banda sonora de Sombras

Se o final da década de cinquenta foi o momento em que a “modernidade” mais perceptivelmente explodiu, na Europa com a “nouvelle vague”, nos EUA com a chegada de um cineasta como John Cassavetes, a que logo se seguiu, a partir do princípio dos anos sessenta, o efeito multiplicador criado pela profusão de “cinemas novos” um pouco por todo o mundo, a verdade é que essa terá sido uma das décadas em que, desde o princípio, o cinema mais se transformou. Com uma nova paisagem social e cultural saída da Segunda Guerra, afastada definitivamente aquela “inocência” que ainda duas décadas antes, era possível associar ao cinema (e sobretudo ao cinema de grande espetáculo, como o de Hollywood, “fábrica de sonhos”), o cinema clássico, embora ainda pujante, começa a viver em tensão, uma tensão “interna” mas também “externa” à medida que outras formas de fazer filmes (no que toca ao modo de produção como no que toca à própria natureza fílmica) se vão impondo. O resultado foi uma década onde se sucederam os filmes estranhos e inclassificáveis, muitas vezes realizados ainda dentro do sistema clássico de produção mas frequentemente apontando, já, para outro tipo de linguagem, de referências ou de universos.
Neste Ciclo navegaremos por esse oceano dos anos cinquenta, ou por uma parte dele. O foco estará, essencialmente, no cinema americano, no diálogo progressivamente mais complexo entre as produções dos grandes estúdios e as produções independentes, com alguns desvios por pontos cruciais das cinematografias europeia e asiática, também elas a passarem por uma fase de profundas mutações.


LOLA MONTES

Lola Montes
de Max Ophüls
com Martine Carol, Peter Ustinov, Anton Walbrook, Oskar Werner
França, Alemanha, 1955 – 115 min / versão alemã, legendada em português | M/12

O último filme de Ophüls foi massacrado à época pela distribuição, que alterou a sua estrutura em “flashbacks”, e só foi visto na montagem original muito mais tarde. A história é a de uma cantora e cortesã, que termina a sua vida transformada em objeto, apresentando-se num circo, onde a sua própria vida é contada e encenada. Uma obra-prima.

Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [1] 15:30
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1-LOLA MONTES


THE NIGHT OF THE HUNTER

A Sombra do Caçador
de Charles Laughton
com Robert Mitchum, Lillian Gish, Billy Chapin, Shelley Winters
Estados Unidos, 1955 – 93 min / legendado em português | M/12

Esta única incursão de Charles Laughton na realização (que foi um completo fracasso comercial à época) resulta numa obra-prima incomparável, ponte de passagem obrigatória do cinema clássico ao moderno, com uma nova exploração da iluminação expressionista. Nesta onírica história infantil, o ogre é um assassino em série (a mais mítica criação de Mitchum), perseguindo duas crianças filhas de uma das suas vítimas, até se deparar com uma adversária à sua altura, a personagem de Lillian Gish. Um dos filmes mais singulares de sempre.

Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [1] 21:30
Sala Luís de Pina | Ter. [2] 18:30
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THE RIVER

O Rio Sagrado
de Jean Renoir
com Adrienne Corri, Patricia Walter, Nora Swinburne, Radha Shri Ran, Esmond Knight, Thomas E. Breen
França, Índia, Estados Unidos, 1951 – 99 min / legendado eletronicamente em português | M/12

THE RIVER marca o início da fase final da carreira de Renoir. Filmado na Índia, a cores, o filme conta a história de uma família inglesa e a “ação” resume-se ao facto de nascer, morrer e amar pela primeira vez. O rio do título é ao mesmo tempo físico (o Ganges) e metafísico (a vida, o tempo). Um dos filmes mais celebrados de Renoir, imbuído de uma espiritualidade assombrosamente serena.

Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [2] 15:30
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3-THE RIVER


GOODBYE MY LADY

de William Wellman
com Walter Brennan, Brandon deWilde, Phil Harris
Estados Unidos, 1956 – 94 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Um dos filmes finais de William Wellman (que só rodaria mais dois), e um dos momentos mais singulares de toda a sua obra, tão marcada pela ação e pela dureza. É a história simples, mas emocionalmente tão rica, de um miúdo órfão que tem de devolver aos legítimos donos o cão que encontrara perdido e adotara. Wellman filma isto com uma doçura extraordinária, fazendo da história uma fábula sobre a aceitação da perda como elemento fundamental na aquisição da maturidade. Brandon deWilde (o miúdo) e Walter Brennan estão em estado de graça. O cão – que na realidade se chamava mesmo My Lady – também.

Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [2] 21:30
Sala Luís de Pina | Qui. [4] 18:30
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4-GOOD-BYE_MY_LADY


PANDORA AND THE FLYING DUTCHMAN

Pandora
de Albert Lewin
com Ava Gardner, James Mason, Nigel Patrick, Marius Goring
Reino Unido, 1951 – 120 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Albert Lewin, que teve importantes funções de produtor na MGM, fez incursões extremamente ambiciosas no domínio da realização. PANDORA é a mais célebre e ambiciosa. Carregado de referências culturais e ostensivamente requintado, o filme retoma a lenda do Holandês Voador, o marinheiro condenado a errar eternamente pelo mundo, a menos que uma mulher se apaixone por ele. O seu navio chega a um porto espanhol, nos anos trinta, onde vive uma mulher fatal que faz com que os homens matem e se matem por ela. Ava Gardner talvez nunca tenha sido tão bela como neste filme em Technicolor. A apresentar em cópia digital.

Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [3] 15:30
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VIAGGIO IN ITALIA

de Roberto Rossellini
com Ingrid Bergman, George Sanders, Maria Mauban, Anna Proclemer
Itália, 1953, 1954 – 84 min / legendada em português | M/12

VIAGGIO IN ITALIA é muito possivelmente o filme maior de Roberto Rossellini. A crise de um casal numa viagem por Itália, a perda e a reconquista da fé, que é o milagre interior que acompanha aquele a que o par assiste durante uma procissão. O filme que, como escreveu Jacques Rivette na sua célebre “Lettre sur Rossellini”, abriu “uma brecha por onde todo o cinema moderno deve obrigatoriamente passar”. A apresentar em cópia digital.

Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [3] 21:30
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Journey to Italy (Viaggio in Italia). Dir. Roberto Rossellini (Italy / France 1953, 97 mins)


THE TARNISHED ANGELS

O Meu Maior Pecado
de Douglas Sirk
com Rock Hudson, Dorothy Malone, Robert Stack, Jack Carson, Robert Middleton
Estados Unidos, 1957 – 91 min / legendado em português | M/12

Realizado a preto e branco e em CinemaScope, THE TARNISHED ANGELS adapta Pylon de Faulkner. Esta história de personagens fracassadas, um antigo piloto de guerra e a sua mulher, que ganham a vida em espetáculos de aviação nas feiras, volta a reunir, numa tonalidade muito diferente, os três atores principais de WRITTEN ON THE WIND. Um dos filmes mais belos e mais pessimistas de Sirk.

Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [5] 15:30
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7-THE TARNISHED ANGELS


FEAR AND DESIRE

de Stanley Kubrick
com Frank Silvera, Paul Mazursky, Kenneth Harp
Estados Unidos, 1953 – 62 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Depois do razoável sucesso do par de curtas-metragens que realizara em 1951 (DAY OF THE FIGHT e FLYING PADRE), Stanley Kubrick, que tinha em 1953 25 anos e uma carreira profissional de fotógrafo, abalançou-se com FEAR AND DESIRE ao que foi em simultâneo a sua primeira longa e a sua primeira ficção. É um filme de guerra, uma guerra “abstrata” (mas com a Coreia como referência de contexto), e a guerra (em PATHS OF GLORY, em DOCTOR STRANGELOVE, em FULL METAL JACKET) foi possivelmente o tema que Kubrick abordou mais vezes. É com este filme, uma produção estritamente independente, que a sua obra verdadeiramente arranca. A apresentar em cópia digital, numa primeira exibição na Cinemateca.

Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [5] 19:00
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A STREETCAR NAMED DESIRE

Um Eléctrico Chamado Desejo
de Elia Kazan
com Vivien Leigh, Marlon Brando, Karl Malden Kim Hunter
Estados Unidos, 1951 – 126 min / legendado em espanhol | M/12

Adaptado de uma das mais conhecidas peças de Tennessee Williams, A STREETCAR NAMED DESIRE é, com ON THE WATERFRONT, um dos mais célebres filmes de Kazan. Pode dizer-se que, baseado numa peça estreada no ano da criação do Actors’ Studio, é o filme que levou o “Método” ao cinema. Brando trouxe uma nova forma de representar que veio revolucionar o teatro e o cinema. A história tem a ver com os recalcamentos sexuais de uma mulher sulista, que acabará violada pelo cunhado, e valeu a Vivien Leigh o segundo Óscar da sua carreira. Kim Hunter e Karl Malden foram os restantes vencedores. Mas o ator que este filme mais imortalizou (Marlon Brando) ficou-se pela nomeação e perdeu o prémio para… Humphrey Bogart, em tudo o seu oposto. O filme tem segunda passagem na sala Luís de Pina a 8, às 18h30.

Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [5] 21:30
Sala Luís de Pina | Seg. [8] 18:30
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9-A STREETCAR NAMED DESIRE


ANATOMY OF A MURDER

Anatomia de um Crime
de Otto Preminger
com James Stewart, Lee Remick, Ben Gazzara, Arthur O’Connell, Duke Ellington
Estados Unidos, 1959 – 155 min / legendado em espanhol | M/12

Um dos mais densos trabalhos de Preminger e um dos mais famosos “filmes de tribunal” da história do cinema. Tendo por tema o julgamento de um militar acusado de ter morto o homem que tentara violar-lhe a mulher, ANATOMY OF A MURDER ficou também como marco do combate contra a censura no cinema americano. Duke Ellington compôs a música expressamente para o filme e surge no ecrã com Johnny Hodges e Ray Nance a seu lado.

Sala M. Félix Ribeiro | Sáb. [6] 21:30
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10-ANATOMY OF A MURDER


NIGHT OF THE DEMON

Noite do Demónio
de Jacques Tourneur
com Dana Andrews, Peggy Cummins, Niall MacGinnis
Reino Unido, 1957 – 95 min / legendado em espanhol | M/12

Um das grandes obras-primas de Tourneur e um dos momentos maiores do cinema de terror. O que é admirável neste filme é que tudo, todo o medo, angústia e pânico (e poucos filmes transmitem estas sensações de forma tão eficaz) são dados através da sugestão (as cenas em que se visualiza o demónio foram acrescentadas pelos produtores à revelia do realizador). O argumento anda à volta de um culto satanista que provoca estranhas mortes.

Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [8] 15:30
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KISS ME DEADLY

O Beijo Fatal
de Robert Aldrich
com Ralph Meeker, Cloris Leachman, Albert Dekker
Estados Unidos, 1955 – 105 min / legendado em espanhol | M/12

Se há filme que se pode dizer ter feito rebentar um género, a partir de dentro e com os mesmos argumentos, é KISS ME DEADLY, sem dúvida a obra-prima de Aldrich, a quem bastaria este título para ficar na história do cinema. Aldrich subverteu todas as regras do filme negro, potenciando-as nas suas caraterísticas mais conhecidas e nos comportamentos das personagens, trazendo uma carga narcísica e sádica como até então nunca se vira. Trata-se também de um filme sobre a fobia da guerra nuclear, um tema que estava então no auge.

Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [8] 19:00
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A PLACE IN THE SUN

Um Lugar ao Sol
de George Stevens
com Montgomery Clift, Elizabeth Taylor, Shelley Winters, Raymond Burr, Anne Revere
Estados Unidos, 1951 – 120 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Segunda versão do clássico de Theodore Dreiser, An American Tragedy, um livro que fizera parte dos malogrados projetos de Sergei M. Eisenstein em Hollywood. Óscar de melhor fotografia para William C. Mellor, A PLACE IN THE SUN contém os mais famosos “encadeados” do cinema americano até então. Montgomery Clift é um jovem que procura a promoção social através do casamento com a filha de um industrial e acaba envolvido na morte de uma antiga namorada. Um filme magnífico, muito provavelmente o melhor do seu realizador e um excelente desempenho da jovem e belíssima Elizabeth Taylor. A apresentar em cópia digital.

Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [8] 21:30
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1951: Film stars Elizabeth Taylor and Montgomery Clift (1920-1966) star in the Paramount melodrama 'A Place In The Sun'.


THE SAGA OF ANATAHAN

de Josef von Sternberg
com Akeni Negishi, Takashi Sugonuma
Japão, 1953 – 92 min / legendado em francês e eletronicamente em português | M/12

O último filme de Josef von Sternberg, e o único desde os filmes com Marlene Dietrich em que teve total liberdade. Numa pequena ilha esquecida, uma mulher torna¬ se o objeto de desejo de um grupo de soldados japoneses que ali naufragaram durante a guerra e ali vivem durante anos ignorando que o conflito terminara.

Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [9] 15:30
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14-atahan


SWEET SMELL OF SUCCESS

Mentira Maldita
de Alexander Mackendrick
com Burt Lancaster, Tony Curtis, Susan Harrison, Barbara Nichols
Estados Unidos, 1957 – 96 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Para muitos SWEET SMELL OF SUCCESS é uma espécie de “obra-prima ignorada”, um pouco à imagem da relativa subalternidade em que ainda está a obra de Alexander Mackendrick. Para este filme, história de cupidez e vaidade centrada num célebre cronista nova-iorquino (Lancaster) e no seu ambicioso agente (Curtis), Mackendrick baseou-se num argumento de Ernest Lehman e Clifford Odets para descrever os círculos mais “in” na Nova Iorque dos anos cinquenta, num ambiente onde a vida noturna da “big apple” e a música jazz são dois ingredientes fundamentais. A apresentar em cópia digital.

Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [9] 19:00
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15-SWEET SMELL OF SUCCESS


JULIUS CAESAR 

Júlio César
de Joseph L. Mankiewicz
com Marlon Brando, James Mason, John Gielgud, Louis Calhern, Edmond O’Brien, Greer Garson, Deborah Kerr
Estados Unidos, 1953 – 120 min / legendado em espanhol | M/12

Admirável adaptação da tragédia de Shakespeare, com Brando prodigioso na figura de Marco António. O seu discurso diante do cadáver de César é um dos grandes momentos do cinema e da arte de representar, invertendo a relação de forças populares contra os conspiradores Bruto (James Mason) e Cássio (John Gielgud).

Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [9] 21:30
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SAIKAKU ICHIDAI ONNA

“A Vida de O’Haru”
de Kenji Mizoguchi
com Kinuyo Tanaka, Toshiro Mifune, Manao Shimizu
Japão, 1952 – 136 min/ legendado em português | M/12

É um dos grandes filmes de Mizoguchi, história sobre uma mulher em rota de colisão com os valores morais e sociais do seu tempo. O famoso realismo histórico de Mizoguchi raramente foi levado tão longe, como raras vezes foi levado tão longe o seu lirismo intimista. Uma das mais belas meditações sobre a mulher na história de qualquer arte.

Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [10] 15:30
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17-SAIKAKU ICHIDAI ONNA


IWASHIGUMO

“Nuvens de Verão”
de Mikio Naruse
com Chikage Awajima, Isao Kimura, Ganjiro Nakamura
Japão, 1958 – 128 min / legendado em francês e eletronicamente em português | M/12

O pós-guerra e os seus traumas foram uma constante na obra de Naruse a partir do início da década de cinquenta. IWASHIGUMO, um dos seus filmes mais célebres, é uma sucessão de pequenas histórias vividas por uma família de camponeses no pós-guerra. Ligando-as uma às outras e assim dando unidade ao filme, está a personagem de uma jovem viúva de guerra, dividida entre manter a sua independência e a necessidade de se voltar a casar. Dando unidade e todas elas centram-se na vida de uma viúva de guerra, e a sua vida no campo.

Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [10] 19:00
Sala Luís de Pina | Qui. [11] 18:30
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18-IWASHIGUMO


OCHAZUKE NO AJI

“O Sabor do Chá Verde com Arroz”
de Yasujiro Ozu
com Shin Saburi, Michiyio Kogure, Koji Tsuruta
Japão, 1952 – 115 min / legendado em francês e eletronicamente em português | M/12

O filme que, na obra de Ozu, antecede TOKYO MONOGATARI e é, portanto, um dos seus derradeiros trabalhos em preto e branco. O projeto já vinha de há algum tempo, correspondia a um argumento que Ozu tinha querido filmar durante a guerra mas de que então desistiu pelas dificuldades levantadas pela censura militar. Parcialmente reescrito, na sua forma final enquadra-se perfeitamente na sequência de obras-primas que Ozu dirigiu ao longo da década de cinquenta, no seu olhar sobre a sociedade do pós-guerra à luz de histórias sobre pais e filhos com diferentes pensamentos sobre a vida e o sobre o lugar de cada um na sociedade.

Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [10] 21:30
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SALT OF THE EARTH

O Sal da Terra
de Herbert J. Biberman
com Rosaura Revueltas, Will Geer, David Wolfe
Estados Unidos, 1954 – 94 min / legendado em português | M/12

Uma das mais célebres produções independentes americanas dos anos cinquenta, e mesmo quase “clandestina” visto que os principais intervenientes (Biberman, o realizador, Michael Wilson, o argumentista, Paul Jarrico, o produtor) estavam todos na lista negra e impossibilitados de trabalhar em Hollywood. Num estilo fortemente devedor do cinema de realismo social que então florescia, sobretudo na Europa, narra as lutas laborais de um grupo de mineiros no Novo México. Foi mal recebido: chegou-se a escrever que tinha sido feito “sob ordens diretas do Kremlin”, e a veneranda Pauline Kael, sem meias medidas, chamou-lhe “propaganda comunista”. O tempo matizou as reações extremistas, e hoje o relativo pioneirismo de Biberman na procura dum cinema socialmente empenhado é comummente reconhecido.

Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [11] 15:30
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20-SALT OF THE EARTH


THE RED BADGE OF COURAGE

Sob a Bandeira da Coragem
de John Huston
com Audie Murphy, Bill Mauldin, Royal Dano, Arthur Hunnicutt, Andy Devine, Smith Bellow
Estados Unidos, 1951 – 69 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Adaptado de um romance de Stephen Crane, o segundo filme realizado por Huston na década de cinquenta conta a história de um jovem soldado na guerra civil americana que é surpreendido pela crueldade da experiência de guerra. Desertando e reintegrando o seu batalhão, descobre em si a cobardia e a coragem que não suspeitava ter. Como o romance de Crane, o filme de Huston tem a marca do realismo numa narrativa em grande parte psicológica. Tem também imagens de um impressionante lirismo. É um dos seus filmes mais surpreendentes.

Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [11] 19:00
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21-THE RED BADGE OF COURAGE


SOMMARLEK

Um Verão de Amor
de Ingmar Bergman
com Maj-Brit Nilsson, Alf Kjellin, Birger Malmsten
Suécia, 1951 – 93 min / legendado em português | M/12

“SOMMARLEK é o mais belo dos filmes”, escreveu Jean-Luc Godard quando o filme se estreou. Talvez seja mesmo. Baseado num romance que escreveu quando era muito novo, Bergman visita o tempo dos morangos silvestres e do amor absoluto. Sabendo que tudo isso acabou e que nada volta mais. E os amores que regressam nunca são iguais aos amores que foram. Mas a única fidelidade à morte é a vida.

Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [11] 21:30
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22-SOMMARLEK


THE TALES OF HOFFMANN

Os Contos de Hoffmann
de Michael Powell, Emeric Pressburger
com Robert Rounsenville, Robert Helpmann, Moira Shearer, Ludmilla Tcherina, Leonilde Massine
Reino Unido, 1951 – 119 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Adaptação da ópera de Offenbach, cantada em inglês, sobre a relação do poeta Hoffmann com três mulheres diferentes, que são outras tantas miragens, em situações manipuladas pelo diabo. Aproveitando-se da trama da ópera, Powell recusa qualquer noção de verosimilhança, nomeadamente os cenários naturais, tão frequentemente utilizados nos filmes de ópera. Leva-nos para o domínio da fantasia e do sonho, em que é um mestre. A direção musical é de Thomas Beecham, que vemos de relance. A apresentar em cópia digital.

Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [12] 15:30
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M

Matou
de Joseph Losey
com David Wayne, Howard da Silva, Martin Gabel
Estados Unidos, 1951 – 88 min / legendado em francês e eletronicamente em português | M/12

Exatamente vinte anos depois da estreia do filme homónimo de Fritz Lang chegava às salas este insólito “remake”, que pega no essencial da linha narrativa do M de 1931 e o transpõe para a paisagem urbana da América de 1951. O produtor foi o mesmo nos dois casos: Seymour Nebenzal, entretanto emigrado para os EUA e estabelecido, sem grande sucesso, como produtor independente. O filme de Losey refaz quase a papel químico (mas de maneira brilhante) algumas passagens da obra de Lang (por exemplo toda a sequência inicial) e, sendo seguramente mais “pobre” (em termos de meios, pelo menos) do que o original, a sua implantação num ambiente realista faz dele um filme tremendamente áspero e perturbante – sobretudo quando articulado com o contexto paranoico (o mccarthyismo) que os EUA então viviam. A apresentar em cópia digital, numa primeira exibição na Cinemateca.

Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [12] 21:30
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24-M


I VITELLONI

Os Inúteis
de Federico Fellini
com Franco Interlenghi, Alberto Sordi, Franco Fabrizi
Itália, 1953 – 100 min / legendado em espanhol | M/12

Projeção autobiográfica das memórias da juventude de Fellini, em Rimini. Um grupo de rapazes (“os inúteis”) que preenche o vazio dos dias de farra em farra, de namorisco em namorisco; no fim, um deles percebe que de que sair dali, e apanha um comboio para Roma – e essa personagem é o alter ego do realizador. Um dos melhores Fellinis de sempre, porventura o mais agridoce. Entre as mais notáveis sequências conta-se a da festa, perto do final, onde o amanhecer vem anunciar às personagens aquilo que só elas ainda não perceberam: que estão completamente perdidas.

Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [15] 19:00
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LE NOTTI BIANCHE

Noites Brancas
de Luchino Visconti
com Marcello Mastroianni, Maria Schell, Jean Marais
Itália, 1957 – 94 min / legendado em espanhol | M/12

Leão de Prata no Festival de Veneza de 1957, nem por isso LE NOTTI BIANCHE ficou como um dos Visconti mais célebres. O que é profundamente injusto para esta adaptação da novela de Dostoievski, banhada num ambiente “mágico”, sempre numa serenidade “tensa” e num fatalismo à espera da sua confirmação, onde Maria Schell espera fielmente pelo homem que ama, um papel dentro do estilo que a popularizou na Alemanha.

Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [16] 15:30
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26-LE NOTTI BIANCHE


THE LITTLE FUGITIVE

de Ray Ashlin, Morris Engel, Ruth Orkin
com Riche Andrews, Richard Brewster, Jay Williams
Estados Unidos, 1953 – 80 min / legendado em francês e eletronicamente em português | M/12

Admirado por François Truffaut, que teria citado uma das suas cenas em LES QUATRE CENTS COUPS, THE LITTLE FUGITIVE é considerado por alguns como um elo perdido no cinema americano. Esta pequena produção independente, inteiramente rodada nos cenários naturais da praia de Coney Island, durante um dia de verão, mostra-nos a fuga de um rapaz de cerca de dez anos, que vai divertir-se sozinho durante vinte e quatro horas, longe da família. O filme mais americano e menos hollywoodesco que se possa imaginar.

Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [16] 21:30
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27-THE LITTLE FUGITIVE


LE AMICHE

de Michelangelo Antonioni
com Eleonora Rossi Drago, Gabriele Ferzetti, Valentina Cortese
Itália, 1955 – 104 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Baseado na novela Fra Donne Sole de Cesare Pavese (última das três histórias de La Bella Estate), LE AMICHE encerra o que poderíamos considerar como a primeira fase da obra de Antonioni, onde ainda há alguns resquícios do cinema clássico, que desaparecerão a partir do seu filme seguinte, IL GRIDO. Mas se LE AMICHE é menos abstrato do que os filmes que Antonioni realizou nos inícios dos anos sessenta e a sua narrativa não é “desconstruída”, e o filme contém os temas essenciais do realizador: as personagens femininas, a dificuldade de viver, a dúvida existencial. E a perfeição visual deste mestre da forma.

Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [17] 15:30
Sala Luís de Pina | Seg. [22] 18:30
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28-LE AMICHE


THE NAKED DAWN

Alvorada Vermelha
de Edgar G. Ulmer
com Arthur Kennedy, Betta St. John, Eugene Iglesias
Estados Unidos, 1955 – 82 min / legendado em português | M/12

Um western pouco convencional, em Technicolor e centrado em três personagens, dois homens e uma mulher. Foi a relação triangular entre eles que, à época, levou François Truffaut a comparar THE NAKED DAWN ao romance de Henri-Pierre Roché, Jules et Jim: “THE NAKED DAWN é o primeiro filme que me dá a impressão que um Jules et Jim cinematográfico é possível”. Como se sabe, alguns anos depois Truffaut passou à ação inspirado por esta obra.

Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [17] 21:30
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29-THE-NAKED-DAWN


THE LEFT-HANDED GUN

Vício de Matar
de Arthur Penn
com Paul Newman, Lita Milan, John Dehner, Hurd Hatfield
Estados Unidos, 1958 – 101 min / legendado português | M/12

Versão cinematográfica da vida do mitológico fora da lei do oeste americano Billy the Kid, THE LEFT-HANDED GUN é a primeira longa-metragem de Penn a partir da adaptação de uma peça de Gore Vidal, focada num retrato psicológico da personagem. O filme ofereceu a Paul Newman um dos seus primeiros grandes papéis.

Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [18] 15:30
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30-THE LEFT-HANDED GUN


JALSAGHAR 

“O Salão de Música”
de Satyajit Ray
com Chabi Biswas, Padma Devi, Gangapada Basu, Bishmillah Khan
Índia, 1959 – 95 min / legendado eletronicamente em português | M/12

“O SALÃO DE MÚSICA” é um dos filmes mais belos e célebres do grande mestre indiano e foi também o filme através do qual toda uma geração de espectadores europeus o descobriu. Realizado com o habitual requinte de Satyajit Ray nesta fase da sua obra, conta a história de um aristocrata sem descendência, que desbarata a fortuna realizando sumptuosos espetáculos musicais privados. À beira da ruína, prepara um derradeiro serão, destinado a ultrapassar em extravagância todas as anteriores. O filme conta com a participação de alguns dos mais notáveis músicos e dançarinos indianos da época.

Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [18] 21:30
Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [24] 18:30
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31-JALSAGHAR


A KING IN NEW YORK

Um Rei em Nova Iorque
de Charles Chaplin
com Charles Chaplin, Dawn Addams, Oliver Johnston, Michael Chaplin
Reino Unido, 1957 – 105 min / legendado em espanhol | M/6

Longe da personagem de Charlot, abandonada em MODERN TIMES (1936), Chaplin, em A KING IN NEW YORK, ajusta contas com os Estados Unidos, cinco anos depois de ter sido praticamente expulso do país. Na sequência de um golpe de Estado, o rei de um país fictício da Europa Central foge para Nova Iorque com boa parte do tesouro do seu país. Uma vez chegado, vê-se envolvido em aspectos da cultura americana com os quais não contava, como o culto do dinheiro e da forma física. Durante uma visita a uma escola, tem um diálogo socrático com uma criança, que é uma crítica aberta à intolerância, que se manifestara durante a “caça as bruxas” do macarthysmo, de que o próprio Chaplin foi vítima.

Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [19] 15:30
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32-A King In New York


PARTY GIRL

A Rapariga Daquela Noite
de Nicholas Ray
com Cyd Charisse, Robert Taylor, Lee J. Cobb, John Ireland, Kent Smith
Estados Unidos, 1958 – 99 min / legendado em português | M/12

sessão apresentada por Victor Erice

Uma obra-prima de Nicholas Ray que nos leva à Chicago dos anos trinta e ao império dos “gangsters”, para nos contar a história de amor de um advogado aleijado e corrupto por uma bailarina e a sua redenção. Este veio a ser o último filme de Ray feito em Hollywood e entusiasmou a crítica europeia da época. Filmado em cores magníficas e em CinemaScope. Extraordinária presença de Lee J. Cobb, no papel de um gangster sádico.

Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [19] 21:30
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33-PARTY GIRL


TOUCH OF EVIL

A Sede do Mal
de Orson Welles
com CHARLTON HESTON, Janet Leigh, Orson Welles, Akim Tamiroff, Marlène Dietrich
Estados Unidos, 1958 – 108 min / legendado em português | M/12

A obra que marca o regresso de Orson Welles aos Estados Unidos, dez anos depois de THE LADY FROM SHANGHAI, é uma alucinante investida no filme negro, e um pungente solilóquio sobre o mal. Welles também domina o filme como intérprete, na figura de um polícia que impõe a sua lei numa cidade de fronteira com o México, fazendo frente a um agente americano que procura libertar a noiva de um bando de traficantes de droga. O genial plano sequência de abertura é um dos melhores da história do cinema, um “tour de force” inimitável.

Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [22] 15:30
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O DREAMLAND

de Lindsay Anderson
Reino Unido, 1953 – 13 min / legendado eletronicamente em português

MOMMA DON’T ALLOW

de Karel Reisz, Tony Richardson
Reino Unido, 1955 – 22 min / legendado eletronicamente em português

WE ARE THE LAMBETH BOYS

de Karel Reisz
Reino Unido, 1959 – 52 min / legendado eletronicamente em português

duração total da sessão: 87 min | M/12

O DREAMLAND e MOMMA DON’T ALLOW são dois exemplos do “corpo” que o “free cinema” ou a sua inspiração foi ganhando ao longo da década de cinquenta. WE ARE THE LAMBETH BOYS, no fim da década, foi já um momento de apogeu. Filmado no verão de 1958 num clube de juventude do sul de Londres (Alford House), WE ARE THE LAMBETH BOYS segue um grupo de adolescentes de quem regista frustrações e aspirações, fixando-se em grandes planos das suas personagens e movimentando-se entre o grupo que formam. Richard Hoggart chamou-lhe “um filme ensaio”, “propõe-se mostrar, não toda a verdade, mas alguns aspectos da verdade, totalmente.” O DREAMLAND é uma primeira exibição na Cinemateca.

Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [22] 21:30
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WE ARE THE LAMBETH BOYS
WE ARE THE LAMBETH BOYS

SUSANA, DEMONIO Y CARNE

Susana
de Luis Buñuel
com Rosita Quintana, Fernando Soler, Victor Mendonza
México, 1950 – 85 min / legendado em francês e eletronicamente em português | M/12

SUSANA, DEMONIO Y CARNE, uma das obras mexicanas de Buñuel, é um dos seus mais delirantes filmes, talvez o primeiro em que se manifesta a sua capacidade de filmar fielmente um melodrama e ao mesmo tempo subvertê-lo completamente. Susana foge de uma prisão numa noite de tempestade e vai tomar o lugar de um “anjo exterminador” numa grande propriedade rural onde se refugia, despertando a paixão de todos os homens da casa: primeiro o capataz, depois o filho e finalmente o pai, lançando um contra o outro. O imprevisível desenlace é um prodígio de sarcasmo.

Sala M. Félix Ribeiro | Ter. [23] 15:30
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36-SUSANA, DEMONIO Y CARNE


COMPULSION

O Génio do Mal
de Richard Fleischer
com Orson Welles, Dean Stockwell, Bradford Dillman
Estados Unidos, 1959 – 103 min / legendado em espanhol | M/12

Drama de tribunal inspirado no caso do perverso duo Leopold e Loeb, dois estudantes que matam por simples gozo e por arrogância intelectual, como se estivessem acima do bem e do mal. É a mesma história que Hitchcock filmou em ROPE, aqui com os dois rapazes interpretados por Dean Stockwell e Brandford Dillman, que nem se preocupam em ajudar o seu advogado de defesa (Orson Welles).

Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [24] 15:30
Sala Luís de Pina | Seg. [29] 18:30
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37-COMPULSION


DAYBREAK EXPRESS

de D.A. Pennebaker
Estados Unidos, 1953 – 5 min / sem legendas

ON THE BOWERY

de Lionel Rogosin
com Gorman Hendricks, Frank Matthews, Ray Salyer
Estados Unidos, 1956 – 65 min / legendado eletronicamente em português

duração total da sessão: 70 min | M/12

É um clássico do cinema independente americano. Foi a primeira obra de Lionel Rogosin, que antes de começar a filmar mergulhou no bairro do Lower East Side nova-iorquino do Bowery durante seis meses para lhe sentir o pulso, os ritmos, conhecer os habitantes. Depois filmou-os, sem condescendência e incandescentes, tomando para si os ensinamentos de Flaherty e a inspiração no neorrealismo italiano e em THE QUIET ONE, de Sidney Meyers, mas também em Weegee ou Jacob Riis. ON THE BOWERY dá a ver Nova Iorque como nunca antes no cinema. “Um estudo pessoal em grande plano dos mais negros recantos da sociedade e um trabalho crucial do realismo americano (John Cassavetes, Shirley Clarke, Robert Frank e Kent MacKenzie devem-lhe todos alguma coisa)” (Michael Joshua Rowin).  A abrir a sessão, DAYBREAK EXPRESS, a maravilhosa curta-metragem de estreia de Pennebaker, um filme devedor da musicalidade das “sinfonias de cidades” dos anos vinte, aplicada à velocíssima Nova Iorque de cinquenta e ao movimento dos comboios que todos os dias trazem gente para o trabalho na metrópole. DAYBREAK EXPRESS é uma primeira exibição na Cinemateca.

Sala M. Félix Ribeiro | Qua. [24] 21:30
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ON THE BOWERY
ON THE BOWERY

FORTY GUNS

de Samuel Fuller
com Barbara Stanwyck, Barry Sullivan, Dean Jagger, John Ericson
Estados Unidos, 1957 – 80 min / legendado em português | M/12

O western em tempo de mudança. O começo é de cortar a respiração e ficou na história. Jamais o CinemaScope foi aplicado desta maneira. Dir-se-ia que foi inventado para Fuller filmar aquela longa cavalgada de Barbara Stanwyck à frente dos seus quarenta cavaleiros, mancha reptilínea nas planícies do oeste. E é o filme que destrói um “conceituado” cliché tacitamente aceite em todos os filmes do género: o duelo final que opõe Sullivan a John Ericson, com este escudado por Stanwyck.

Sala M. Félix Ribeiro | Qui. [25] 15:30
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39-FORTY GUNS


BOB, LE FLAMBEUR

de Jean-Pierre Melville
com Roger Duchesne, Daniel Cauchy, Isabelle Corey,
França, 1956 – 100 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Um antigo “gangster”, entretanto reconvertido à legalidade, aceita participar num último grande golpe, o assalto à caixa do casino de Deauville. Melville, sempre à margem das normas dominantes, encontra aqui uma das suas grandes paixões: o filme de “gangsters” à americana. A transposição desse universo para o cenário francês é perfeita, num filme que Godard citou em À BOUT DE SOUFFLE. As obras-primas do período final de Melville, situado nos meios dos “gangsters” (O SAMURAI e O CÍRCULO VERMELHO) são mais abstratas, mas no seu fascínio direto pelo cinema americano BOB, LE FLAMBEUR (“Bob, o Estroina”) não é menos perfeito.

Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [26] 15:30
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40-BOB LE FLAMBEUR


JAGUAR

de Jean Rouch
com Damouré Zika, Lam Ibrahim, Illa Gaoudel
França, 1957-67 – 91 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Uma das obras-primas de Jean Rouch, semelhante a MOI, UN NOIR, realizado durante várias missões do cineasta-etnógrafo ao Níger e só concluído dez anos depois de iniciado. Através do périplo de três amigos africanos que deixam a sua aldeia natal rumo ao Gana (a então Gold Coast), Rouch abole as fronteiras entre documentário e ficção e põe em prática o seu conceito de “antropologia compartilhada”, já que o filme foi filmado sem som e os três atores improvisaram por completo os diálogos durante a sonorização, tornando-se quase coautores.

Sala M. Félix Ribeiro | Sex. [26] 19:00
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41-JAGUAR


REAR WINDOW 

Janela Indiscreta
de Alfred Hitchcock
com James Stewart, Grace Kelly, Wendell Corey, Thelma Ritter, Raymond Burr
Estados Unidos, 1954 – 112 min / legendado em francês e eletronicamente em português | M/12

Pode chamar-se-lhe um “filme de câmara”, de tal forma tudo se circunscreve à visão a partir da sala onde o herói, um fotógrafo com a perna em gesso devido a um acidente (James Stewart), passa o tempo bisbilhotando a vida dos vizinhos até ao momento em que se depara com um crime. A notável articulação entre os espaços do interior do apartamento de Stewart e o pátio e as traseiras dos vizinhos é o resultado de um dos mais fabulosos trabalhos de “set designing” da história do cinema.

Sala M. Félix Ribeiro | Sáb. [27] 21:30
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TERROR IN A TEXAS TOWN

Terror no Texas
de Joseph H. Lewis
com Sterling Hayden, Sebastian Cabot, Carol Kelly
Estados Unidos, 1958 – 80 min / legendado eletronicamente em português | M/12

Joseph H. Lewis, de quem este foi o último filme, notabilizou-se pelos seus insólitos e violentíssimos “noirs” (como MY NAME IS JULIA ROSS ou THE BIG COMBO), mas também teve no western um campo ideal de aplicação do seu estilo severo e elegante. Rodeado de gente na lista negra (o argumento é de Dalton Trumbo, inicialmente não reconhecido), mas imune a represálias por ter a intenção de se reformar após a conclusão do filme, Lewis assina aqui um dos mais notáveis westerns da época do crepúsculo do género, pleno de truculência, e com um soberbo Sterling Hayden como protagonista.

Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [29] 15:30
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43-TERROR IN A TEXAS TOWN


O PINTOR E A CIDADE

de Manoel de Oliveira
Portugal, 1956 – 27 min

O PÃO

de Manoel de Oliveira
Portugal, 1959-1964 – 24 min

duração total da sessão: 51 min | M/12

O PINTOR E A CIDADE foi o regresso de Manoel de Oliveira ao cinema, catorze anos depois de ANIKI-BÓBÓ. Primeiro filme a cores de Oliveira, que nele, pela primeira vez, também usou planos longos. Voltando ao Porto de DOURO não fez um DOURO a cores mas um filme que é praticamente o oposto da célebre obra de 1931. A exibição do filme (em 1956) coincidiu com o início da redescoberta de Oliveira, com as primeiras homenagens prestadas ao autor e com o primeiro prémio internacional, ganho em Cork, na Irlanda em 1957. Encomenda da Federação Nacional dos Industriais de Moagem, O PÃO foi originalmente filmado em 1959 e remontado pelo realizador em 1964 (a versão que vamos exibir). “Evocando a estrutura circular ‘griffthiana’. Oliveira começa e acaba na relação dos camponeses com a terra (na instituição do casamento e na relação sexualidade/produção) para fazer um desvio estruturante que se prende sempre com uma lógica de necessidade” (José Manuel Costa).

Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [29] 19:00
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44-O PINTOR E A CIDADE
O PINTOR E A CIDADE

SHADOWS

Sombras
de John Cassavetes
com Hugh Hurd, Lelia Goldoni, Ben Carruthers
Estados Unidos, 1960 – 85 min / legendado em português | M/12

SHADOWS, começo da obra de Cassavetes, confunde-se, para muitos, com o nascimento do “novo” cinema independente americano. SHADOWS seria, assim, o seu manifesto. Nesta sua estreia, Cassavetes utilizou técnicas do “cinema direto” e inaugurou um modo de trabalhar com os atores (onde a improvisação é um dado importante) que se tornou porventura na sua mais legítima marca distintiva.

Sala M. Félix Ribeiro | Seg. [29] 21:30
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